Estimated reading time: 7 minutos
Para um fenômeno do tamanho de My Hero Academia, sua trajetória nos videogames sempre pareceu… meio tímida demais. Não entenda como algo ruim, longe disso, mas a série sempre seguiu um caminho muito confortável. Embora os dois One’s Justice entregaram bons arena fighters, funcionais e fiéis ao anime, os games nunca passaram a sensação de serem o jogo definitivo que esse universo merecia. E o hiato desde 2020 só deixou essa impressão mais forte.
É exatamente por isso que All’s Justice soa diferente desde o primeiro contato. Não apenas por ser o primeiro grande jogo da franquia em anos, mas porque ele mira direto no material mais explosivo da obra: o arco final, que acabou se tornando um dos maiores sucessos dos últimos tempos, basta ver a avaliação de cada episódio do anime. O jogo assume a responsabilidade de fechar um ciclo, tanto narrativo quanto simbólico, e essa ambição aparece de forma clara durante o tempo que passei com o game para fazer esta análise.
Um Story Mode que entende o peso do momento

O grande destaque do preview, sem dúvida, foi o Modo História. A parte jogável focada no confronto entre Bakugo e All For One deixa claro que o jogo não quer apenas “recontar” eventos do mangá, mas encená-los.
A narrativa é construída por meio de batalhas jogáveis, cenas com animação estilizada em 2D e cinematics totalmente renderizadas no motor do jogo. Essas últimas impressionam pelo uso de câmera, enquadramento e ritmo. O jogo sabe quando desacelerar, quando aproximar o olhar do personagem e quando deixar o espetáculo falar mais alto. O resultado é um impacto emocional que raramente aparece em jogos licenciados de anime.
Mesmo em um recorte curto, a sensação é de que os desenvolvedores compreenderam a importância desses confrontos para quem acompanhou a série por anos. E isso faz com que o Modo História se torne um dos maiores atrativos de All’s Justice.
Combate acessível, mas longe de ser raso

No controle, All’s Justice mantém a base de arena fighter em 3D, mas com ajustes bem-vindos. O ritmo das lutas é intenso, porém mais legível do que nos jogos anteriores. Não há excesso de informação visual atrapalhando decisões rápidas, e quase sempre fica claro por que um golpe funcionou ou falhou.
O sistema de Rising, que permite fortalecer temporariamente o personagem, muda o comportamento em combate e incentiva decisões mais agressivas. Já os golpes Plus Ultra continuam sendo o grande espetáculo visual, mas agora exigem leitura de jogo. Usar no momento errado pode significar desperdiçar uma vantagem crucial. Em confrontos mais difíceis contra a CPU, isso faz diferença real.
Outro ponto positivo é como cada personagem realmente joga de forma distinta. Lutadores mais rápidos são baseados em mobilidade e pressão constante, enquanto personagens mais pesados exigem posicionamento e leitura cuidadosa. Não é um jogo sobre executar combos longos, mas sobre saber quando avançar e quando recuar.
Um elenco gigantesco e, felizmente, variado

A Bandai Namco já confirmou cerca de 70 personagens jogáveis, o maior elenco da história da franquia nos games. Mais importante do que o número é a variedade. Durante o modo VS CPU, ficou evidente que os personagens não estão ali apenas para preencher tabela.
Heróis e vilões apresentam propostas bem diferentes, incentivando experimentação. Alguns exigem domínio maior de movimentação e controle de espaço, outros recompensam pressão direta e leitura agressiva. É aquele tipo de elenco onde cada jogador tende a descobrir “seu” personagem favorito naturalmente.
Modos extras: boas ideias, execução irregular

Fora do Modo História, o preview apresentou Team-Up Missions e Hero’s Diary, dois modos que ampliam a experiência, mas com resultados mistos. As Team-Up Missions colocam o jogador em áreas abertas da cidade, usando as individualidades para locomoção e cumprimento de objetivos. A sensação de atravessar o mapa com personagens como Deku é divertida, mas o ritmo sofre com encontros aleatórios frequentes demais. Inimigos comuns têm barras de vida infladas, alguns fogem constantemente, e isso quebra o fluxo das missões. A ideia é boa, mas claramente precisa de ajustes de balanceamento.
Já o Hero’s Diary segue um caminho oposto. São missões curtas, focadas em interações cotidianas da Classe 1-A. Pequenas histórias, mini-games e diálogos que lembram o lado mais “slice of life” da série. Nem todas funcionam igualmente bem, mas o modo cumpre seu papel ao humanizar o elenco e oferecer respiro entre batalhas grandiosas. Ou seja, pra quem gostava disso no anime, vai ser um prato cheio aqui.
Áudio, dublagem e identidade
Outro ponto importante é a presença de dublagem completa em inglês e japonês, ou seja, falta ainda a dublagem no nosso idioma, algo que ainda deveria ser padrão para lançamento no Brasil, mas infelizmente não é. As performances são sólidas, mas a falta de dublagem em pt-br afeta sim a acessibilidade do jogo.
A trilha sonora merece destaque. Faixas conhecidas do anime retornam em versões remixadas, elevando cenas-chave. Ouvir You Say Run adaptada para o jogo é exatamente o tipo de fan service que funciona quando bem aplicado.
Ambição finalmente à altura da franquia

Depois de jogar My Hero Academia: All’s Justice, fica claro que este é o jogo mais ambicioso da franquia até agora. Não apenas pelo tamanho do elenco ou pela escolha do arco final como base, mas pela confiança com que ele se apresenta.
Ainda há pontos de atenção. O equilíbrio entre personagens, o ritmo completo do Modo História e a repetição em alguns modos secundários são questões que só a versão final poderá responder. Mas, com base no que foi jogado, All’s Justice parece finalmente entregar algo que os fãs esperavam há anos: um jogo que entende o peso emocional da obra e traduz isso em espetáculo, jogabilidade e respeito ao material original.
Caso seja abraçado pelo público, este pode ser facilmente o capítulo mais marcante da história de My Hero Academia nos videogames.
Este review foi feito com uma chave antecipada oferecida pela Bandai Namco para PlayStation 5.
- Desenvolvedora: Byking
- Publisher: Bandai Namco Entertainment
- Plataformas: PS5, Xbox Series X/S, PC
- Review feito no: PlayStation 5
- Modo História cinematográfico e impactante
- Combate acessível, mas estratégico
- Sistema de Rising e Plus Ultra bem equilibrado
- Maior elenco da história da franquia
- Inimigos comuns com vida inflada
- Alguns sistemas de movimentação ainda parecem engessados
- Modos secundários têm boas ideias, mas execução inconsistente






Comentários