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Alguns jogos nos lembram por que nos apaixonamos por games em primeiro lugar. Ninja Gaiden: Ragebound, da The Game Kitchen, é um desses raros exemplos. Em meio a uma enxurrada de indies que tentam replicar a fórmula retrô com filtros de nostalgia, Ragebound vai além. Ele não só homenageia o legado da franquia Ninja Gaiden, como também entrega uma das experiências mais afiadas e recompensadoras do gênero em muitos anos.

Um novo ninja, a mesma sede de perfeição

Demo gratuita de NINJA GAIDEN: Ragebound chega à Steam
Reprodução/Dotemu

Ragebound nos apresenta a Kenji Mozu, um jovem pupilo de Ryu Hayabusa, que assume o protagonismo após uma breve introdução com o próprio mestre. A missão? Conter uma invasão demoníaca devastadora. Ao seu lado (ainda que a contragosto), está Kumori, uma kunoichi do clã rival, Black Spider. Juntos, eles formam uma dupla improvável que cresce em sintonia ao longo da campanha, ainda que essa evolução emocional, por mais convincente que seja no desfecho, pudesse ter se beneficiado de mais cutscenes para amadurecer melhor o vínculo.

Ação em sua forma mais pura

Ragebound entrega uma das jogabilidades mais refinadas dos últimos anos. Kenji desliza pelo campo de batalha com velocidade e elegância, alternando entre esquivas, saltos encadeados e golpes com sua katana. O Guillotine Boost, técnica que permite saltos através de inimigos, se torna rapidamente uma ferramenta essencial para exploração e combate, e dominar sua execução é uma recompensa em si.

O jogo utiliza uma estrutura clássica de estágios com seleção de fase e loja, onde upgrades são adquiridos não com dinheiro, mas com colecionáveis escondidos. Isso reforça o valor da exploração e cria um ciclo de replay extremamente saudável. Cada melhoria muda sutilmente sua abordagem de jogo, desde variações de ataque até amuletos de desafio que impõem restrições e multiplicadores de pontuação. É um sistema que respeita o jogador e incentiva experimentação genuína.

Customização que incentiva a maestria

Em vez de moeda tradicional, Ragebound recompensa exploração com colecionáveis especiais escondidos nos estágios, que podem ser trocados por melhorias e equipamentos. Essas modificações não são apenas cosméticas: elas expandem as opções de combate, impõem restrições opcionais com multiplicadores de pontuação e aprofundam a rejogabilidade com desafios verdadeiramente significativos. Há também fases com segmentos de veículos, que apesar de breves, trazem variedade bem vinda.

E não para por aí. As Secret Ops, fases bônus extremamente difíceis, são desbloqueadas ao encontrar pergaminhos ocultos e colocam suas habilidades à prova de forma brutal, mas justa. A curva de dificuldade é meticulosamente calculada: desafiadora desde o início, mas jamais injusta. Há também um modo Hard desbloável, que repagina chefes e aumenta a exigência para quem busca perfeição.

Dois protagonistas, duas formas de jogar

Apesar de muitas vezes habitando o corpo de Kenji, Kumori tem seus próprios momentos de protagonismo. Em seções específicas, ela assume a liderança em desafios cronometrados para ativar mecanismos ou encontrar caminhos alternativos. Embora sua jogabilidade seja próxima à de Kenji, seu foco em ataques à distância oferece um novo ritmo à ação. Nos estágios Secret Ops, controlar Kumori é quase um minigame de precisão tensa e muito satisfatório. Esses trechos, simples em mecânica, funcionam bem para variar o ritmo e manter a experiência fresca.

Chefes memoráveis e apresentação de primeira

As batalhas contra chefes merecem aplausos. Cada luta é um espetáculo de design: padrões de ataque bem sinalizados, arenas que exigem leitura do espaço e momentos de pura tensão. É aqui que Ragebound mais se aproxima da essência de Ninja Gaiden: confrontos onde a vitória depende tanto de técnica quanto de sangue frio.

Tudo isso é amparado por uma apresentação audiovisual impressionante. A apresentação é outro destaque. A pixel art pulsa com personalidade e clareza visual. Cada golpe tem peso, cada impacto soa satisfatório, e a trilha sonora é simplesmente arrebatadora. Algumas músicas são tão boas que poderiam facilmente entrar para a história da franquia.

Veredito: ninja moderno com alma clássica

Ninja Gaiden: Ragebound é um jogo que entende exatamente o que quer ser e o executa com precisão cirúrgica. Ele não tenta reinventar o gênero, mas eleva tudo o que há de melhor nele. Com desafio na medida certa, rejogabilidade honesta e controles impecáveis, este é o tipo de jogo que todo fã de ação 2D precisa jogar. Uma verdadeira carta de amor aos tempos em que habilidade falava mais alto do que qualquer DLC.

Ninja Gaiden: Ragebound
  • Desenvolvedora: Game Kitchen
  • Publisher: Dotemu
  • Plataformas: PC, PS4, PS5, Nintendo Switch, Xbox One, Xbox Series
  • Review feito no: PC
  • Também testado no: Steam deck
Positivo
  • Combate fluido, preciso e variado
  • Fases inteligentes
  • Trilha sonora de alto nível
Negativo
  • Campanha termina cedo
Nota 10
Sou o Fundador do site Ovicio, Overplay e Muramasa. Fui idealizador e Game Designer do jogo Vencedor da DemoNight no BIG Festival 2014, o Jotunheim Project. Escolhido como Jurado do Anime Awards em 2024 e 2025. Amo games, sou fã de God of War, Dragon Quest, Fire Emblem, The Legend of Zelda e Pokémon. Coleciono livros, quadrinhos e guitarras.


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