O encadernado de O Evangelho Segundo Lobo, recentemente relançado pela Panini, traz uma singela mensagem em sua contra-capa: “Esta edição não é recomendada para nerds, babacas, imbecis, menininhas, nem para os fragilinos ou fracos de coração.” Uma mensagem bem humorada aproveitando-se da personalidade nem um pouco simpática e até meio doentia do personagem, mas que na verdade possui um profundo significado real. Lobo não é para qualquer um. E não é mesmo.
Escrita por Keith Giffen e Alan Grant, e com arte de Simon Bisley, a HQ traz a fase mais popular do personagem, que angariou uma legião de fãs nos anos 90 ao levar ao extremo a concepção do que é um anti-herói. Em uma época onde personagens que fugiam um pouco mais da cartilha do super-herói bom moço como Wolverine faziam a cabeça dos leitores, Lobo surgiu praticamente como uma paródia desse tipo de personagem, com muito mais exagero, sangue e matança desenfreada. Sem qualquer escrúpulo, bom senso ou moral, o personagem trouxe um arquétipo de tudo que representava rebeldia na época. Atitudes violentas, palavrões, impulsividade, e um visual e postura que exalam e gritam heavy metal. Mas o ponto principal é que apesar de conterem uma dose cavalar de violência, as histórias do Lobo não seguem um tom sério, ou sequer possuem tramas complexas. É tudo em nome do humor negro. Negro, sujo, sangrento, decepado, desmembrado. Um humor com tudo de mais sujo que o ser humano possa conseguir pensar.
Ou seja, é tudo que a mensagem da contra-capa já indica em seu tom bem humorado, mas extremamente pontual. As histórias do Lobo possuem um tom tão peculiar que não existe meio termo para o personagem, e o fato de as histórias serem boas ou ruins acabam dependendo exclusivamente da opinião e do perfil do leitor. Ou você ama o Lobo, ou você o odeia. Se você é o tipo de cara que acha engraçado um homem nu arrancando metade da cabeça de outro com um soco, bem, essa é sua HQ.

O encadernado da Panini traz duas histórias do Lobo, que não por acaso são as melhores e mais famosas do personagem. Na primeira, O Último Czarniano, acompanhamos Lobo tendo que escoltar uma criminosa, enquanto precisa cumprir a promessa de não matá-la (ele jamais – JAMAIS – quebra uma promessa). O problema é que a tal criminosa é nada menos que uma outra czarniana, que foi sua professora no primário, e que inclusive é a autora da Biografia Não Autorizada do Lobo; motivos de sobra para que o personagem queira desesperadamente acabar com sua vida. O mais interessante nessa história é que ela é intercalada por parte da tal Biografia, onde vamos conhecendo mais sobre o passado de Lobo, desde seu nascimento no pacífico planeta Czarnia, até sua vida adulta.
A segunda história, Lobo Está Morto, é a famosa minissérie na qual o Maioral é assassinado por um caçador de recompensas que leva o singelo nome de Privada, e vai parar… no Paraíso. Isso porque ninguém no Inferno quer a presença do Maioral, o que acaba gerando uma tremenda confusão enquanto Lobo causa uma verdadeira chacina no céu.
Resumindo, O Evangelho Segundo Lobo é o gibi mais surreal, incorreto e com doses cavalares de humor negro que você possivelmente lerá na sua vida, e cabe a você julgar se isso é ou não é sensacional. Mas voltando ao começo do texto, aviso novamente… “Esta edição não é recomendada para nerds, babacas, imbecis, menininhas, nem para os fragilinos ou fracos de coração.“
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