
Sinopse:
Chloe e Brandon são os filhos dos maiores heróis do mundo. Eles conseguem ficar à altura de seus pais? Era um tempo mais simples para os super-heróis. Uma época em que, apesar das dificuldades, era fácil distinguir o objetivo principal dos heróis: o bem da comunidade. Hoje, o mundo mudou, novas crises o ameaçam e superseres diferentes cuidam dele. Entretanto, certos valores são difíceis de morrer.
Review:
Com o sucesso crítico e comercial de Kick-Ass e Kingsman, tanto nas telas quanto nos quadrinhos, Millarworld se tornou um selo de confiança para os leitores. Em “O Legado de Júpiter”, vemos mergulhando novamente no universo de Super-heróis, abraçando o conceito e adicionando suas marcas (crítica política e violência).
O primeiro volume, lançado recentemente pela Panini, reúne as 5 primeiras edições da série. O ano é 1932, época da Grande Depressão na América. Um dia, Sheldon Sampson tem uma visão de uma ilha perto da África e viaja até lá com seus amigos e irmão. Eles acreditam que irão encontrar algo para salvar o seu país. E é o que acontece. A viagem faz com que eles ganhem superpoderes, ganhando a oportunidade de ajudar o mundo inteiro.
Cortamos para 2013 e o mundo parece ser o mesmo. Ainda existem diversos problemas econômicos, pragas, forme, miséria… só que existem super-heróis. Sampson se tornou uma espécie de Superman, alinhado à uma ideologia mais tradicional, heroica, mas que prefere não interferir na política. Ele acredita que os problemas cotidianos devem ser resolvidos pela própria sociedade. Seu irmão, Walter, não compartilha da mesma visão e quer ser mais proativo. Seu desejo é interferir na política e ajudar a “consertar” o mundo. Por fim, temos Chloe e Brandon Sampson, os filhos de Sheldon, que são garotos problemáticos e pouco heroicos.
Em alguns momentos, “O Legado de Júpiter” funciona como uma versão moderna e superpoderosa de “Game of Thrones”, se tornando o centro do Universo Millarworld. A história possui uma narrativa abrangente, que engloba gêneros e fusos horários com facilidade e criatividade, brincando com a nossa noção de super-heroísmo. A abordagem política de Millar acrescenta uma sensação de realismo ao seu trabalho, que, apesar de alguns não gostarem, acaba beneficiando bastante a história.
Ok, você pode dizer que não há nada de novo nos heróis desta história, afinal, eles lutam, eles voam, eles cometem os erros que os heróis dos quadrinhos de hoje também cometem. Porém, a grande diferença não está na caracterização feita por Millar, mas sim na forma como ele conversa com tudo isso. Millar nos faz questionar o verdadeiro conceito de super-heroísmo, o que dá uma camada moral para a história.
Andando de mãos dadas com a narrativa experiente e dinâmica de Millar, temos a arte de Frank Quitely. Um veterano no mundo de super-heróis, parceiro conhecido de Grant Morrison, o artista faz com que a obra se torne realmente épica. Não importa o lugar ou a época apresentada nestas páginas, Quitely trabalha com maestria.
Fica claro que com um time tão brilhante, O Legado de Júpiter é uma obra que vale a pena. Temos bons momentos, boas cenas, bons personagens e uma história interessante o bastante para servir de motivo para adicionar para a coleção. Você pode adquirir o título, clicando aqui.