
O Quinto Beatle: A História de Brian Epstein” se desenrola como um verdadeiro disco da banda, aqui vemos a história daquele que gerenciou o grupo em uma série de contos curtos, alguns são claramente simples, enquanto outros possuem um simbolismo incomum para ilustrar a vida de Epstein. Não dá para saber tudo sobre Epstein, mas dá para descobrir pontos interessantes sobre aquele que ajudou na trilha de um dos grupos musicais mais bem sucedidos da história.
As ilustrações requintadas de Andrew C. Robinson fazem com que esta obra se torne algo surpreendente. A arte tem um poder surreal, capaz de te fazer reler inúmeras vezes em busca de capturar todas as nuances deste lindo trabalho. Cada página, painel simples, duplo, é cuidadosamente construído e imaginado. Robinson adapta o roteiro de forma meticulosa, gerando ilustrações incríveis.
Se você não acredita, basta abrir qualquer página de “O Quinto Beatle”, ficará óbvio todo o cuidado com este material. O livro começa com uma ótima cena de Liverpool, encharcada de chuva. É ali que Epstein aprende, de forma violente, que ser um homossexual em 1960 pode gerar graves consequências. Brian é atacado por um marinheiro, em frente ao Cavern, um lugar onde os Beatles estão tocando enquanto esperam sair do anonimato. A sensação de movimento é perfeita, o que só testifica a quantidade de elogios direcionada ao trabalho de arte.
A homossexualidade é um tema bem presente, dada a orientação sexual de Epstein. Ele logo descobre que enfrentará mais desafios do que espera. A sequência de violência citada acima é repleta de expressão e linguagem corporal. Tiwary e Robinson decidem intercalar a sequência com uma exuberante apresentação dos Beatles, onde o público vibra com a música. Brian volta para o seu flat, humilhado, amedrontado, você não precisa ler balões para saber isso, a expressão dele é bem clara.
Esta sequência de abertura é emblemática. As ilustrações são poderosas e comoventes. Durante a obra, descobrimos que Epstein é um homem focado, solitário, abusa do uso de drogas e tem vários problemas. Porém, Tiwary decide usar imagens mais “teatrais” para contar a história, algo que abranda a narrativa e deixa a obra mais introspectiva. Uma certa passagem deixa isso bem claro, quando Epstein explica para Lennon porque gosta de touradas:
“Eu gosto de touradas porque é um esporte bonito, agressivo. Em seu momento final de triunfo, o matador se torna a morte. Ele mata a máquina de matar. Mas não antes de dar a glória ao touro. Ele mostra ao mundo a sua beleza, o seu poder, a sua majestade. Ele também dá aos aficionados algo em que acreditar, algo para admirar, e, finalmente, algo para odiar. Então, no final, ele dá esperança.”
Brian é como o toureiro, ao trazer os Beatles para o mundo, ele nos deu algo para amar, para acreditar, para admirar. Neste volume, não espere ver o estrelato da banda, tudo acontece como background da história, visto que o foco está em Brian e na sua busca incansável de levar a banda às alturas. Vemos todos os momentos chave da carreira do quinto beatle.
O Quinto Beatle é uma obra de tirar o fôlego, página a página. Robinson produziu um livro que é preenchido com imagens memoráveis. Quando Brian vê a banda pela primeira vez em 1961, Robinson captura, de forma belíssima, o espanto no rosto de Brian. Mais uma vez, Robinson mostra como é importante ilustrar as expressões faciais e traduzir os sentimentos de seus personagens. As cores também exercem um papel importantíssimo nesta obra. O estilo, similar ao de uma aquarela, faz com que tudo fique mais denso e bonito. Isso faz com que a arte pareça mais delicada e interessante.
Apesar de “O Quinto Beatle” não ser propriamente uma biografia, visto que ela deixa várias lacunas da vida do protagonista, a o livro consegue revelar vários detalhes interessantes sobre o homem que gerenciou a carreira da banda. A arte é fenomenal e é, sem dúvidas, uma grande aquisição para sua coleção. Caso você tenha interesse, você pode clicar aqui e adquirir seu exemplar.