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Lançado como uma reimaginação completa de uma experiência mobile, Octopath Traveler 0 surpreende ao deixar suas raízes gacha para trás e se transformar em um dos RPGs mais ambiciosos e recompensadores da geração. Com mais de 100 horas de conteúdo, o título entrega uma jornada densa, multifacetada e emocionalmente marcante, que só revela sua verdadeira grandiosidade após algumas horas de jogo.
Você deve se lembrar que eu falei um pouco dele nas primeiras impressões do jogo e, naquele momento, ainda não tinha jogado o suficiente para dar uma nota final e conhecer mais do jogo. Entretanto, após uma jogatina muito mais longa e de vários dias, minha opinião sobre o jogo está mais estruturada e baseada no que ele entrega.
Ao invés de oito protagonistas definidos desde o início, o jogador cria seu próprio herói, nascido na pacata vila de Wishvale. A tranquilidade não dura: um ataque devastador liderado por três vilões, Herminia, Auguste e Tytos, transforma tudo em ruínas. A partir dessa tragédia, nasce o impulso para duas missões que se entrelaçam: reconstruir Wishvale e desmantelar os pilares de corrupção que sustentam os antagonistas: fama, poder e riqueza.
Uma narrativa que cresce com o tempo

Embora o início seja tímido e sem impacto imediato, o enredo de Octopath Traveler 0 amadurece rapidamente. O jogo transforma o jogador em catalisador de mudanças por onde passa, reunindo aliados e fortalecendo comunidades inteiras. À medida que os arcos narrativos avançam, a obra revela vilões profundamente desenvolvidos, temas sociais contundentes e algumas das melhores reviravoltas da franquia até hoje.
Ao dividir sua estrutura em ciclos temáticos, o jogo gera um quebra-cabeças épico que finaliza de forma emocional e inesquecível. A construção de mundo e os vínculos formados com aliados reforçam um dos temas centrais: só é possível mudar o mundo quando as pessoas se unem.
Um sistema de combate que brilha com profundidade tática
A mecânica de batalhas em turnos mantém a essência da série, mas expande sua escala e complexidade. O jogador comanda oito personagens por combate, divididos entre linhas de frente e retaguarda. Trocar posições durante a luta permite estratégias criativas, aproveitando buffs passivos e habilidades únicas.
Cada personagem é pré-definido em classe e estilo de combate, mas pode ser personalizado com habilidades desbloqueadas e itens estratégicos. O protagonista, por sua vez, pode alternar entre todas as classes disponíveis, servindo como peça coringa em qualquer formação. E isso ajuda muito na personalização e também adiciona uma ótima camada de estratégia.
Os combates se intensificam conforme o progresso, exigindo domínio do sistema de “break” (exploração de fraquezas), uso cuidadoso de Battle Points e constante rotação de equipe. Os chefes mais avançados brincam com as mecânicas, punindo repetições e forçando improviso, obrigando substituições táticas.
Wishvale: mais que uma cidade, um símbolo
A reconstrução de Wishvale não é apenas um extra: é parte essencial da progressão narrativa. Cada construção nova, NPC convidado ou material raro coletado contribui para elevar o nível da vila e desbloquear recursos, desde lojas com equipamentos exclusivos até arenas de combate.
Esse sistema de construção se desenvolve lentamente, mas com intenção. O progresso gradual reforça a sensação de dificuldade real em reconstruir uma cidade, um lar. No final, ao olhar para o vilarejo completo, você sente uma verdadeira emoção por ter conseguido completar a missão.
Qualidade de vida e profundidade mecânica
Octopath Traveler 0 oferece uma quantidade impressionante de sistemas interconectados que funcionam com fluidez. As Path Actions foram simplificadas e agora estão sempre disponíveis, independentemente de quem está na equipe, reforçando a liberdade de exploração. A progressão nas estatísticas de Fama, Riqueza e Poder abre caminhos para novas interações e conquistas, reforçando o loop de exploração e recompensa.
O sistema de transporte rápido entre cidades, dungeons e campos é prático. Também há arenas, ilhas acessadas por navio, bestiários, marcadores de tesouros e até áreas de treinamento para subir o nível de personagens inativos. Tudo foi pensado para manter o ritmo sem sacrificar a profundidade.
Áudio, visuais e performance
A trilha sonora é um espetáculo à parte. Temas de batalha empolgantes, músicas de cidades que carregam identidade e clima únicos, e composições épicas para chefes elevam cada momento. O estilo HD-2D continua belíssimo, e os efeitos de luz e partículas adicionam um charme especial aos confrontos.
Há quedas de desempenho ocasionais, especialmente em áreas povoadas, mas nada que comprometa a jogabilidade. Já o trabalho de voz impressiona nas cenas principais, mas a ausência dela em side quests causa certa quebra de imersão.
Vale a pena?
Octopath Traveler 0 é mais do que um prequel ou adaptação de um jogo mobile, é uma carta de amor aos RPGs clássicos, reinventada com ousadia. Em uma indústria onde experiências single-player imersivas são cada vez mais raras, este título se destaca como um dos melhores exemplos do gênero na atualidade. Um épico sobre vingança, reconstrução e comunidade, que merece ser celebrado como um dos grandes jogos do ano.
- Desenvolvedora: Square Enix
- Publisher: Square Enix
- Plataformas: PS4, PS5, Nintendo Switch, Nintendo Switch 2,Xbox, Xbox Series, PC
- Review feito no: PC
- Também testado no: Steam Deck
- Trama envolvente com vilões memoráveis e estrutura narrativa ousada
- Sistema de combate profundo, dinâmico e estratégico
- Mais de 100 horas de conteúdo recompensador
- Excelente equilíbrio entre exploração, customização e narrativa
- O início pode afastar alguns jogadores