Comentários
5–8 minutos

É inegável que a Capcom vive praticamente uma nova era de ouro. Além de investir pesado em suas franquias mais renomadas, como Resident Evil, o estúdio também tem tempo de apostar em novas IP’s, como foi o caso do recente Pragmata. No entanto, a empresa japonesa também está revitalizando algumas marcas que não recebiam jogos há muito tempo, como é o caso de Onimusha, cujo último lançamento foi em 2006 com Onimusha: Dawn of Dreams.

Pois é, simplesmente 20 anos depois, temos agora a chegada de Onimusha: Way of the Sword, que funciona praticamente como um reboot da série, já que o game conta com uma história original que funciona de forma isolada e que não exige qualquer conhecimento prévio de outros jogos Onimusha.

Dessa vez o protagonista é uma figura histórica: o lendário samurai Miyamoto Musashi, que já teve sua história contada em diferentes mídias, incluindo o mangá Vagabond, de Takehiko Inoue e a trilogia de filmes baseada no romance de Eiji Yoshikawa. Esses filmes, aliás, trouxeram no papel principal o ator Toshiro Mifune, amplamente considerado o maior astro da história do cinema japonês. E sabe por que eu estou fazendo essa introdução pomposa? Porque após uma longa negociação com a família de Mifune, a Capcom conseguiu aprovação para usar o rosto do ator em seu Musashi.

Um comparação com o visual de Mifune no filme Rashomon (1950)

A história de Onimusha: Way of the Sword começa com Musashi arrumando confusão (diga-se: procurando duelos) em Quioto, onde acaba se deparando com a invasão dos Genmas e a cidade tomada pelas nuvens de Miasma. Assassinado brutalmente pelos Genmas, Musashi recebe uma nova chance ao receber a Manopla Oni e se tornar um Onimusha, alguém dedicado a impedir a invasão das criaturas das trevas.

Partindo dessa premissa, o game aposta em uma estrutura que é carinhosamente chamada pelos jogadores hoje como “bairro aberto”. Você tem a área de Quioto para explorar, que vai se expandindo cada vez mais ao longo da campanha, conforme elementos da história fazem com que mais áreas anteriormente cobertas por Miasma sejam “purificadas”. No entanto, embora Quioto seja palco das missões secundárias e de toda a exploração necessária para se fortalecer, o grosso da aventura acontece mesmo de forma linear, geralmente em mapas fora desse ambiente, montados especificamente para a jornada principal.

Onimusha na Capcom
Reprodução/Capcom

Esses cenários funcionam de forma absolutamente linear, embora haja sim algum esforço da Capcom em acrescentar alguns (poucos) elementos de backtraking. No entanto, são sempre muito básicos, como pegar um item para abrir uma porta, ou dar a volta para quebrar uma fechadura.

Mas vale dizer que, mesmo que pesem na linearidade, esses ambientes são muitos melhores que a área aberta de Quioto. Pessoalmente? Teria sido muito melhor se a Capcom tivesse optado por desenvolver o jogo inteiro em diferentes cenários lineares, já que Quioto é absolutamente desinteressante.

A área aberta consiste de ajudar NPC’s com pedidos banais e repetitivos, além dos chamados “Contos Curiosos”, que infelizmente também são pouco imaginativos e apenas reciclam inimigos já enfrentados na linha principal de missões.

O Caminho da Espada

Data de Onimusha
Reprodução/Capcom

Embora a Capcom tenha declarado oficialmente que Onimusha: Way of the Sword não é um soulslike, fica evidente a inspiração do gênero popularizado pela From Software, especialmente quando lembramos de games como Sekiro: Shadows Die Twice. Além dos Espelhos Espirituais que funcionam como as fogueiras do jogos souls, revivendo inimigos e possibilitando melhorar suas skills, há também muitos elementos característicos do combate desse estilo de jogo.

O combate é cadenciado, podendo travar a mira em um determinado oponente para planejar sua ação. É possível esquivar ou aparar, com ambas as possibilidades abrindo brechas na defesa do inimigo. No entanto, vale dizer que a Capcom se saiu muito bem ao mesclar esses elementos com mecânicas clássicas da franquia, como o Issen, a habilidade de realizar um contra-ataque de dano crítico em resposta a um golpe recebido.

Essa mistura de elementos torna o combate de Onimusha bastante prazeroso, embora haja um estranho limitador que impossibilita a liberdade que supostamente esse design de combate deveria oferecer. Explico: cada um dos principais chefes do jogo possui uma forma muito específica de movimentação e resposta de combate, com alguns exigindo aparagem, enquanto em outros apenas a esquiva será efetiva. Esse estilo formulaico de combate pode até tornar cada luta bastante única, mas deixa o combate engessado, já que não abre espaço para o jogador ser criativo ou experimentar tudo que aprendeu.

Trailer de Onimusha
Reprodução/Capcom

O combate em si funciona da seguinte forma: existem duas barras, uma de vida e uma de vigor. Cada golpe retira não apenas uma porcentagem de vida do oponente, mas também uma de vigor, com essa segunda podendo ser extraída mais rapidamente com algumas habilidades específicas. Quando a barra de vigor do oponente é zerada, ele fica exposto a um golpe crítico, que aí sim, retira boa parte de sua vida.

O que torna as lutas ainda mais dinâmicas são os diferente aprimoramentos que o jogador pode obter para Musashi. São três categorias, divididas entre os artefatos físicos (a manopla, o traje e a espada), as Habilidades Básicas (que consistem em técnicas de espada, arco e stealth) e as Habilidades Especiais (que envolvem os poderes Oni do protagonista). Para tornar as coisas ainda mais interessantes, temos as “Armas Oni”, que aparecem ao longo da jornada em um número de seis, cada uma contando com uma habilidade diferente. A minha favorita, por exemplo, é o “Treme-Terra”, martelos que despedaçam o vigor, os escudos e as armaduras dos inimigos. Contra chefes, basta um único ataque para retirar metade da barra de vigor.

Mesmo com os contras citados, devo dizer que o combate é sim satisfatório. A dificuldade não é alta o suficiente para ser punitiva, mas também não carece de esforço a ponto de não trazer aquela boa sensação de satisfação no momento da vitória.

A volta do Guerreiro Oni

Embora conte com uma história bem simples, Onimusha: Way of the Sword brilha na forma como ela é contada. Além do protagonista Miyamoto Musashi, todos os coadjuvantes também são suficientemente interessantes para manter o jogador engajado. As pequenas tramas desses personagens, que vão sendo desenvolvidas ao longo da jornada e do amadurecimento de Musashi, trazem a sensação reconfortante de se estar assistindo a um bom anime.

Isso se estende ao núcleo de vilões, que vão de inimigos recorrentes que infernizam a vida de Musashi do começo ao fim, passando por oponentes um pouco mais “básicos”, mas que ainda assim são suficientemente interessantes (tanto em gameplay quanto em caracterização) a ponto de deixar uma marca na lembrança.

Onimusha no Switch
Reprodução/Capcom

Essa sensação agradável que o game traz com seus personagens e história, acaba contagiando o jogador como um todo. Não que eu seja um adepto das famigeradas analogias com comida, mas digamos que Onimusha: Way of the Sword é um arroz com feijão muito bem feito.

Claro, como tudo é limitado, a fórmula logo se torna cansativa, mas a Capcom foi astuta o suficiente para não prolongar a aventura demais. Quando começa a dar sinais de desgaste, Onimusha: Way of the Sword já direciona para sua reta final, que é justamente onde estão reservados alguns de seus momentos mais satisfatórios.

De uma forma geral, é um ótimo retorno para uma franquia que estava em estase há 20 anos, e o recente lançamento de remasters dos primeiros títulos demonstra que o estúdio não tem intenção de mantê-la novamente em um hiato tão grande. Onimusha: Way of the Sword mostra que ainda há espaço para Guerreiros Oni na indústria.

Leia mais sobre Onimusha:

Onimusha: Way of the Sowrd
  • Desenvolvedora: Capcom
  • Publisher: Capcom
  • Plataformas: PlayStation 5, XBox Series X|S, Nintendo Switch 2 e PC
  • Review feito no: PlayStation 5
Nota 8


Comentários