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No último dia 10 foi lançado o primeiro conteúdo extra pago de Pokémon Legends: Z-A. Intitulado Mega Dimension, o DLC adiciona mais de 100 novos Pokémon ao jogo, além de mais de 50 golpes inéditos e algumas novas Mega Evoluções. A premissa pode até parecer simples à primeira vista, mas é executada de forma muito inteligente e integrada à proposta narrativa do jogo base.

A história do DLC tem início quando o jogador recebe, no Hotel Z, a visita de Ansha, filha de Dianta, a campeã de Kalos. Ela chega acompanhada do Pokémon mítico Hoopa e pede ajuda à Team MZ para produzir Donuts, item essencial para canalizar o poder de Hoopa e abrir fendas dimensionais que levam a uma realidade paralela. O objetivo é encontrar um Pokémon lendário que Ansha procura por motivos que vão sendo revelados ao longo da narrativa.

Narrativamente, o papel do jogador é uma continuação direta do que foi estabelecido na campanha principal, mas com um diferencial importante: sempre que quiser acessar uma fenda dimensional, será necessário produzir Donuts. Essas fendas funcionam como versões distorcidas de Lumiose, quase como uma dimensão espelhada, apresentando diferenças visíveis não apenas na paleta de cores, mas também na disposição de objetos, estruturas e, claro, nos Pokémon encontrados ali.

As áreas dessas dimensões variam em tamanho: pequenas, médias e grandes e cada uma traz ao menos três espécies diferentes, misturando Pokémon do jogo base com novas adições. O grande destaque, porém, está no nível de desafio: os Pokémon dessas dimensões extrapolam os limites tradicionais da franquia, podendo chegar ao nível 200, o que torna as batalhas extremamente difíceis, especialmente contra Pokémon Mega Evoluídos.

Aqui, Pokémon Legends: Z-A alcança um patamar de dificuldade jamais visto na série. Não basta apenas se apoiar em vantagem de tipos; é preciso dominar o posicionamento, administrar cooldowns, usar itens no momento certo e explorar com inteligência os recursos de Mega Evolução. Pessoalmente, achei essa abordagem extremamente empolgante.

O tom da narrativa também chama atenção por ser visivelmente mais maduro, algo que parece ser um pilar da série Legends. Os personagens demonstram maior profundidade emocional e lidam com temas pouco comuns em jogos Pokémon. O luto por AZ ainda está presente, especialmente nas falas reflexivas de Korrina, e há uma preocupação constante dos personagens em proteger Ansha por ela ser uma criança, evitando certos assuntos perto dela e assumindo responsabilidades em seu lugar.

Embora a estrutura geral lembre a progressão da história principal, o DLC introduz um fator de aleatoriedade muito bem-vindo. As fendas dimensionais variam de acordo com o período do dia, alterando localização, nível de dificuldade, atividades disponíveis e Pokémon presentes. Isso garante que cada incursão traga um elemento de surpresa.

Dentro das fendas, o jogador precisa cumprir objetivos específicos, que rendem itens raros e acumulam pontos de pesquisa necessários para avançar na narrativa principal do DLC. A cada etapa, uma nova Rogue Mega Evolution é apresentada e algumas delas são realmente surpreendentes, tanto em design quanto em mecânicas.

Visualmente, vários cenários usados em cutscenes passaram por alterações sutis, seja na disposição de objetos ou no retrabalho de texturas. Jogando no Nintendo Switch 2, o resultado é impressionante: os close-ups evidenciam texturas mais detalhadas, novas expressões faciais e modelos refinados.

As missões secundárias são outro grande destaque. São mais de 50 novas quests, muito mais variadas e criativas do que as do jogo base. Além das tradicionais batalhas ou pedidos de captura, há enigmas, desafios com regras específicas e situações que exigem planejamento cuidadoso.

Em seu clímax narrativo, Mega Dimension conseguiu me provocar desde boas risadas até momentos de tensão e empolgação genuína. Em termos de impacto, eu o colocaria ao lado de conteúdos pós-game memoráveis, como o de Pokémon Emerald ou Ultra Sun & Ultra Moon.

Nem tudo, porém, é perfeito. Em algumas fissuras dimensionais, o comportamento dos Pokémon pode ser problemático: eles às vezes fazem trajetos excessivamente longos para atacar ou ficam presos em estruturas do cenário, tentando atingir alvos que já não estão mais ali. Isso é especialmente frustrante considerando que o tempo dentro das fendas é limitado.

Ainda assim, é impossível negar o cuidado e o carinho empregados nesse conteúdo extra. Fica claro que houve mais tempo para lapidar aspectos que, no jogo base, poderiam ser melhor explorados. Em especial, há um cenário onde múltiplas dimensões parecem colidir, e o resultado é simplesmente espetacular, desde as texturas até o design sonoro, que muda conforme o terreno, culminando em confrontos memoráveis contra Mega Evoluções.

Review feito por Thales Aragão

Mega Dimension
  • Desenvolvedora: Game Freak
  • Publisher: Nintendo
  • Plataformas: Nintendo Switch, Nintendo Switch 2
  • Review feito no: Nintendo Switch 2
  • Também testado no: Nintendo Switch
Positivo
  • História com tom mais sério e envolvente
  • Personagens ainda mais carismáticos
  • Grande quantidade de conteúdo novo (Pokémon, golpes, músicas e missões)
  • Cutscenes visualmente aprimoradas, com novos modelos, expressões e texturas
Negativo
  • Bugs frustrantes em algumas fissuras dimensionais
  • Preço elevado para parte do público
Nota 9
Sou o Fundador do site Ovicio, Overplay e Muramasa. Fui idealizador e Game Designer do jogo Vencedor da DemoNight no BIG Festival 2014, o Jotunheim Project. Escolhido como Jurado do Anime Awards em 2024 e 2025. Amo games, sou fã de God of War, Dragon Quest, Fire Emblem, The Legend of Zelda e Pokémon. Coleciono livros, quadrinhos e guitarras.