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É bastante provável que muita gente tenha tomado conhecimento de Prince of Persia pela primeira vez em 2003, com o primeiro jogo lançado pela Ubisoft, Prince of Persia: The Sands of Time. Mas a verdade é que a franquia é bem mais antiga, com seu primeiro jogo sendo lançado em 1989 e ganhando uma sequência em 1993 intitulada Prince of Persia 2: The Shadow and the Flame que consagrou o sucesso dos jogos do príncipe. E o que esses dois jogos iniciais tinham em comum? Eram jogos sidescroller 2D de plataforma.

Agora, 30 anos depois, a Ubisoft referencia esses clássicos com Prince of Persia: The Lost Crown, game que leva a franquia de volta ao 2D em um metroidvania muito bem feito. Desenvolvido pelo estúdio Montpellier da Ubisoft (o mesmo de Rayman), o game já começa bastante interessante e curioso desde sua concepção: é o primeiro jogo de Prince of Persia em que o protagonista não é… bem, o príncipe. 

Prince of Persia: The Lost Crown
Reprodução/Ubisoft

Aqui, jogamos com Sargon, um dos sete guerreiros lendários chamados de Imortais, cuja missão é, ora vejam só, salvar o príncipe da Pérsia, Ghassan, sequestrado logo nos primeiros minutos de gameplay.

E uma coisa que podemos dizer sobre a Montpellier e seu diretor, Mounir Rad, é que o estúdio sabe como fazer um bom jogo de plataforma inovador e criativo, afinal eles tem Rayman Origins e Legends em seu currículo. Assim, The Lost Crown coloca em primeiro plano a jogabilidade – que é onde o game se segura fortemente.

Com diferentes habilidades como esquivas e ataques especiais, que vão desbloqueando diferentes vertentes ao longo do jogo, é oferecida uma variedade de possibilidades para se realizar bons combates contra os inimigos menores e os diferentes chefes que cruzam o caminho de Sargon – e que aparecem com frequência. No entanto, não dá para dizer que esses combates ofereçam muitas diferenças entre si. Como estamos falando de um jogo 2D, as possibilidades são limitadas, então mesmo os inimigos que possuem movesets mais criativos podem e vão ser derrotados com as mesmas estratégias. No fim, será apenas uma questão de decorar seus golpes e evitar ser acertado.

Reprodução/Ubisoft

Mas é importante enfatizar que, sim, a batalha (que é o que você mais vai fazer no jogo) é bastante divertida, o que é excelente para suprir a história clichê e bobinha com seus personagens unidimensionais e suas frases de efeito constrangedoras. As motivações dos personagens funcionam na base do “porque sim”, os Imortais preenchem os arquétipos mais básicos possíveis de histórias desse tipo, e o próprio Sargon é desinteressante dentro de sua construção de “eu sou o herói”.

Mas felizmente, The Lost Crown logo deixa bem claro que ninguém vai jogá-lo pela história. Já falamos que o combate é divertido, mas onde o jogo realmente brilha é em seu aspecto de Metroidvania. Com seu mapa labiríntico que se abre e se expande de forma orgânica, o game oferece uma miríade de possibilidades para que o jogador faça seu caminho, seja seguindo direto para a quest principal ou explorando missões secundárias e locais escondidos para se fortalecer e descobrir segredos. Com um level design muito detalhado e bem trabalhado, The Lost Crown logo faz com o que jogador crie um senso de pertencimento com o mapa, interessado em conhecer cada cantinho, mesmo que para isso precise ir e voltar várias vezes, com as ferramentas adequadas.

Reprodução/Ubisoft

No entanto, mesmo que o level design seja muito bem feito e o jogo se prove um metroidvania promissor, é interessante notar algo recorrente nas produções da Ubisoft nos últimos anos: a falta de originalidade. Assim como Assassin’s Creed nunca mais foi o mesmo depois de The Witcher 3, e Phoenix: Imortals Rising é basicamente um “what if” de Zelda: Breath of the Wild na mitologia grega, o mesmo fenômeno pode ser observado no novo Prince of Persia, que bebe muito da influência de Metroid Dread – embora a sua identidade particular faça com que perdoemos um pouco a (forte) inspiração.

Algo que também chama atenção é que, embora seja um Metroidvania 2D, a Ubisoft não poupou esforços na progressão de personagem e nos equipamentos e melhorias que Sargon pode conseguir. Entre armas e amuletos, há um forte senso de evolução constante no personagem do jogador, inesperado em um jogo desse tipo, mas que faz sentido quando pensamos no histórico da Ubisoft com esse tipo de elementos em seus jogos.

Reprodução/Ubisoft

E a propósito, não deixe que a estética puxada para o cartunesco engane: Prince of Persia: The Lost Crown não é um jogo fácil ou simplório. Dentro do se propõe fazer, ele oferece uma curva de aprendizado dinâmica e amigável, mas não pense que a jornada de Sargon se mostrará uma tarefa fácil. As já citadas melhorias, seja na forma de amuletos, novos golpes especiais ou espaços extras para poções, se mostram cruciais para um avanço suave no jogo, o que é interessante para incentivar a exploração do amplo mapa, cheio de possibilidades.

A verdade, é que Prince of Persia: The Lost Crown é uma aposta segura da Ubisoft. Ao sequer utilizar o personagem clássico, optando pelo novato Sargon, o estúdio brinca com outros gêneros, testa o potencial da franquia após anos no esquecimento, e possivelmente prepara terreno para o remake de Sands of Time que está em desenvolvimento já há algum tempo e que acabou sendo reiniciado após ser retirados das mãos da indiana Ubisoft Pune e ser assumidos pelo estúdio principal da empresa, Ubisoft Montreal. Mas independente de motivos ou riscos, o fato é que The Lost Crown oferece uma boa aventura para quem estava com saudades da franquia e especialmente para os que curtem a criatividade de um bom metroidvania.

Leia mais sobre Prince of Persia:

Prince of Persia: The Lost Crown
  • Desenvolvedora: Ubisoft
  • Publisher: Ubisoft
  • Plataformas: Nintendo Switch, PlayStation 5, PlayStation 4, Xbox One, Xbox Series X|S e PC
  • Review feito no: PlayStation 5
Nota 8