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Resident Evil 2, o clássico de 1998, é sem sombra de dúvidas um dos mais populares jogos da franquia, e o grande favorito da maioria dos fãs. Não à toa, foi o game que introduziu o personagem Leon S. Kennedy, que ao longo dos anos foi se tornando cada vez mais popular, protagonizando outros capítulos da série e estrelando os três filmes em CGI lançados pela Capcom. Portanto, é óbvio que o remake de um game tão popular chegaria fazendo barulho.

Resident Evil 2 chegou na última sexta-feira, 25, para PlayStation 4, Xbox One e PC, carregado de expectativas. E devo dizer que supriu cada uma delas. É muito perceptível o esmero da Capcom em criar uma experiência verdadeiramente prazerosa para os jogadores, sejam eles os veteranos que jogaram o clássico inúmeras vezes, os simpáticos pela franquia, ou os novatos que podem estar conhecendo a série agora .

Obviamente, a nostalgia permeia todo o game, mas a desenvolvedora tomou o cuidado de não torná-lo repetitivo, conseguindo um ótimo equilíbrio entre revisitação e novidade. Existem nova áreas a serem exploradas, novos caminhos a se tomar, diferentes puzzles, e situações que mesmo sendo parecidas com o clássico, podem ser revisitadas de forma drasticamente diferente.

Existe um cuidado extremo na ambientação do game, que vai agradar aos fãs por dois fatores distintos. Primeiro, porque os ambientes já conhecidos do clássico foram recriados nos mínimos detalhes, e segundo, porque o survival horror finalmente está de volta. A delegacia de polícia de Raccoon é extremamente claustrofóbica e sinistra, e muitos de seus ambientes estão quase que inteiramente mergulhados na escuridão. Nesses momentos, onde nos valemos apenas da débil luz da lanterna dos personagens em meio aos gemidos constantes dos zumbis que podem aparecer de literalmente qualquer lugar, é impossível não sentir um leve arrepio na espinha.

Convenhamos, Resident Evil deu alguns (sérios) tropeços nos últimos anos. Ainda que Resident Evil 4 tenha sido uma grande revitalização da franquia na Era PS2, tornando-o um dos jogos mais populares (senão o mais) daquela geração, a saída do criador da série, Shinji Mikami, pareceu fazer com que a Capcom não soubesse exatamente para onde levar Resident Evil a partir dali. O equilíbrio entre tensão e ação foi se esvaindo em Resident Evil 5, até ser jogado no lixo de vez no sexto capítulo da série principal, que não é apenas um péssimo Resident Evil, mas um péssimo jogo.

Dessa forma, é revigorante ver Resident Evil de volta à sua velha (e melhor) forma. Afinal, mesmo Resident Evil 7, apesar de ter tentado novamente abraçar suas raízes, peca na escolha de câmera em primeira pessoa e nos personagens fracos, pouco desenvolvidos e nada identificáveis.

Alguns podem dizer que a Capcom só acertou dessa vez pelo fato de Resident Evil 2 por si só ser um baita jogo. E já o era desde 1998. No entanto, é preciso reconhecer que o trabalho feito aqui vai muito além de um jogo refeito, e inclui diversos fatores e decisões que precisaram ser tomadas para torná-lo um game jogável por qualquer um. Dentre esses fatores, o mais óbvio é a câmera.

Sabiamente, optou-se pelo uso da câmera por cima do ombro, inserida na franquia a partir de Resident Evil 4, quando observou-se uma nova tendência nos games. Uma tendência que estava tornando a velha câmera fixa dos primeiros games obsoleta. Rapidamente, com o avanço da geração PS2, e dos novos jogadores cada vez mais exigentes, apressados e pouco interessados em dificuldade, a série foi se tornando aos poucos pertencente apenas a um determinado nicho.

Mas como disse, a mudança de câmera foi apenas o fator mais óbvio. A Capcom sabe que nem todo mundo tem paciência de ir e voltar centenas de vezes ao mesmo local, circulando em um só ambiente por horas e horas, e deu um jeito de equilibrar isso de forma muito inteligente, agradando diferentes tipos de público. Os mais saudosistas e fãs do estilo clássico não precisam se preocupar: as idas e vindas permanecem. No entanto, aqueles que tem certa relutância com esse estilo de gameplay também não possuem motivos para grandes preocupações. Ainda que essa clássica característica de Resident Evil esteja presente, tudo é feito de forma muito dinâmica e sempre com eventos que trazem ao jogador a sensação constante de avanço na jornada,  apresentando até mesmo uma certa linearidade que mantém o ritmo do game sempre muito fluido.

Essas mudanças no gameplay também precisaram influenciar nos inimigos, já que a nova câmera possibilita um controle extremamente mais preciso do sistema de mira. Assim, para manter o mesmo nível de dificuldade trazido pelo game clássico, houve aqui um aumento  na resistência de zumbis, lickers, cachorros e quaisquer inimigos que cruzem o caminho de Leon e Claire. Essa resistência aumenta consideravelmente o nível de dificuldade do game, além de tornar essencial o racionamento de munição – que apesar não ser considerada exatamente escassa, também não é nenhum artigo de luxo.

Agora, é esperar que Resident Evil 2 realmente signifique a Capcom aprendendo com os erros, entendendo o que os fãs querem, e finalmente colocando a franquia nos trilhos. Se seguirem com o mesmo tratamento de cuidado e esmero que podemos ver aqui, o nosso survivor horror estará mais vivo do que nunca. Ou morto-vivo. Desculpa, não resisti  ao trocadilho.

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