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A franquia Rhythm Heaven passou tempo demais adormecida, deixando muitos fãs preocupados com o seu esquecimento. A revelação de Rhythm Heaven Groove durante o Nintendo Direct de março de 2025 encerrou essa espera de forma brilhante. A série demorou para ganhar um jogo novo, mas a nova iteração chega para provar que a espera valeu a pena. O título resgata a essência musical da Nintendo e entrega uma experiência feita sob medida para a atual geração de consoles.

A base da experiência continua fiel às suas raízes. Você encontra uma coleção de minigames musicais projetados para testar seus reflexos e sua percepção rítmica. A curva de aprendizado apresenta uma complexidade maior do que a versão de Wii. Em vez de depender quase inteiramente dos botões A e B, o novo jogo resgata o estilo clássico do GBA. O título exige o uso combinado do botão A com os direcionais dos Joy-Cons. Algumas fases pedem apenas um toque no A, enquanto outras exigem comandos rápidos para a esquerda ou para baixo. A música e as dicas sonoras continuam sendo os guias principais para indicar o momento exato de cada ação.

A grande sacada desta edição é a forma como ela brinca com a sua visão. O jogo coloca distrações constantes e bloqueios visuais na tela para tentar quebrar o seu foco. A dependência de elementos gráficos caiu drasticamente em comparação aos jogos anteriores. O objetivo claro é forçar você a dominar os padrões sonoros e entrar no ritmo de verdade. O nível de precisão do áudio permite jogar muitas fases com os olhos completamente fechados. A tolerância a erros é rigorosa na busca por medalhas, focando sempre na boa música e na batida exata.

A redução do apelo visual em prol do áudio transforma a obra em um marco de acessibilidade na indústria. O sistema de conversão de texto em fala narra todas as opções do menu e fornece descrições detalhadas sobre os controles. O recurso vai além e permite ativar descrições contextuais de cenário. O jogo explica os personagens, os ambientes e os eventos que acontecem na tela antes de cada partida.

Jogadores com baixa visão ou deficiência visual conseguem aproveitar a campanha quase na íntegra de forma competitiva. Os controles simplificados também abraçam pessoas com limitações motoras e de destreza. O processo de aprendizado recebe um cuidado especial nesta edição para não frustrar novatos. Os tutoriais são extremamente generosos e explicam o funcionamento de cada comando isoladamente e em conjunto. Há demonstrações visuais e sonoras do tempo exato de cada batida para ajudar quem precisa de referências extras. A Nintendo estabelece aqui o seu título mais acessível até hoje e eu comemoro isso, afinal, eu vejo a sua necessidade.

O pacote oferece mais de cem minigames e músicas, mesclando visuais bizarros, animes e traços artísticos tradicionais. A estética remete fortemente à franquia WarioWare em seus momentos mais caóticos. As situações propostas esbanjam charme e um humor muito peculiar. Você vai esmagar latas, conversar com alienígenas e até flexionar músculos para quicar frutas no divertidíssimo minigame Fruit Flex. Cada fase tem uma identidade própria e garante boas risadas.

A maior novidade estrutural do lançamento funciona como um RPG de batalhas rítmicas com mecânicas de ação em turnos. A dinâmica lembra o clássico estilo da franquia Patapon. Você explora masmorras e usa os comandos rítmicos no botão B para acumular poder mágico, liberando o ataque no botão A para derrotar os monstros. O ganho de medalhas na campanha principal libera o progresso gradativo nesta jornada alternativa. O modo possui uma história opcional e exige escolhas estratégicas sobre quais feitiços adquirir para cada combate.

Apesar da excelente premissa, este modo não tem muita profundidade a longo prazo. O ciclo de jogo é curto e se torna um pouco repetitivo. A falta de complexidade nas batalhas contra chefes e na evolução dos poderes impede que o modo brilhe tanto quanto os minigames da campanha. Para diversificar o conteúdo single-player de forma mais efetiva, o título traz outras opções casuais. Temos também um modo que ensina fundamentos de bateria, enquanto outro entrega um divertido quiz sobre coelhos batendo palmas fora e dentro do compasso.

A transição para o multiplayer funciona de forma magistral e caótica. O título se consolida como um excelente jogo de festa para reunir a família ou amigos. As opções competitivas e cooperativas extraem o máximo do humor absurdo característico da série. A simplicidade dos controles elimina a barreira de entrada para quem não tem o hábito de jogar videogame. Todos entendem os objetivos rapidamente e o fracasso nas tarefas mais triviais gera momentos hilários na sala de estar. A opção Mini Remix coroa a diversão ao permitir juntar quatro minigames em uma rodada intensa e altamente imprevisível.

O conteúdo extra garante muitas horas de exploração após a conclusão das fases principais. O menu abriga um modo Estúdio, um espaço dedicado para ouvir as trilhas vocais e instrumentais de todos os desafios. A possibilidade de criar playlists personalizadas valoriza o excelente trabalho musical da direção de arte. O jogo também oferece guias detalhados de comandos, além de desbloqueáveis atraentes como quadrinhos, curiosidades de bastidores e histórias inéditas do universo da franquia.

Veredito

O saldo final consagra o retorno triunfal de uma das franquias mais carismáticas e subestimadas do mercado. A criatividade incessante dos minigames e o excelente uso das mecânicas multiplayer tornam a compra altamente recomendada para fãs de música e desafios de precisão. O título brilha pela inovação genuína em acessibilidade e por entregar mecânicas limpas e viciantes. Rhythm Heaven Groove já está disponível para as plataformas Nintendo Switch e Nintendo Switch 2.

Este review foi feito com uma chave antecipada fornecida pela Nintendo.

Rhythm Heaven Groove
  • Desenvolvedora: Nintendo
  • Publisher: Nintendo
  • Plataformas: Nintendo Switch, Nintendo Switch 2
  • Review feito no: Nintendo Switch 2
  • Também testado no: Nintendo Switch
Positivo
  • Trilha sonora espetacular com músicas altamente viciantes.
  • Controles simples que facilitam o multiplayer local e o fator "Party Game""
  • Quantidade robusta de minigames e desbloqueáveis no Sound Studio.
Nota 9
Sou o Fundador do site Ovicio, Overplay e Muramasa. Fui idealizador e Game Designer do jogo Vencedor da DemoNight no BIG Festival 2014, o Jotunheim Project. Escolhido como Jurado do Anime Awards em 2024 e 2025. Amo games, sou fã de God of War, Dragon Quest, Fire Emblem, The Legend of Zelda e Pokémon. Coleciono livros, quadrinhos e guitarras.