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É sempre interessante observar a narrativa de um jogo indie, ainda mais quando este é focado neste aspecto.

Road 96 tem a independência de um projeto de pequeno escopo, mas também a liberdade de ousar na sua trajetória.

Uma aventura intensa

A base de Road 96 é de que estamos vivenciando um país com problemas, desde um grande atentado que ocorreu recentemente até o atual governo. Com esse contexto, temos o desenrolar da narrativa, a qual o objetivo sempre é escapar pela fronteira.

O jogo é moldado totalmente pelas escolhas dos jogadores, assim como Life is Strange e Detroit: Become Human. O interessante é que em Road 96, as escolhas causam muito efeito e podem culminar a qualquer momento em catástrofes.

Reprodução/DigixArt

Sim, é “fácil” morrer no game, ou ser preso. Não é como um daqueles jogos onde por mais que tenhamos opções de escolher um caminho, tudo culmina na mesma situação. Em Road 96, a intensidade é uma de suas principais características.

Outro ponto interessante é de que temos diversos protagonistas, mas não controlamos nenhum deles. Como assim? Bem, comandamos no geral jovens que querem escapar pela fronteira e estes personagens não tem qualquer personalidade, sendo todas as suas ações controladas pelo jogador.

Quanto aos protagonistas, isso diz respeito a própria progressão do game. Existem diversas histórias as quais temos que completar e elas vão ocorrendo de maneira natural.

Começamos uma trajetória até a fronteira com uma distância de 2 mil quilômetros, por exemplo. No trajeto, encontramos um amigo caminhoneiro, uma policial corrupta e um assassino, digamos assim. O jovem que você está controlando terá um fim, seja bom ou ruim, e quando começar uma nova aventura teremos novamente estes mesmo personagens, com as histórias seguindo.

Neste caminho, na chamada “estrada”, temos dois focos principais para sobreviver: Dinheiro e energia. Neste caso é possível realizar pequenos furtos, explorar os cenários e encontrar itens, comer o lanche do amigo e por aí vai. A falta de dinheiro pode lhe obrigar a pedir uma carona que não seja agradável, assim como caso não tenha energia, cairá na estrada e poderá ter uma consequência grave, como ser preso ou assaltado.

Reprodução/DigixArt

Com tal abordagem, é muito interessante de se acompanhar o que vai acontecer com cada um, ainda mais que com o passar do game as histórias vão se ligando. Inclusive, tudo gira em torno de uma eleição que está por acontecer, podendo você escolher de qual lado ficar.

O jogo aborda temos atuais e ao mesmo tempo, consegue ter momentos de tensão, exploração, diversão e de alta emoção.

Sua duração média fica em torno das 10 horas de gameplay, mas o fator replay é enorme, podendo ser jogado inúmeras vezes e mesmo assim as histórias serão diferentes.

A tradução do game é ótima e contém legendas em PT-BR. Já o seu aspecto visual é bem artístico, não buscando o realismo mas mesmo assim sendo de grande beleza. A trilha sonora é marcante e bem variada, com músicas que deixam os momentos sempre mais intensos, seja para o lado positivo ou negativo, como em perseguições ou encontros tensos.

O único ponto negativo do game é de que em dado momento, a aventura se torna mais repetitiva. Não no desenrolar narrativo, mas sim em suas mecânicas. É claro que por ser um game de menor escopo é plenamente compreensível, mas pelo fator replay a campanha poderia ser menor e mais intensa, como no início da gameplay.

Reprodução/DigixArt

Road 96 agora está disponível para Switch, PC, Xbox One, Xbox Series S, PS4 e PS5.

Positivo
  • Narrativa intensa
  • Escolhas de fato importantes
  • Temáticas atuais
Nota 8
Gabriel Vieira é redator especializado em cultura pop com foco em animes e mangás. Sua missão é manter os leitores do O Vício informados sobre as últimas novidades e tendências nipônicas.


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