Samurai Shodown não costuma ser um dos jogos de luta mais mencionados. Diante de títulos como Street Fighter, King of Fighters, Tekken e outros, o jogo acaba tendo pouco expressividade no Brasil. No entanto, Samurai Shodown tem uma base de fãs bastante fiel, e também uma história longeva, continuando a se destacar em alguns aspectos de seu conceito.
Lançado originalmente em 1993 pela SNK, a primeira versão se destacou por apresentar um jogo de luta em um período histórico, não no contemporâneo, e também por se focar no uso de armas brancas, em oposição às artes marciais que dominavam os outros títulos. Com seus espadachins do século XVIII e ambientação focada em um Japão antigo, o jogo logo ocupou o seu nicho e nele se manteve.
Apesar disso, a série ficou sem novos jogos desde 2009, e foi apenas em 2019, dez anos depois, que a atual encarnação de Samurai Shodown, e também um reboot da série, foi lançado para os consoles. Mantendo todas as características fundamentais de estética e gameplay, o jogo foi saudado pelos fãs, e agora, um ano depois, o título foi lançado também para PCs, através da Epic Store.
A Ambientação Personagens e História
Essa nova encarnação de Samurai Shodown se passa um ano antes do jogo original, em 1787. Numa época em que ainda existiam samurais e o shogunato Tokugawa, uma ameaça sobrenatural assoma o Japão. O espírito de Shizuka Gozen, uma jovem de tempos antigos, acabou sendo possuído e corrompido no reino dos mortos, retornando ao seu país para destruir uma realidade a qual não lhe trazia boas lembranças. Em meio às guerras, doenças e ondas de fome do período, os personagens do jogo estão imersos em suas buscas pessoais, mas invariavelmente acabam atraídos para o Japão e o enfrentamento contra a vilã. Uma trama simples, bem a cara dos jogos de luta mais antigos.
Nesse panorama, personagens bem conhecidos da franquia fazem o seu retorno no reboot. Figuras clássicas como Haomaru, Ukyo, Nakoruru, Galford, Hanzo e outros estão de volta, além da adição de três novos personagens. No maior estilo dos jogos de luta, ao iniciar o modo história, o jogador verá uma pequena introdução para seu personagem, enfrentará uma série de inimigos, verá três sequências abordando a vilã do jogo, lutará contra um rival, e eventualmente chegará ao fim, momento em que será saudado pelo final do personagem escolhido.
Apesar de isso estar bastante atrelado aos jogos antigos de luta… Talvez não seja mais tão interessante hoje em dia. Mortal Kombat 11 e outros jogos já mostraram que é possível ter um pouco mais de trama em um jogo de luta, e essas poucas sequências de história para o personagem dificilmente justificam jogar em modo single player. São outros tempos, e provavelmente novos jogadores terão dificuldades em se interessar pelos personagens. Apesar de muitos acertos, a SNK falha na falta de interesse de criar uma história mais bem amarrada pelo jogo. O foco é completamente o multiplayer. A história existe mais como uma desculpa do que para qualquer outra coisa.
As Lutas

Enquanto muitos dos jogos de luta se voltam para os combos e táticas mais agressivas, Samurai Shodown sempre buscou um um combate mais deliberado, de movimentos mais calculados, onde o dano dos golpes pode ser muito alto e é melhor se resguardar e atacar apenas no momento certo. Essa característica se manteve no novo jogo da série e foi muito bem implementada. As lutas são tentas, como um duelo de espadas, e um movimento ruim pode ocasionar em uma derrota bastante surpreendente, com o player morrendo para apenas alguns poucos golpes.
O jogo conta com os clássicos ataque fraco, médio e forte, todos utilizando a arma do personagem e arrancando (literalmente) sangue do inimigo. O botão X, diferenciado, possibilita um chute, útil para afastar o inimigo com um golpe rápido. Além disso, claro, cada personagem tem suas características diferentes, com força, alcance e velocidades variadas, além dos clássicos ataques especiais. Intensificando a ideia de um combate mais cuidadoso, Samurai Shodown também conta com uma defesa especial, quando o jogador consegue defender o golpe quando ele iria atingi-lo, fazendo o inimigo perder o ímpeto. Uma esquiva, difícil de aplicar, mas que torna imune ao ataque, também é um recurso para conseguir tomar a dianteira em uma investida.
A barra de Rage, uma das mecânicas originais do Samurai Shodown, está de volta, sendo que a série foi uma das primeiras a usar esse tipo de recurso em jogos de luta. Como já é clássico na franquia, conforme o personagem vai recebendo dano, ele acumula Rage, e quando a barra chega ao máximo, passa a causar mais dano ao inimigo, o que deixa os movimentos ainda mais arriscados ao decorrer da luta. É possível também entrar no modo Rage Explosion, estourando a barra e entrando em um estado que aumenta ainda mais a força do personagem, possibilitando um golpe de finalização que pode acabar com quase toda a vida do adversário. Esse golpe poderoso tem um custo, no entanto. Só pode ser usado uma vez por luta e, ao ser utilizado, acaba com a barra de rage do personagem durante todo o confronto.
Não se trata tanto de inovações, mas sim de ajustes, calibrações, para um novo jogo de uma nova era.
Gráficos e Ambiente
A grande novidade do Samurai Shodown são os gráficos atualizados. Antes, todos os jogos da série principal contavam com modelos 2D, enquanto que o novo jogo segue a tendência de Street Fighter e de outros jogos da própria SNK e aposta em personagens em três dimensões.
Os modelos ficaram bons, e a movimentação com a fluidez necessária para um jogo de luta. Alguns personagens, como Charlotte, também receberam uma atualização no visual, que ficou bem interessante. Essa mudança é mais delicada do que parece, pois não se trata apenas de atualizar os gráficos, mas também de calibrar as regiões de acerto, movimentação e velocidade dos personagens. Esses elementos precisam estar bem sincronizados para que o jogo fique com ritmo e uma boa jogabilidade.
Felizmente, tudo isso foi muito bem feito, e a despeito da estranheza inicial que os fãs de longa data possam ter, o jogo funciona muito bem, trazendo à memória os títulos antigos e entregando uma experiência bastante satisfatória. A mudança é um pouco triste, no entanto, pois os antigos modelos 2D tinham o seu carisma e originalidade, e algumas pessoas podem acabar preferindo ficar com as versões anteriores.
Uma coisa interessante, é que nos gráficos novos dos cenários das lutas ficaram muito bonitos. Os efeitos de cor e tonalidade que são usados em alguns deles fazem com que pareçam antigas pinturas japonesas. Somado à trilha sonora cheia de instrumentos clássicos do Japão, isso compõe um panorama bastante evocativo e que se encaixa perfeitamente com o jogo.
Samurai Shodown no PC
No PC, Samurai Shodown mantém todas as qualidades que apresentou nos consoles. Os requisitos mínimos para jogar o jogo são modestos hoje em dia, e durante as lutas a obra não apresenta tantos problemas com travamentos ou lags. O jogo é tão estável que, entre uma luta e outra, o jogador pode trocar de janela com alt+tab tranquilamente e não enfrentar nenhum travamento.
No entanto, existem alguns problemas. Os tempos de loading podem ser desagradavelmente grandes. E os ícones de carregamento que aparecem entre um combate e outro logo se tornam visões detestáveis. Na versão para computador, demora muito para as lutas de fato iniciarem. Isso acaba cansando o jogador, que perde tempo encarando uma tela preta enquanto espera para poder jogar.
Para jogatinas online, às vezes também pode ser demorado encontrar um adversário para enfrentar, o que acaba se somando ao tempo ocioso ocasionado pelo loading demorado. Alguns lags ocasionais também acontecem nas partidas online, coisa que mais parece ter a ver com o jogo do que com a internet do usuário. Isso pode se mostrar bastante frustrante em algumas lutas, enquanto que em outras, mal é notado.
Conclusão
Samurai Shodown é um ótimo retorno para a franquia de luta com armas, e seus combates táticos e violentos são bastante bem-vindos. A versão para PC é boa, apesar dos loadings muito demorados entre as lutas, é um port bem-feito que cumpre o seu papel. Não há novidades para o jogo em si, mas só de disponibilizar a obra para mais uma plataforma, seu lançamento é bastante apreciado.





Comentários