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Depois da guinada positiva que a franquia Sonic tomou a partir de Sonic Frontiers, minhas expectativas estavam altas para o futuro da série. E, com surpresa, fomos apresentados a Sonic Racing: CrossWorlds, uma pausa na concentração na narrativa da série, voltando os holofotes para a ação em alta velocidade.
Confesso que minha empolgação inicial foi moderada, sim, decidi ser cauteloso. Sendo um jogador de Mario Kart, sempre me perguntei por que a SEGA insiste em competir no saturado território dos kart racers em vez de investir na originalidade de suas fórmulas passadas. E, para minha felicidade, fui surpreendido positivamente.
Modos, Rivalidades e Personalidade

Logo de cara, CrossWorlds apresenta uma boa diversidade de modos: Grand Prix, Time Trial e partidas online são a espinha dorsal do jogo. Contudo, é no modo Grand Prix que a SEGA dá um passo além, introduzindo o sistema de Rival Racer. Cada campeonato te coloca contra um oponente específico com IA aprimorada, ou, se preferir, você pode definir seu próprio rival. A cereja do bolo? Diálogos personalizados entre personagens, que adicionam uma camada de carisma e fan service, mesmo que limitados a momentos pontuais das corridas.
Customização Profunda, Mas Não Essencial
A variedade de veículos e estilos de direção é notável, dividida em cinco categorias: Velocidade, Aceleração, Direção, Força e Impulso. Este último traz de volta os hoverboards ao estilo Sonic Riders, o que me fez gravitar naturalmente para esse estilo de pilotagem, mesmo que a jogabilidade não seja idêntica.
É possível comprar e equipar peças que alteram estatísticas específicas, além de instalar Gadgets que oferecem vantagens passivas ou ativáveis durante as corridas. Ainda que o sistema seja bem transparente em números, sentir o impacto prático dessas mudanças exige tempo e experimentação. Por isso, encarei a customização como um diferencial opciona: útil, mas não determinante.
A Jogabilidade: Velocidade em Primeiro Lugar
CrossWorlds não tenta reinventar o gênero e, nesse caso, isso é um ponto muito positivo. A mecânica base se apoia nos pilares tradicionais: derrapagens com boost, saltos com manobras aéreas e itens surpresa. A sensação de velocidade é constante, e as pistas oferecem curvas, atalhos e colecionáveis que mantêm o ritmo eletrizante.
Há um sistema de dano veicular moderado, que adiciona um toque de tensão, mas sem penalizar excessivamente. A combinação de habilidade e aleatoriedade de itens funciona bem, especialmente em dificuldades mais altas, onde cada corrida é uma montanha-russa de adrenalina.
O Gimmick dos Travel Rings: Inovador, Mas Saturado
A grande novidade, os Travel Rings, transporta os corredores para outras dimensões no meio da corrida, adicionando variedade visual e mecânica. No entanto, a frequência com que isso acontece acaba prejudicando a identidade individual das pistas. Ao fim de um campeonato, é difícil lembrar qual pista era qual. A ideia é boa, mas menos seria mais: usar esses portais como momentos raros e impactantes teria causado um efeito muito mais marcante.
Elenco Seguro, Mas Limitado
A seleção de personagens cumpre o básico, trazendo os rostos conhecidos da franquia e algumas adições bem-vindas como Jet, Wave e Storm. Contudo, para um jogo que se propõe a “cruzar mundos”, é decepcionante não ver figuras mais obscuras da rica história da série, como personagens dos quadrinhos da IDW ou jogos menos populares.
A aposta em DLCs com personagens de outras franquias é compreensível do ponto de vista comercial e realmente conseguiu encantar meus filhos, que estão bem empolgados em ver as Tartarugas Ninja e o Bob Esponja correrem ao lado do Sonic.
Conteúdo Pós-Jogo e Multijogador
Após concluir todos os Grand Prix, novas opções se abrem: modos espelhados, desafios com rankings no Time Trial, e o sistema de Friendship, onde você presenteia personagens com tickets para desbloquear recompensas. Apesar de serem complementares, essas mecânicas garantem longevidade ao jogo.
No Race Park, diversos modos alternativos oferecem variações criativas para o multijogador, desde partidas com foco em colisões em equipe até desafios centrados na coleta de anéis. Com suporte para até 12 jogadores, crossplay e múltiplas opções de personalização, CrossWorlds brilha especialmente nas jogatinas com amigos.
Veredito
Sonic Racing: CrossWorlds entrega uma experiência frenética, charmosa e surpreendentemente robusta. A jogabilidade é viciante, a customização é rica, e os modos são variados o suficiente para manter o interesse por horas. Mesmo que o elenco seguro e o uso excessivo dos Travel Rings impeçam o jogo de alcançar sua excelência máxima, ele ainda se firma como um dos melhores títulos do gênero nos últimos anos.
Se você curte kart racers e está buscando algo com um toque Sonic de personalidade, CrossWorlds acelera forte e quase não pisa no freio.
- Desenvolvedora: Sonic Team
- Publisher: Sega
- Plataformas: Nintendo Switch, Nintendo Switch 2, PS4,PS5,Xbox One, Xbox Series, PC
- Review feito no: PS5
- Conteúdo Variado
- Sistema de Progressão Atrativo
- Interações de Personagens
- Jogabilidade Precisa