Em 2019, a EA surpreendeu o público gamer (e provavelmente se surpreendeu também) com o enorme sucesso de Star Wars Jedi: Fallen Order, game desenvolvido pela Respawn que bateu recordes de vendas em suas primeiras semanas. Resultado de um gameplay dinâmico, com muita aventura, um combate ao estilo soulslike, bastante exploração em diferentes planetas e, mais importante de tudo para os fãs de Star Wars: uma história completamente configurada dentro do cânone da franquia da Disney.
É claro que tamanho sucesso geraria uma sequência, que entrou em desenvolvimento na Respawn quase que imediatamente. Três anos depois, estamos diante de Star Wars Jedi: Survivor, que dá continuidade à história de Cal Kestis e nos faz novamente encarnar um Jedi em uma galáxia muito distante, lutando com sabres de luz e usando a Força das mais variadas formas.
Passando-se cinco anos após os eventos de Fallen Order, estamos agora no mesmo período da série Obi-Wan Kenobi em termos de lore, ou seja, 10 anos após A Vingança dos Sith e 9 anos antes de Uma Nova Esperança. Um período onde o Império já domina com naturalidade a galáxia e os pouquíssimos Jedi que escaparam de ser caçados por Darth Vader e seus Inquisidores se mantém escondidos. Encontramos Cal Kestis ainda enfrentando o Império do seu jeito, fazendo missões para rebeldes como Saw Gerrera – embora a “Aliança Rebelde” ainda não exista de fato nesse período.

O jogo se mostra uma expansão do seu antecessor em todos os sentidos. A exploração permanece a mesma, bastante inspirada no level design ao estilo From Software que já havia sido emulado (e funcionado) em Fallen Order, só que agora aplicada em um conceito de mundo aberto. Embora a maioria dos planetas sejam pequenos e quase lineares como os do primeiro jogo, aqui temos pelos menos dois que são bastante exploráveis, com um grande destaque para Koboh, o planeta que funciona basicamente como o hub do jogo. É lá que você se assenta e para onde envia as pessoas que recruta pelo mundo.
Koboh é o “mundo aberto” de Jedi Survivor, um planeta com uma área realmente enorme, que ainda por cima é recheado de cavernas e montanhas. Como é muito extenso e como muitas coisas a serem descobertas, o jogo dessa vez conta com montarias, que o jogador pode domar para se locomover bem mais rápido pelo mapa. Essas montarias inclusive podem ser utilizadas para diferentes fins, como por exemplo… acessar lugares mais distantes ou mais altos se você usar eles para se impulsionar. Sabe o Yoshi? Pois é.
Dentre as atividades disponíveis, temos um sistema de jardinagem (uma expansão da ideia de sementes do jogo anterior), um aquário (com peixes que podem ser encontrados pelos planetas) e até um jogo de tabuleiro envolvendo estratégia que lembra bastante o Dejarik, que é aquele xadrez holográfico de Star Wars, lembra?
Na cantina, que é basicamente o seu assentamento e onde você encontra essas atividades, existe também muita interação e diferentes diálogos com os personagens com os quais você faz amizade e “recruta”. Uma dessas figuras presentes na cantina é Caij, uma caçadora de recompensas que repassa alguns itens de customização bem interessantes se você acabar com certos alvos para ela.
E por falar em customização, Jedi Survivor conta com um sistema bem superior a Jedi Fallen Order, que se resumia a… ponchos – algo que obviamente se tornou um dos maiores memes da franquia. Agora, além de diferentes peças de roupas, divididas entre camisas, calças e jaquetas, podemos também mudar o cabelo e a barba de Cal, com vários estilos diferentes. É possível deixar o seu Jedi totalmente do seu jeito. No entanto, é importante lembrar que os itens de customização, não apenas os de Cal, mas também os de sabre de luz e os do BD-1, são todos absolutamente cosméticos. Nada vai influenciar no seu gameplay.
O que realmente vai influenciar na força e na resistência do seu personagem são as essências, que você encontra em alguns locais específicos quando explora bem, ou em Templos Jedi, que funcionam exatamente com as shrines de Zelda: Breath of the Wild. É sério, o sistema é exatamente o mesmo. Entre, resolva um breve puzzle e alcance o local que vai te dar a sua recompensa.
Além disso, é claro, é importante administrar muito bem a sua árvore de habilidades, que agora é muito mais ampla, e com foco nas diferentes posturas que você pode utilizar ao longo do jogo. Por exemplo, porque você iria gastar seus pontos de experiência no sabre duplo se prefere jogar com o sabre normal? É melhor focar sempre nas habilidades que você realmente vai usar. Atenção nisso.
E por falar em posturas, o jogo traz diferentes opções, que mudam bastante o seu estilo de combate. São cinco, para ser exato: a Simples, é mais básica de todas, utilizando apenas um sabre de luz, mas possibilitando mais agilidade e variedade de golpes.
A Lâmina Dupla é, como o nome já indica, o sabre duplo que vimos pelo primeira vez no cinema empunhado pelo Darth Maul. A postura Dupla Empunhadura é a que Cal divide o sabre duplo, usando um estilo de combate com dois sabres de luz.
O Blaster, como o nome também deixa claro, é a postura onde podemos usar o sabre de luz em uma mão e um blaster na outra, cujos disparos são recarregados a cada golpe de sabre nos inimigos.
E por último, a postura de Guarda, que é basicamente um sabre de luz maior, com golpes mais pesados (e que causam mais dano), mas que ao mesmo tempo deixa os ataques de Cal mais lentos. O nome é esse porque o sabre realmente ganha uma guarda, em um estilo visual parecido com o do sabre do Kylo Ren.
Apesar de termos cinco posturas, apenas duas podem ser alternadas durante o combate. Para mudar essas duas escolhidas para qualquer uma das cinco, é preciso estar em um local de meditação.
Essas diferentes posturas apresentam uma grande variedade de estilos de combate, que podem facilitar os confrontos com alguns inimigos. Talvez por isso, o jogo se mostre mais difícil que o original – pelo menos no que se refere às lutas de chefes. A barra de defesa desses inimigos agora parece muito mais difícil de esgotar, fazendo com que golpes efetivos se tornem mais complicados e uma janela de acertos não possa de forma alguma ser desperdiçada.
Embora Jedi Survivor expanda tudo que o jogo anterior fez, acho que essa ambição acabou não sendo muito positiva em alguns aspectos, especialmente quando falamos de ambientação. A complexidade do planeta Koboh, em tamanho e level design, claramente tomou muito tempo e trabalho da equipe de desenvolvimento, limitando a aparição de outros planetas e acabando por tornar tudo muito repetitivo.
Parte do brilho de Jedi Fallen Order era poder viajar para diferentes planetas, cada um com sua importância na história e um bom nível de exploração. Em Jedi Survivor, no entanto, quase tudo se resume a Koboh, com os outros planetas (e na verdade alguns nem são planetas) sendo muito pequenos, subutilizados ou pouco criativos. Particularmente, preferia uma maior variedade de planetas menores, do que a imensidão de Koboh, que só está ali para dizer “ei, temos um mundo aberto”.
Em matéria de performance, devo dizer que, embora alguns jogadores tenha relatado problemas (especialmente na versão para PC), joguei no PlayStation 5 após pelo menos dois patches de correções, então não vi qualquer problema significativo. A única coisa que me chamou a atenção nesse aspecto é que, no planeta Koboh, a taxa de quadros costuma cair quando Cal passa por regiões com água. Não sei porque isso acontece, mas não é algo que atrapalhe de qualquer forma.
De uma forma geral, Star Wars Jedi: Survivor é um excelente jogo, equilibrando uma aventura extremamente divertida com uma exploração que consegue recompensar pelo simples fato da exploração (fazer 100% em cada planeta é extremamente satisfatório), além de contar com um combate delicioso que remonta ao que há de melho no subgênero souslike. Além disso, é particulamente um baita presente para todo fã de Star Wars, sendo possivelmente o melhor jogo da franquia desde o incrível Knights of the Old Republic.
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- Desenvolvedora: Respawn
- Publisher: Eletronic Arts
- Plataformas: PlayStation 5, Xbox Series X/S, PC
- Review feito no: PlayStation 5