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Quando a Disney comprou a Lucasfilm em 2012, uma das primeiras divisões da empresa a ser fechada foi a de jogos digitais: chegava ao fim a Lucasfilm Games. No ano seguinte, 2013, a Casa do Mickey fechou um acordo de licenciamento com a Eletronic Arts, dando direito exclusivo à produtora de desenvolver jogos baseados em Star Wars – acordo este, que gerou bons games como Star Wars Jedi: Fallen Order, mas que chegou ao fim em 2023.

Sem a exclusividade da EA, a Lucasfilm (agora com seu braço de games novamente ativo), começou a fechar acordos com outros estúdios, e o primeiro desses projetos chega agora: Star Wars Outlaws, desenvolvido pela Massive Entertainment, uma subsidiária da Ubisoft.

Star Wars Outlaws é interessante já em seu conceito. É claro que nem todos os jogos da franquia estrelam os poderosos e extravagantes Jedi, mas aqueles que tentavam sair dessa formula geralmente envolviam batalhas espaciais. Mas em tempos onde séries como The Mandalorian e Andor se destacam mostrando o interessantíssimo submundo dessa galáxia muito, muito distante, abre-se espaço para o interesse do público nesse parte pouco explorada (e extremamente interessante) de Star Wars.

Em Star Wars Outlaws estamos na pele de Kay Vess, uma fora-da-lei tentando a sorte pela galáxia, que acaba se envolvendo em mais do que deveria e recebe um prêmio pela sua cabeça. Lidando com os diferentes sindicatos do crime que dominam a Orla Exterior, Kay precisa dar um jeito de tirar essa marca de morte do seu nome, enquanto é ajudada por seu leal amigo Nix (um merqaal, uma nova espécie introduzida nesse jogo).

Kay Vess e Nix em Star Wars Outlaws
Reprodução/Ubisoft

Nada como um bom blaster

Já dizia Han Solo: “Religiões antigas e armas místicas não são páreo para um bom blaster ao seu lado, garoto.” Pois é, nada de Jedi ou a Força por aqui. Vale lembrar que Star Wars Outlaws se passa entre os episódios V e VII de Star Wars: ou seja, um período em que o Império estava no auge de seu poder (embora tivesse acabado de perder a Estrela da Morte) e a Ordem 66 havia transformado a Ordem Jedi em uma lenda quase esquecida. 

Dessa forma, assim como  todos os fora-da-lei, caçadores de recompensas e gangsters da galáxia, Kay Vess depende do seu bom e velho blaster para sobreviver. Isso transforma a ação do game basicamente em um shooter em terceira pessoa, tal qual um Uncharted da vida. O título da Sony, aliás, é um bom referencial aqui, com grande foco na aventura.

Embora o blaster seja a única arma carregada por Kay, existem diversas outras armas mais poderosos pelo game, mas que só podem ser usadas temporariamente, quando deixadas por inimigos derrotados. Essas armas tem um limite de munição e precisam se trocadas por outras caso você queira continuar tendo alto poder de fogo na batalha. Mas não pense que isso quer dizer que o seu fiel blaster é fraco: como a principal arma de Kay, ele pode passar por diversas melhorias na bancada de sua nave, a Trailblazer. O blaster possui três variações de melhorias: Plasma, Íon e Energia, cada um para situações específicas.

Star Wars Outlaws do PC
Reprodução/Ubisoft

Obviamente, nem sempre o confronto precisa ser uma opção, já que o jogo conta com um interessante sistema de furtividade. As missões de infiltração ficam a seu critério: você pode querer sentir a imersão do stealth e passar escondido até o seu objetivo, ou bancar o Rambo espacial. No entanto, é importante destacar que o jogo parece incentivar a furtividade, já que as instalações sempre contam com diversas entradas e formas diferentes de infiltração. Algumas tornam a sua missão bem mais fácil, caso você tenha paciência de explorar bem o terreno e montar a melhor estratégia.

Dentro da Furtividade, seu grande trunfo é Nix, o animalzinho de estimação e parceiro de crimes de Kay. É possível usar o merqaal para diferentes propósitos, desde roubar cartões de acesso de inimigos desprevenidos, distraí-los para olhar para outro lado, ou até mesmo atacá-los para abrir uma brecha para que Kay possa finalizá-los. Nix também possui um “senso” de ambiente para destacar objetos importantes e inimigos.

O planeta mais distante do centro do universo

“Se existe um centro brilhante no universo, você está no planeta mais distante dele”. Foi com essa frase que Luke Skywalker definiu o desértico Tatooine. Realmente, pode ser um planeta pouco atrativo para um jovem fazendeiro cheio de sonhos. Mas para um fã de Star Wars, visitar Tatooine em alta definição em Star Wars Outlaws é um sonho. Entrar em uma fazenda de umidificação, ir até o palácio de Jabba ou simplesmente vislumbrar a marca de blaster na cantina de Mos Eisley onde Greedo atirou em Han Solo, é simplesmente indescritível. Em termos de ambientação, em fazer você se sentir dentro de Star Wars, o game da Massive é impecável. 

No entanto, fica a sensação de que isso poderia ser muito mais. Desde o início do seu desenvolvimento, foi destacado que Star Wars Outlaws seria um jogo de mundo aberto. Depois, o marketing aproveitou esse ponto para destacar que poderíamos explorar diferentes planetas. Parecia perfeito para um fã de Star Wars, certo? Mas é claro que as coisas não são bem assim.

Star Wars Outlaws
Reprodução/Ubisoft

Para começar, o jogo conta com apenas cinco planetas: Cantonica, Toshara, Kijimi, Tatooine e Akiva. E como você já deve imaginar, nem todos possuem um mundo aberto. Tatooine e Toshara, por exemplo, tem amplas regiões para exploração, enquanto que Kijimi conta com apenas uma cidade. Considerando que Tatooine é basicamente um enorme deserto, acho que já deu para entender o meu ponto. 

Nos planetas em que é possível explorar, Kay conta com um speeder, que também pode ser melhorado. E por falar em melhorias, mecânicos também podem criar upgrades para a sua nave, a Trailblazer, que é a forma como você viaja para diferentes planetas. A nave, no entanto, não serve apenas para a locomoção interplanetária, já que algumas missões trazem as boas e velhas batalhas espaciais de Star Wars. Embora esse não seja o foco do game, considero esses momentos bem divertidos, com um sistema funcional e intuitivo, que serve ao seu propósito. 

Em busca de uma boa oportunidade

Certa vez, Obi-Wan Kenobi definiu muito bem os criminosos da Orla Exterior: são indivíduos em busca de uma boa oportunidade. A Orla Exterior é um local dominado pelos sindicatos do crime, já que é uma parte da galáxia na qual o Império não tem interesse. Diante dessa frágil presença imperial, quatro grandes sindicatos brigam entre si: os Pykes, a Aurora Escarlate, o Cartel Hutt e o Clã Ashiga. Correndo por fora, temos ainda mais um: o Zerek Besh, muito importante para a história principal do game.

Enquanto está envolvida na missão que envolve tirar um alvo de sua cabeça, Kay Vess precisa andar na corda bamba enquanto forja frágeis alianças com esses sindicatos. Agradar um deles, significa ofender os outros, e o game retrata isso com um interessante sistema de reputação, que mede como está o seu nível de aceitação com cada um dos sindicatos. Uma boa reputação significa poder acessar algumas áreas específicas dominadas, obtendo acesso a diferentes itens.

Missão Star Wars Outlaws
Reprodução/Ubisoft

No entanto, fica a sensação de que falta no jogo algo que crie no jogador a real necessidade (ou vontade) de se manter fazendo serviços para esses sindicatos. Embora o jogo lide melhor com seus sindicatos do que Cyberpunk 2077 lidou com suas facções, por exemplo, fica atrás do game da CD Projekt RED no que se refere aos “contratos” que podem ser realizados através de agenciadores. Esses contratos são pouco criativos e geralmente um mero repeteco de situações vividas nas missões principais, e suas recompensas não valem o senso de repetição e de perda de tempo.

Digo isso especialmente porque a história de Star Wars Outlaws é realmente muito interessante. E a forma como as missões secundárias são interligadas à questline principal tornam tudo muito orgânico e imersivo. Isso pesa ainda mais a sensação de que os contratos, pistas e outras atividades só estão ali para inchar o jogo  – uma prática infelizmente bastante comum na indústria. O que é curioso, considerando que o game oferece uma quantidade robusta de horas apenas em sua campanha principal.

De uma forma geral, talvez o maior mérito de Star Wars Outlaws seja o de conseguir agradar não apenas o fã de Star Wars, mas também aqueles que gostam de um bom game de aventura em terceira pessoa. Com uma história interessante, cheia de reviravoltas, personagens cativantes e um lado de Star Wars pouco explorado em games, a Massive Entertaiment oferece um dos melhores projetos recentes da franquia.

Leia mais sobre Star Wars Outlaws:

Star Wars Outlaws
  • Desenvolvedora: Massive Entertainment
  • Publisher: Ubisoft
  • Plataformas: PlayStation 5, Xbox Series S|X e PC
  • Review feito no: PlayStation 5
Positivo
  • - Ambientação digna de Star Wars
  • - História e personagens cativantes
Negativo
  • - Exploração poderia ser melhor
  • - Atividades secundárias pouco interessantes
Nota 8


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