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Perfeitamente Star Wars
Após um ano de publicação da mensal que traz a revista Star Wars, uma das primeiras séries publicadas pela Marvel após da compra da saga de George Lucas pela Disney, a Panini publicou em capa cartonada as seis primeiras edições do arco Skywalker Ataca. Contando com texto de Jason Aaron e arte de John Cassaday, a obra foi lançada originalmente em 2015 e tinha como principal missão re-introduzir o universo Star Wars à Casa das Ideias. Uma tarefa sensível, já que seria preciso não só estabelecer o tom e a linha editorial que as HQs teriam no pós-reboot como mostrar de forma apreciável que os tempos da Dark Horse – editora que antes detinha os direitos dos quadrinhos da saga – ficaram para trás.
A dupla Aaron e Cassaday, no entanto, se mostrou muito competentes na tarefa, e entregaram uma trabalho que traz uma história divertida e agradável, com os personagens muito bem caracterizados e com todo o tom aventuresco da trilogia clássica de Star Wars. Não é possível dizer que a HQ acrescenta muitas novidades à mitologia da galáxia muito, muito distante, mas se mostrou um excelente começo para a Marvel.
Skywalker Ataca se passa alguns meses após a destruição da Estrela da Morte, como é visto no Episódio IV. O Império está tentando reconstruir parte do poder militar que perdeu. Os rebeldes, no entanto, não planejam ficar se escondendo, e um grupo formado pelos protagonistas Luke, Han e Leia vai até a lua Cymoon 1 para destruir uma fabrica de armas do Império. O que deveria ser uma infiltração, ataque surpresa e fuga rápida, no entanto, é frustrada pela aparição de Darth Vader. Com isso a história acaba marcando não só o primeiro confronto entre pai e filho, mas também a descoberta de Vader sobre o piloto que destruiu a Estrela da Morte.
A história apresentada é bem simples, e boa parte da revista são momentos de ação ao melhor estilo Star Wars. São momentos bastante divertidos, onde os personagens são muito bem caracterizados e tão fieis aos filmes e aos atores quanto possível. Nisso, a arte de Cassaday ajuda bastante. É impossível não olhar para Han Solo e não ver os seus gestos e maneirismos. Seu sorriso canastrão está impecável e deve ser difícil para os fãs da saga não lerem as falas com a voz do personagem. A princesa Leia talvez seja a que menos se parece com a atriz. Em vários quadros, apesar de ser absolutamente reconhecível, não lembra tanto Carrie Fisher quanto Han e Luke se parecem com seus atores. Mas é ela quem é melhor trabalhada por Aaron, e é possível ver sua personalidade expansiva e uma verdadeira líder rebelde em ação. Luke está bom. Ele ainda é o fazendeiro cheio de dúvidas e boas intenções que o Uma Nova Esperança apresenta, é interessante ver as suas preocupações e esforços para se tornar um jedi pleno. No que toca a ação, suas cenas estão entre as melhores, mas perde muito nos diálogos para a dupla Han e Leia.
Existem alguns pontos forçados na história, contudo. Os autores buscam enfatizar demais que aquele é o universo Star Wars com todos os personagens que você aprendeu a gostar e amar. Boba Fett chega a aparecer, indo atrás de Luke sob um contrato com Darth Vader, isso sem falar de Jabba em uma negociação com Vader. Não são momentos ruins, pelo contrário. Os personagens são bem usados e não são desperdiçados. Mas fica um pouco a impressão de que estão lá apenas para aumentar o fator “Star Wars” da obra.
Algo que talvez passe despercebido para alguns leitores é que o Império enquanto personagem está muito bem caracterizado. Não foi de forma alguma infantilizado e marca a sua presença que é essencial no universo. Mas nem tudo em Skywalker Ataca é velharia. Uma nova personagem que persegue violentamente Han Solo é apresentada, prometendo marcar bastante presença nos quadrinhos. Além disso, a busca de Luke pelos ideais dos jedi, e ele busca por respostas para suas dúvidas sobre seu passado e seu legado de uma forma que ainda não havia sido apresentada em Star Wars.
Quanto a edição brasileira, é preciso apontar uma estranheza no método da editora Panini. O primeiro encadernado do novo cânone de Star Wars, o Império Despedaçado, foi lançado apenas em formato capa dura. No entanto, estas novas publicações da saga de George Lucas estão chegando apenas em capa cartonada. Isso acaba gerando uma discrepância um tanto incômoda dentro da coleção. Um mau planejamento que acaba afetando o consumidor. Chega até a ser estranho esse posicionamento da editora, já que a Marvel Now e a DC Novos 52 estão ganhando encadernados em capa dura reunindo o conteúdo da revista mensal. Estaria Star Wars vendendo pouco em matéria de quadrinhos? Talvez a demora em lançar um material fechado seja em parte responsável por esta possibilidade. É de se pensar que muitos fãs de Star Wars que não são consumidores regulares de quadrinhos não se interessem por revistas mensais e agora nem mais pelos encadernados, que chegaram com quase dois anos de distância desde a publicação original nos Estados Unidos.
Skylwaker Ataca não é de forma alguma uma revista fenomenal. Mas tampouco é essa a sua proposta. A história é simples e agradável, feita para atingir realmente os fãs da saga. Os que gostam de Star Wars provavelmente terão um bom tempo com a leitura, mas quem não tem tanto apreço por esta galáxia muito muito distante não encontrarão muito que possa interessa-los.