
Em Supercrooks: O Assalto, uma história criada por Mark Millar e Nacho Vigalondo, os vilões vão para a Europa para cometer crimes onde não existem heróis para impedir. A história tem a arte incrível de Leinil Francis Yu e o diálogo característico de Mark Millar. Mas e aí? Ela vale a pena?
A história abre com Johnny Bolt e seus colegas sendo presos pelo herói Gladiador. Isso tudo porque Johnny tentou roubar joias para pagar seu casamento. Assim, vemos um flash foward de 5 anos para frente, onde um velho vilão (Carmine) teve um problema com um dono de cassino, chamado Salamandra. Carmine tinha tentado roubar milhões do cassino, assim, Salamandra ordena que Carmine pague 100 milhões de dólares para poder continuar vivendo. Desesperado, Carmine busca a ajuda de Johnny, o bandido que está mais interessado em conseguir a reconciliação com Kasey, a mulher que ele deixou no altar.

Este primeiro capítulo mostra a força de Millar em criar uma história digna de um filme. O humor e o charme da obra é sentido desde o momento em que o Gladiador prende Johnny e seus amigos. O design de Yu para o Gladiador é algo bem legal, com um vermelho brilhante, estrelas, um amarelo metálico e a cor azul. Um típico escoteiro americano. A cena com o Salamandra também é uma característica da habilidade de Millar de desenvolver rapidamente um vilão, sempre usando cenas de brutalidade e crueldade.
Millar e Yu também mostram todo o charme de Johnny em um roubo que o grupo tem que fazer na Espanha para conseguir o dinheiro. Sim, Supercrooks é uma versão em quadrinhos de super-heróis de “11 Homens e um segredo”. Millar sabe disso, você sabe disso e todos aproveitam.

Entretanto, por alguma razão, o segundo ato começa meio corrido e fica fora do ritmo em relação ao resto do material. Apesar disso, há um conflito interessante entre Johnny e um novo rival. Há até uma ótima cena de flashback, onde vemos o rival eliminar todos que decidiram roubar do vilão Salamandra. O único problema deste cara é que Millar e Vigalondo criaram um personagem tão poderoso que fica complicado acreditar que os bandidos possam fugir dessa encrenca. Porém, devemos lembrar que em “11 Homens e um Segredo”, os bandidos estão sempre conseguindo o impossível, logo, qualquer coisa é aceitável.
Supercrooks também se mostra como um grande trabalho de Yu, que tem um estilo dinâmico e facilmente reconhecível. Existem vários quadros sem ação, mas o trabalho de Yu faz com que até essas imagens sejam tão atraentes quanto os quadros mais movimentados. E nas cenas de luta, Yu consegue se superar: vemos mandíbulas sendo arrancadas, cabeças explodindo, coisas grotescas, mas a arte de Yu não permitirá que você sinta náuseas.
No fim, Supercrooks é uma ótima ideia de Millar e Vigalondo, que é possível aproveitar do começo ao fim. Antes de ler, lembre de abrir bem a mente para o impossível, assim, sua leitura será mais prazerosa. Não seria surpresa se Supercrooks ganhasse, eventualmente, um filme. É possível ler a HQ pensando em uma adaptação cinematográfica, seguindo a mesma estrutura e caracterização. É um material bom, divertido, sem compromisso e que vale a pena ter na coleção.




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