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A remasterização de Tales of Xillia chega como a segunda etapa do projeto de 30 anos da franquia, e reencontrar esse clássico com tratamento moderno é quase como revisitar um velho amigo depois de vários anos para colocar o papo em dia. O jogo permanece fiel à estrutura original de 2013, mas agora chega com ajustes importantes que deixam a aventura mais confortável e muito mais convidativa para públicos atuais. O resultado é uma celebração cuidadosa de um título que, na época, representou uma guinada drástica para a série e que ainda hoje funciona surpreendentemente bem.

Uma história impulsionada por personagens e escolhas, mesmo que nem sempre bem equilibradas

Rieze Maxia continua sendo um dos mundos mais interessantes já criados para Tales of, um lugar moldado pela convivência entre humanos e espíritos, repleto de tensões políticas e dilemas existenciais. O reencontro entre Jude Mathis e Milla Maxwell, dois protagonistas que se cruzam por puro acaso, continua sendo o coração pulsante da narrativa. A dinâmica entre eles se sustenta até hoje graças ao contraste entre o idealismo juvenil de Jude e a postura quase divina, porém frágil, de Milla após perder os Quatro Grandes Espíritos.

Os conflitos entre os reinos de Rashugal e Auj Oule seguem fortes e o roteiro não tem medo de colocar seus personagens em situações emocionalmente densas, sempre guiadas por escolhas pessoais que ecoam até o final. O famoso sistema de skits permanece brilhante, costurando humor, intimidade e comentários espontâneos que dão vida ao grupo.

A única engrenagem que não gira tão bem é o sistema de duplo protagonista. A ideia é ótima, mas a execução pouco acrescenta, já que Jude e Milla passam a maior parte do tempo juntos. As mudanças de perspectiva são raras e não justificam duas rotas tão semelhantes. Ainda assim, para uma primeira jogada, a rota de Jude continua sendo a mais completa.

Um combate que envelheceu como vinho

O que realmente separa Tales of Xillia de outros RPGs da época é seu sistema de batalha, e revisitar ele em 2025 só deixa isso mais evidente. O Dual Raid Linear Motion Battle System continua sendo um dos sistemas mais fluidos já criados pela franquia.

O conceito de Link, que conecta dois personagens para criar ataques conjuntos, suportes automáticos e combos estendidos, segue brilhante. Ele dá ritmo, profundidade e identidade ao combate. Criar Linked Artes, engatar sequências enormes e alternar personagens no meio da ação faz tudo parecer uma coreografia insana em 3D, rápida e responsiva.

Há limitações bem pensadas: o sistema de Assault Counter impede spam infinito, o TP exige administração de recursos e o Overlimit cria momentos explosivos de pura catarse. É um combate que premia habilidade real do jogador, e não apenas estatísticas.

O remaster não mexe na base, o que é ótimo, mas adiciona uma camada de acessibilidade que deixa tudo mais suave, sem comprometer o desafio.

Exploração mais ampla, mas com arestas visíveis

Xillia foi um divisor de águas para a série. Foi o primeiro Tales totalmente construído sobre regiões 3D conectadas, com câmeras livres e sem o tradicional mapa-múndi. Na época, isso foi revolucionário. Hoje, essas áreas mostram certa repetição visual e uma quantidade exagerada de inimigos espalhados pelo caminho.

Ainda assim, há charme no design. As cidades são vibrantes, as rotas têm personalidade e há recompensas suficientes para incentivar a exploração, ainda mais agora com indicadores de baús, side quests e eventos no minimapa.

A ausência de dungeons elaboradas ou quebra-cabeças marcantes é sentida, especialmente por fãs das entradas mais antigas. Mas, como compensação, o ritmo geral da aventura é mais direto, sem travas desnecessárias.

Um remaster que realmente facilita a vida

O pacote de melhorias talvez seja o maior triunfo da nova versão. A inclusão de:

• auto-save
• dash permanente
• retry em batalhas comuns
• indicadores completos de quests e baús
• campo de visão mais limpo
• acesso imediato ao Grade Shop
• maioria dos DLCs originais

transforma a experiência em algo mais fluido e acessível. O único ponto divisivo é justamente o Grade Shop liberado desde o início. Para veteranos, ele pode acelerar demais a progressão se não for usado com parcimônia. Para quem está chegando agora, é uma mão na roda.

O sistema de progressão continua engenhoso

O Lilium Orb, uma variação simplificada da Sphere Grid, ainda é uma das formas mais interessantes de evolução na franquia. Visual, intuitivo e cheio de microdecisões, ele mantém um fluxo constante de recompensas e incentiva experimentação. Quando combinado com o sistema de Skills, muitas delas compartilhadas com parceiros quando ligados, ele cria sinergias inteligentes e estratégias criativas.

O sistema de upgrade de lojas segue funcional e combina bem com a exploração. É fácil compreender, difícil otimizar e satisfatório quando bem utilizado.

Um clássico polido, mas com a alma original totalmente preservada

Tales of Xillia Remastered não tenta reinventar nada. Ele preserva todas as qualidades e falhas do jogo original, ao mesmo tempo em que elimina os incômodos modernos que poderiam afastar novos jogadores. Esse equilíbrio reforça a força do título: um JRPG que encontrou seu lugar pela personalidade do elenco, pela intensidade das batalhas e pela sensação de estar vivendo uma grande aventura de forma contínua e natural.

Para fãs antigos, é uma viagem nostálgica ajustada com carinho. Para iniciantes, é um excelente ponto de partida antes de enfrentar a sequência, ainda mais aguardada por muitos veteranos. Tales of Xillia Remastered é uma celebração digna de um dos capítulos mais emblemáticos da franquia. Um JRPG vibrante, divertido e carregado de personalidade, agora modernizado sem perder sua essência, um feito raro e muito bem-vindo.

Tales of Xillia Remastered
  • Desenvolvedora: DokiDoki Groove Works
  • Publisher: Bandai Namco
  • Plataformas: PS5, Nintendo Switch, PC, Xbox
  • Review feito no: PC
  • Também testado no: Steam Deck
Positivo
  • Combate rápido, técnico e extremamente satisfatório
  • Elenco carismático, com ótimo desenvolvimento e skits memoráveis
  • Qualidade de vida muito bem aplicada no remaster
  • Progressão flexível e cheia de possibilidades
  • Performance estável e apresentação refinada
  • Narrativa envolvente, com ótimo ritmo e boas reviravoltas
Negativo
  • Sistema de protagonistas duplos continua raso e pouco relevante
  • Mapas repetitivos e excesso de inimigos durante explorações
  • Falta de dungeons mais elaboradas e quebra-cabeças
Nota 9
Sou o Fundador do site Ovicio, Overplay e Muramasa. Fui idealizador e Game Designer do jogo Vencedor da DemoNight no BIG Festival 2014, o Jotunheim Project. Escolhido como Jurado do Anime Awards em 2024 e 2025. Amo games, sou fã de God of War, Dragon Quest, Fire Emblem, The Legend of Zelda e Pokémon. Coleciono livros, quadrinhos e guitarras.