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Os fãs de games de survivor horror prestaram máxima atenção quando Glen Schofield, criador de Dead Space, um dos mais icônicos games do gênero, anunciou The Callisto Protocol, uma espécie de sucessor espiritual de sua magnum opus. O anúncio aconteceu em 2020, e desde então ficamos sem qualquer informação a respeito do jogo, até que ele surgiu de uma vez com gameplay e data de lançamento esse ano, surpreendendo com nomes famosos no elenco, como Josh Duhamel e Karen Fukuhara. Agora, The Callisto Protocol finalmente está entre nós, mas será que ele supre as expectativas que inevitavelmente são colocadas em cima dele?

Já tirando o elefante da sala, as comparações com Dead Space se fazem inevitáveis. Muito da estética que Schofield imprimiu no jogo de 2011 se fazem presentes aqui, como o HUD extremamente limpo graças a escolhas criativas bastante peculiares, como o nível de vitalidade do personagem exibido em seu corpo e a munição marcada holograficamente nas armas.

Veteramos em Dead Space observarão ainda muitas outras similaridades, como a forma como o personagem pega os espólios dos cadáveres inimigos. Porém, The Callisto Protocolo possui inovações o suficiente para ter sua própria identidade, sendo a sua proximidade com o irmão mais velho muito mais uma questão de familiaridade para o jogador – além de uma assinatura pessoal de Schofield, é claro.

Sobreviver é ser estratégico

Na trama do jogo, encarnamos o papel de Jacob Lee (Duhamel), um piloto transportador de cargas, que se vê em meio a uma trama complexa em Callisto, uma das luas de Júpiter. Encarcerado na misteriosa prisão Iron Black, Jacob precisa sobreviver aos horrores de um misterioso surto biológico que transforma as pesoas em monstros violentos.

E sobrevivência é a palavra-chave em The Callisto Protocol, aliás. Munição e itens de saúde não são exatamente escassos no modo normal, mas é preciso um racionamento inteligente para não sofrer desnecessariamente em algumas das partes mais frenéticas do game. E por falar nisso, esses momentos são interessantes pela forma como o cenário e as possibilidades de combate são convidativos à criatividade do jogador.

Reprodução/Striking Distance Studio

Em um mesmo trecho de gameplay, é possível enfrentar muita dificuldade e perder quase todos os seus recursos, ou montar estratégias mais eficazes e superar os desafios de uma forma quase… fácil. Morrer e tentar novamente, algo que pode ser frustrante em jogos de sobrevivência, acaba se revelando como algo gratificante aqui, pois o aprendizado da morte pode levar a uma estratégia mais inteligente.

É óbvio que, como estamos falando de estratégias, o jogo oferece muito mais do que simplesmente armas de fogo para lidar com as criaturas que permeiam Callisto. Jacob conta com dois aparatos essencias para a jornada: uma arma branca inquebrável e um dispositivo de gravidade que pode erguer inimigos por um tempo determinado e lançá-los a uma certa distância.

Assim como as armas de fogo, esses objetos também podem ser melhorados conforme avançamos, com “créditos de Callisto” encontrados pelo jogador. Considero esse racionamento de créditos e a decisão de onde gastá-los a parte mais importante do jogo. Gastar créditos em melhorias que não servirão a longo prazo pode ser algo fatal. Da mesma forma, se faz extremamente necessário sempre carregar no seu (parco) inventário os objetos que são encontrados na jornada e que podem ser trocados por créditos, mesmo que isso signifique deixar munição e itens de saúde para trás. Parece loucura, mas ter dinheiro em Callisto é algo que pode definir sua sobrevivência.

A essência do medo

Reprodução/Striking Distance Studio

Existem dois pontos que são cruciais para se  fazer um bom jogo dentro do gênero de survivor horror. O primeiro, do qual já falamos, é a sensação constante e desesperadora de que seus recursos podem acabar a qualquer momento. Esse sentimento de “se ficar sem recursos não poderei avançar no game” é essencial de se transmitir para o jogador, pois é o equivalente direto à expectativa de morte do personagem dentro da narrativa. O outro ponto extremamente importante, obviamente, é a ambientação.

Segundo o próprio Glen Schofield, a “o terror começa com a atmosfera”, e parece que ele realmente tomou máximo cuidado nessa parte. Elementos como iluminação e áudio são determinantes para criar a atmosfera absolutamente terrível de The Callisto Protocol. Esses elementos juntos criam um desconforto constante que beira a paranoia (especialmente se você estiver jogando de headset) e é quase impossível relaxar em qualquer momento do game.

E já que falamos de iluminação, o trabalho realizado nessa parte, aliás, é digno de nota. Que o game está muito bonito todo mundo já sabe, mas o que a Striking Distance realizou aqui com luz e sombras, além das partículas em tela, beira o surreal. O nível de detalhamento e a obsessão com o realismo poderiam cobrar um preço, mas o estúdio conseguiu realizar um bom trabalho e otimização, salvo alguns pequenos “engasgos” em determinados momentos, como quando o personagem pega um elevador, por exemplo. Nessas horas, há um aspecto de “tremedeira” na tela, que cessa em poucos segundos, quando chegamos ao destino.

Patch de The Callisto Protocol
Reprodução/Striking Distance Studios

E já que citei problemas técnicos, é importante pontuar algo que presenciei na minha jogatina. Parte da lore de The Callisto Protocol é entregue ao jogador por meio de gravações encontradas em cadáveres durante a exploração, sendo portanto importantes para aqueles jogadores que gostam de se inteirar totalmente da narrativa proposta. No entanto, alguns desses áudios estão com problemas: alguns não ativam legendas, enquanto outros exibem em tela que estão sendo tocados mas não emitem som.

Um outro aspecto importante a se considerar a respeito de The Callisto Protocol é a sua duração. Como já havia sido revelado pelo próprio estúdio e como costuma ser comum no gênero, a aventura é concluída com cerca de 10 a 12 horas de gameplay. Para aqueles que buscam as conquistas extras, existem troféus de dificuldade, o que confere um fator replay que pode ser interessante para quem curte um desafio.

De uma forma geral, The Callisto Protocol é um jogo consistente para aqueles que gostam de survivor horror e especialmente para os órfãos de Dead Space. Interessante lembrar, aliás, que ele abre caminho para uma leva de jogos do gênero que vem por aí, como o remake do próprio Dead Space, além de Alan Wake 2 e dos remakes de Resident Evil 4 e Sillent Hill 2.

Nota 9
Murilo Oliveira, também conhecido como Muriloverso, é jornalista e redator-chefe do site O Vício. Comandando o canal homônimo no YouTube, ele compartilha sua paixão por cultura pop, trazendo análises, curiosidades e conteúdo geek com uma abordagem única e carismática.


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