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Quando foi lançado em 1996 no Japão, o The House of the Dead original não só impressionou pelos seus gráficos incríveis para a época, mas também pela jogabilidade frenética, sendo até considerado um dos melhores shooters da época. Não foi à toa que seu sucesso acabou o levando para o ocidente, estando presente em diversas casas de diversões na época. Sendo um ‘rail shooter’, que é um shooter onde você basicamente só atira e o jogo anda automaticamente pelos cenários, The House of the Dead era simples e curto, mas tinha um fator replay grande devido a possibilidade de tomar diferentes caminhos em certas partes do jogo, o que gerava uma excitação para descobrir os segredos escondidos, além de ter múltiplos finais, mesmo que a história fosse extremamente rasa. Tendo tudo isto em mente, o anúncio de um remake pegou muitos de surpresa. Como iriam deixar um jogo tão curto e antigo, interessante para os padrões atuais?

The House of the Dead Remake mantem-se preso as suas raízes e entrega um jogo que é exatamente o mesmo lançado originalmente pela SEGA, mas ao mesmo tempo adiciona novas opções e conteúdo para maximizar o fator replay que o jogo original já entregava. No jogo você assume o papel Thomas Rogan, um agente da AMS que recebe uma chamada por socorro de sua noiva, Sophie Richards. Chegando ao local o qual foi chamado, ele percebe que tudo está sendo tomado por mortos-vivos, e com a ajuda de sua pistola de 6 tiros, vai tentar salvar Sophie e os cientistas remanescentes na mansão Curien.

A gameplay do jogo resume-se em atirar em tudo que se vê na tela, desde humanos ou animais zumbis, até criaturas esquisitas, como vermes ou gárgulas. A mira desta vez é bem diferente do original, sendo maior e podendo ser personalizada com diversas cores, o que pode facilitar muito a mira em algumas situações, principalmente para quem tem dificuldade em distinguir certas cores. Foram adicionados também vários níveis de dificuldades, desde o fácil até o modo arcade, onde você perde vida até mesmo se atirar em um aliado, além de um modo de contagem de pontos moderno, que também é uma boa adição para quem quer atingir as maiores pontuações para desbloquear outros finais.

O jogo também permite utilizar-se dos controles de movimento do Nintendo Switch, que permitem entregar uma experiência similar a de mirar com armas de mentira apontadas para a tela nos fliperamas ou com o controle pistola do Sega Saturn. Este modo de controle, no entanto não é totalmente satisfatório. São necessários muitos ajustes para que fique minimamente preciso como se deseja, mas a assistência de mira pode ajudar os menos experientes, ou atrapalhar caso você queira atirar em objetos no cenário. Uma das coisas mais icônicas nos controles do jogo, no entanto ficou de fora, a possibilidade de recarregar a arma atirando para fora da tela. Este era o único modo de recarregar as armas na experiência original, e agora a recarga da arma resume-se ao apertar de um botão, o que torna o jogo bem mais fácil.

Quanto a qualidade gráfica o jogo tem dois modos:

  • Modo Performance Ativo: Neste modo o jogo fica quase que em sua totalidade a 60 quadros por segundo, com poucos engasgos em transições ou quando há muita informação na tela. Este modo, no entanto, deixa bem evidente os serrilhados do jogo, algo já comum em muitos jogos do Nintendo Switch, mas que de certa forma não incomoda tanto, já que o jogo tem um passo extremamente acelerado e você mal consegue ver qualquer coisa em detalhes.
  • Modo Performance Desativado: Como deve-se imaginar, nesse modo a taxa de quadros é mais dinâmica, sendo normalmente fixa nos 30 quadros por segundo, porém com visuais mais refinados. Não espere uma diferença muito grande ou gritante, por isso realmente ir com o Modo Performance Ativo provavelmente te entregará uma melhor experiência de jogo.

Diferente da versão de fliperamas, nesta você não precisa de fichas, obviamente, e começa o jogo com 10 créditos. Caso sua vida, que é marcada por lamparinas no canto da tela, se esgote, você terá a opção de gastar um crédito para continuar o jogo. Também será possível comprar créditos extras durante o jogo abicando de 5.000 pontos, que são subtraídos de sua pontuação e que pode afetar o final do jogo. Não se preocupe muito em economizar créditos de início, pois logo que você jogar novamente algumas sessões do jogo, vai ver que ele vai se tornando cada vez mais fácil e prazeroso.

Além das adições já citadas, o jogo tem uma seção de conquistas, que são insígnias dadas por completar determinadas atividades durante o jogo, o que é um toque bem especial para o fator replay. Há também uma galeria de inimigos que contém sua descrição, algumas características e seu ponto fraco, que é onde você deve acertar para que ele morra mais rapidamente. Originalmente essas informações vinham escritas na cabine do fliperama, mas de uma forma mais resumida e capada.

Se você gosta de jogos no estilo rail shooter, como Wild Guns, Panzer Dragoon ou Time Crisis, com certeza vai adorar The House of the Dead Remake. O jogo entrega uma experiência sólida e divertida com uma boa variedade de níveis de dificuldade, além da possibilidade de jogar co-op local e o Nintendo Switch entrega uma boa experiência de jogo no geral com uma boa performance. Os contrapontos ficam na falta de novidades com relação ao tamanho do jogo, já que podiam ter emendado mais de um jogo no mesmo remake, a falta do idioma em português e ao controle de movimentos, que não tem uma calibragem muito fácil.

No geral The House of the Dead entrega uma boa experiência solo e co-op e é sem dúvida uma boa diversão para aqueles dias de jogatinas casuais entre amigos. O jogo está atualmente disponível apenas para Nintendo Switch.

Este review foi feito por Thales Aragão

Nota 7
Sou o Fundador do site Ovicio, Overplay e Muramasa. Fui idealizador e Game Designer do jogo Vencedor da DemoNight no BIG Festival 2014, o Jotunheim Project. Escolhido como Jurado do Anime Awards em 2024 e 2025. Amo games, sou fã de God of War, Dragon Quest, Fire Emblem, The Legend of Zelda e Pokémon. Coleciono livros, quadrinhos e guitarras.