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Há tempos que eu ouvia elogios à franquia “The Witcher”, além da espera dos fãs por The Witcher 3: Wild Hunt. Porém, eu não tinha ideia do quão bem trabalhado e detalhado era este universo. Meu primeiro contato foi através dos livros, o que me despertou um interesse enorme pela franquia. Daí tive a chance de jogar os games antigos e fiquei fisgado com o fim de The Witcher 2: Assassins of Kings. Com o novo game lançado pela CD Projekt Red há alguns meses, temos que reconhecer que este é um trabalho cheio de criatividade e personalidade. The Witcher 3: Wild Hunt passou por muita pressão dos fãs, mas pode acreditar que está é uma das aventuras mais fantásticas que você pode viver.

No mundo de “The Witcher”, a política age como um dos protagonistas, está sempre presente. Uma grande guerra continua a dilacerar os Reinos do Norte (que é como a Europa Ocidental no jogo). O nosso protagonista, Geralt de Rívia começa o jogo tentando encontrar Yennefer de Vengerberg, mas ao encontrá-la, uma nova busca começa, pois ele tem que encontrar Ciri, que é como uma filha para o herói. Quando jovem, Ciri estava sob os cuidados de Geralt na escola do Lobo, mas desapareceu e nunca foi vista novamente. Entretanto, agora que o ela está em perigo, pois a Caçada Selvagem (Wild Hunt) está atrás dela. Geralt deve revirar cada cidade e encontrar Ciri antes que a Caçada Selvagem o faça. Nesse meio tempo, ele precisa salvar os Reinos do Norte.

Eu sei, é bastante informação, mas isso é te apresentado de forma mais inteligente dentro de The Witcher 3, a CD Projekt Red dfaz um trabalho decente apresentando os personagens e o roteiro cheio de twists para o jogador, ainda aqueles que não conhecem nada da franquia. Se você gosta mesmo de conhecer mais da história, aconselho deixar sempre as legendas ligadas, seja em português ou inglês. O texto é muito rico e vale a pena prestar atenção em cada detalhe durante sua jornada. Isso faz com que o mundo fique ainda mais real e interessante, te fazendo investir mais tempo nas aventuras de Geralt.

É interessante notar como as pequenas escolhas tem grandes consequências. O jogo te permite escolher quase tudo, frequentemente você irá decidir o destino de um NPC, de uma vila, ou até mesmo de uma região inteira. Em The Witcher 3 vale a pena falar com cada personagem que você encontrar, pois eles podem te dar informações preciosas e até sidequests que irão ajudar você e os Reinos do Norte. A guerra deixou muitas áreas sem lei, cidadãos estão sofrendo com a crescente quantidade de bandidos e monstros. Você pode ajudar a comunidade a crescer novamente.

Logo no começo do jogo, se você abrir o mapa vai ver diversos pontos de interesse, incluindo lugares em que você pode ir e ajudar as pessoas. Sem contar os contratos de bruxo, que Geralt consegue em todas as cidades, o que pode te garantir itens interessantes, amigos e aliados para te dar pistas sobre Ciri. Todo conteúdo opcional vale a pena, talvez não traga efeito para a história principal, mas garante bons momentos de diversão e entretenimento.

Cada missão, seja da história principal ou não, vem com um indicador de que level você deve estar para tentar. Você pode ganhar experiência por exmploração ou combate, mas a maior parte da XP vem das inúmeras quests que Geralt irá encontrar. Claro, alguns podem achar chato ter que voltar até o NPC para poder informar o resultado da quest, mas eu gostei bastante das informações adicionais que eles passam sobre cada história. Tudo tem uma história bem escrita, ainda que seja uma sidequest qualquer. Porém, se você não gosta de muita conversa, o game permite que você pule os diálogos, evitando que você fique entediado.

O legal é que até as quests mais simples te garantem recompensas como armas, armaduras, ingredientes, ouro ou até algum tesouro maior. A maioria dessas recompensas valem a pena. Poucas vezes eu encontrei alguma missão que me deu algo que eu não gostasse. Além disso, a dificuldade do game faz com que você queira completar o maior número de missões e explorar o mapa ao máximo. Afinal, quando enfrentamos os principais inimigos do jogo, dá pra suar bastante. A preparação é a chave do sucesso aqui.

Geralt possui um arsenal bastante variado, incluindo duas espadas (uma para humanos e outra para criaturas sobrenaturais), uma besta e bombas. O combate com espadas conta com ataques rápidos e pesados, você pode rolar e esquivar, além de poder contra-atacar. Tudo isso é bem simples de controlar, mas é sempre bom se acostumar logo: frequentemente você enfrentará um grupo de inimigos e neste caso, tempo é tudo. Esperar o momento certo para atacar faz toda a diferença, pois qualquer gota de vida perdida faz muita falta. Isso te faz acreditar na importância de cada golpe. Além disso, esquivar e bloquear também se provam valorosos, afinal, as armas e armaduras possuem durabilidade e ficar com a armadura quebrada durante um combate pode ser bastante prejudicial. Vale a pena andar com kits de reparos ou peças extras.

Assim como nos games anteriores, a estratégia antes do combate conta muito. Nos games anteriores era impossível vencer sem passar um óleo místico nas espadas e criar uma poção ou elixir para beber durante o combate. Em The Witcher 3: Wild Hunt, o foco não é tão grande nesses aspectos, o peso ficou maior para os sinais (magias que Geralt usa) que você usar em combate. Porém, ainda vale a pena se preparar, você terá mais facilidade e controle durante a batalha.

Os sinais são fáceis de usar e diversificam muito o combate. Usar as espadas resolve vários problemas, mas você tem que aprender a usar mais dos sinais que Geralt possui. Usar um escudo no momento certo pode ser a salvação. Uma armadilha mágica faz com que fantasmas fiquem mais vulneráveis, além disso, Geralt tem uma habilidade que confunde e retarda os inimigos. Todas as suas habilidades de combate podem ser melhoradas para serem mais úteis ou mortais. Existem várias opções que você pode ajustar de acordo com seu estilo de jogo, sem precisar gastar pontos em áreas desnecessárias.

Em certas partes do jogo, é possível jogar como Ciri, que possui mecânicas diferenciadas. Ciri é capaz de usar um recursos de evasão/teleporte que é bem legal. Ela é bem mais rápida e consegue atacar diversos inimigos sem levar um arranhão. Porém, em The Witcher 3 não é possível customizar Ciri (pois você joga com ela em momentos de flashback). Mas você pode customizar cada aspecto de Geralt.

Ainda que você evite as estradas dos Reinos do Norte, você nunca ficará sem nada para fazer. As diversas áreas e terrenos de The Witcher 3 possuem perigos, monstros e tesouros em cada pedaço de chão. Além disso, vale a pena dar uma parada e observar o quão bonito é cada cenário. Vale comentar que além do Carpeado (o cavalo de Geralt), é possível controlar barcos.

Por falar no Cavalo, é possível chamá-lo de qualquer lugar ao apertar um botão. O que ajuda muito a percorrer longas distâncias com uma maior velocidade. Ainda assim, existe sempre a opção de viagem rápida, mas você precisa estar na frente de uma placa para poder usar e você só pode viajar de uma placa para outra. O Carpeado te oferece mais liberdade. Uma mecânica interessante é que na estrada, Carpeado segue ela automaticamente, você ainda pode controlar para que lado ele vai, claro. Porém, algumas vezes ele pode tomar o caminho errado, então vale a pena ficar de olho.

Um jogo grandioso e ambicioso como The Witcher 3 também tem alguns aspectos meio problemáticos: o botão de “interagir” é o mesmo de correr, de vez em quando, você irá dar um passo a mais ou atravessar um baú enquanto tenta saquear. O problema fica mais evidente quando temos múltiplos baús em uma mesma área. A AI do jogo é bem inteligente, mas já passei por alguns bugs: alguns inimigos ficam presos em esquinas do mapa (geralmente em cavernas) e não conseguem mais lutar ou se defender. O que garante uma vitória fácil para Geralt. Algumas vezes irrita a decisão (não é bug) de fazer com que cada vela, fogueira ou lamparina seja interativa. Você acende e apaga tudo sem querer, principalmente quando estão do lado de algo que você precisa tocar.

The Witcher 3 tem bastante personagens, todos eles bem trabalhados. O jogo te dá liberdade para tratá-los da forma como achar melhor. Até mesmo daqueles que Geralt tem um histórico. Por falar nisso, muitos falaram das cenas de sexo que Geralt pode ter. Porém, as cenas não são explícitas e nem eróticas. Todas são tratadas de forma bastante natural. Nada é tratado de forma gratuita, ele acontece como um resultado de um relacionamento com alguém, depois de certas escolhas.

Outro ponto a favor de The Witcher 3 é a grande quantidade de conteúdo adicional gratuito. Desde que o game foi lançado, a CD Projekt Red lançou muitos DLCs que trouxeram visuais, missões, modos de jogo (o New Game+)  e coisas que só enriqueceram a experiência. Em uma época em que empresas cobram horrores por opções de visuais, a CD Projekt Red merece aplausos pelo respeito com seus jogadores. Além disso, o game também conta com um minigame dentro dele: Gwent, um trading card game que vai te garantir horas e horas de diversão.

Por falar em conteúdo adicional, no dia 13 de outubro será lançada a primeira expansão de The Witcher 3, Hearts of Stone, confira o trailer:

The Witcher 3: Wild Hunt é recheado de bastante conteúdo, o jogo mostra o cuidado, empenho e zelo que a CD Projekt Red possui. The Witcher 3 é uma experiência incrível. A história é muito bem construída, o mundo é muito bem desenvolvido, a ação é tão intensa e visceral quanto à dos games anteriores. The Witcher 3: Wild Hunt tem suas falhas, afinal, nada é perfeito. Mas este é um dos casos em que as qualidades superam em muito os defeitos. É um jogo que merece estar na sua coleção e console.

Este review foi feito a partir de uma cópia digital do game The Witcher 3: Wild Hunt para Xbox One gentilmente cedida pela CD Projekt Red.