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“Fé em Monstros” é um dos encadernados que está na coleção de Graphic Novels da Marvel, lançada no Brasil pela Editora Salvat. Pensando em ajudar quem ainda tem dúvidas sobre a obtenção deste material, decidimos fazer uma série de reviews sobre cada edição da coleção. Confira:


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Depois da Guerra Civil, Ellis nos apresenta um novo elenco no time dos Thunderbolts. Agora, liderados por Norman Osborn, novo diretor dos Thunderbolts, o time é composto por Soprano, Venom, Mercenário, Homem Radioativo, Suplício, Espadachim e a líder de campo, Rocha Lunar.

Usando uma grande quantidade de propagandas por um programa financiado pelo governo americano, a Comissão de Assuntos Superhumanos goza de um apoio público nunca antes visto em qualquer uma das formações dos Thunderbolts, apesar de termos assassinos e psicopatas famosos no elenco atual. Mercenário é o único membro que tem sua presença mantida em segredo do público, ele é usado apenas em circunstâncias extremas.

Enquanto o time ganha a aceitação do público, os motivos da participação de cada membro estão longe de serem altruísticos. Tanto Venom quanto o Mercenário não desejam redenção ou a fama de super heróis, eles aceitaram o trabalho apenas para causar dor e sofrimento aos heróis que não querem se registrar no programa do governo. Ellis escolheu reverter tanto Rocha Lunar quanto o Espadachim para as suas formas mais vilanescas, ignorando as caracterizações dos times criativos anteriores. Ambos querem derrubar Soprano e Norman Osborn para benefício próprio, Rocha Lunar quer o controle dos Thunderbolts, enquanto o Espadachim quer o clone de sua irmã morta, que Osborn mantém.  Soprano e Homem Radioativo estão no time para evitar que o time torne-se apenas uma casca do que era o time antigo e tentar reinar entre monstros como o Mercenário e Venom. Suplício é o único membro do time que se alista em busca de redenção, ele está psicologicamente arrasado desde a destruição da cidade de Stamford na Guerra Civil, a sua penitência é ser membro deste time. Cada membro é “equipado” com uma nanotecnologia, com exceção de Suplício e Rocha Lunar, que garante que eles irão cumprir as ordens do governo. Caso eles saiam da linha, os nanorobôs são ativados e eles são paralisados ou até mesmo mortos.

penance

Resenha:

No primeiro arco, o time vai atrás de personagens como Aranha de Aço e  such as Jack Flag. Essas batalhas são divulgadas pelos meios de comunicação para trazer um lado positivo do time para o público, enquanto escondem momentos de horror como Venom comendo o braço do Aranha de Aço ou a luta entre o Mercenário e Jack Flag. As lutas ainda mostram ao público americano o quão perigosos podem ser os heróis não registrados e porque a América precisa de times como os Thunderbolts para policiar outros heróis. Esse aspecto político predomina ao longo da obra.

Uma das coisas que me deixa meio “chateado” é quando um autor começa a usar referências a obras já antigas, o que dificulta o entendimento, geralmente isso acontece com os materiais escritos por Grant Morrison, Thunderbolts traz algumas referências também, mas aqui a coisa é diferente. Ellis usa essas referências para aumentar a qualidade deste material. Seu texto faz com que personagens antigos e desconhecidos brilhem perante nossos olhos, trazendo nova vida a vários carinhas esquecidos pelo tempo, nos dando a impressão de que eles foram criados para essa história. Além disso, Ellis redefine os Thunderbolts, jogando fora  a ideia de vilões que querem a aceitação do povo, a redenção dos seus pecados, a consagração de serem chamados de heróis. Ellis traz uma nova motivação para cada personagem, o que deixa tudo mais interessante. Todos os subplots e personagens antigos foram substituídos pelo novo time de vilões “recrutados” por Ellise criando uma iniciativa sem igual.

É nesse ponto que está a força deste material. Apesar de ser chato saber que tudo que já foi criado antes foi jogado fora, não dá para não sentir prazer enquanto lemos esta obra. Você pensa: “cara, como eles não pensaram em algo assim para os Thunderbolts antes?”. Tudo fica mais crível, mais inteligente, mais interessante. Claro, o clima criado pela Guerra Civil ajuda demais aqui.

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Apesar de usar grandes vilões, como Venom e Mercenário, Ellis fez um trabalho memorável usando personagens menos conhecidos como Aranha de Aço e Águia Americana e vai mais longe fazendo deles verdadeiras ameaças ao time. Além disso, graças a esses personagens chegamos a uma das melhores cenas de luta que já vi em quadrinhos.

Devo avisar que o tom político está bem presente nesta obra. Umas das coisas que senti é que Ellis acaba nos dando sua visão pessoal enquanto conta a história por algumas vezes, claro, com relação ao governo americano. Porém, isso não traz nenhum impacto ao prazer de ter esse material nas mãos, visto que esta é uma das melhores obras desde Guerra Civil.

Não dá para falar da obra sem mencionar a excelente arte de Mike Deodato. Este é um dos melhores trabalhos de sua carreira, Ele traz um estilo muito mais realista quando comparamos aos seus trabalhos anteriores. Enquanto outros artistas preferem um trabalho estático com quadros grandiosos nas cenas de ação, Deodato traz cenas de luta fluídas e dinâmicas. Além disso, Ellis escolheu bem os vilões para formar o time de Thunderbolts e Deodato consegue fazê-los sombrios, dando a ideia de verdadeiras ameaças. Alguns personagens nunca estiveram tão ameaçadores. Além disso, uma coisa que chama a atenção é que Tommy Lee Jones é a base para Norman Osborn aqui. Eu achei isso muito legal, visto que na minha cabeça, quando lia as falas de Osborn imaginava o Tommy falando, uma experiência sensacional, tal qual quando vi o Nick Fury ultimate como Samuel L. Jackson.

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Por fim, Thunderbolts: Fé em monstros é mais do que recomendado para qualquer fã da Marvel e de quadrinhos. Considero como uma das melhores iniciativas desde Guerra Civil. Um trabalho recheado de bons momentos e puro entretenimento. Vale a pena!



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