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Os Miis, aqueles avatares carismáticos que estrearam no Wii em 2006, sempre ocuparam um lugar especial no ecossistema da Nintendo. Após o sucesso de Miitopia e o culto formado em torno do título original de 3DS, Tomodachi Life: Living The Dream chega ao Switch (e futuramente ao Switch 2) com a promessa de elevar o caos e a personalização a um novo patamar.

O jogo é, simultaneamente, a experiência mais pura da Big N e algo que você nunca esperaria de uma empresa tão focada em “conteúdo familiar”, permitindo que a bizarrice floresça em uma ilha onde tudo pode acontecer.

Diferente de simuladores mais estruturados, o novo Tomodachi Life é uma experiência majoritariamente passiva. Você não controla os Miis diretamente; você é o curador de um ecossistema social. A magia reside na imprevisibilidade. Em um momento, você está criando um Mii de si mesmo ou de sua família, e no outro, está vendo personagens baseados em celebridades e ícones da Nintendo falando sobre o cotidiano.

A criação de personagens recebeu um upgrade massivo. Embora a estrutura básica dos rostos ainda siga o padrão clássico, a nova ferramenta de pintura facial transforma o editor em um software de arte digital. Com camadas, filtros e a possibilidade de desenhar pixel por pixel, o único limite é a sua paciência. Porém, fica o aviso: se você optar por desenhar olhos e bocas customizados em vez de usar os presets, seus Miis perderão a capacidade de piscar ou de mover a boca ao falar, resultando em figuras que dormem com os olhos abertos.

Um dos pontos mais altos de Living The Dream é o cumprimento da promessa de inclusão da Nintendo. O jogo traz opções de relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo e identidades não-binárias foram integradas de forma natural. Isso expande as possibilidades narrativas da ilha, permitindo que cada jogador crie uma comunidade que realmente reflita sua realidade.

Apesar do brilho inicial, o jogo sofre com um problema herdado de seu antecessor: a repetição. O ciclo de jogabilidade envolve alimentar seus Miis, resolver pequenos problemas (como um Mii que ficou “congelado” ou que precisa de um espirro) e jogar minigames simples, como boliche humano ou quizzes de silhueta.

Nas primeiras 10 horas, cada interação é uma surpresa. Após 30 horas, você se pegará rolando os olhos ao ver a mesma animação de um Mii pedindo ajuda pela 15ª vez. O progresso é ditado pelo nível da ilha, que sobe conforme você faz os habitantes felizes, desbloqueando lojas e novos itens. Chegar ao nível 100 é um objetivo claro, mas o caminho até lá se torna burocrático, transformando o que deveria ser diversão em uma obrigação diária.

A decisão mais polêmica da Nintendo em Living The Dream foi a remoção total de recursos sociais. No 3DS, era comum compartilhar Miis via QR Codes ou postar capturas de tela hilárias. Entende-se que, devido à falta de censura nas caixas de texto, a empresa queira evitar que conteúdos ofensivos circulem com sua marca.

Contudo, para um jogo que vive de momentos virais e bizarros, não ter uma forma oficial de compartilhar as loucuras da sua ilha cria um vazio imenso. Você terá momentos de chorar de rir sozinho, sem poder mostrar para ninguém, a menos que tire uma foto da tela com seu celular.

Além disso, o limite de habitantes caiu de 100 para 70 Miis. Embora gerenciar 70 personagens ainda seja trabalhoso, é um retrocesso técnico difícil de justificar em um hardware mais potente que o portátil de 2014.

Tomodachi Life: Living The Dream é um jogo que brilha ainda mais para quem tem criatividade para “fabricar” seu próprio caos. Ele entrega o simulador mais engraçado do mercado, mas tropeça ao isolar o jogador em uma experiência sem conectividade. Se você busca algo para jogar em sessões curtas e quer dar boas risadas com o absurdo, a ilha está pronta para te receber.

Tomodachi Life: Living the Dream
  • Desenvolvedora: Nintendo
  • Publisher: Nintendo
  • Plataformas: Nintendo Switch, Nintendo Switch 2
  • Review feito no: Nintendo Switch 2
Positivo
  • Ferramentas de personalização e pintura facial extremamente robustas.
  • Sensação de progressão recompensadora ao desbloquear novos itens e lojas
  • Inclusão
Negativo
  • Repetição de diálogos e situações acontece rápido demais
  • Redução no limite máximo de Miis na ilha (apenas 70)
  • Alguns minigames são simples demais e perdem a graça após poucas tentativas
Nota 8
Sou o Fundador do site Ovicio, Overplay e Muramasa. Fui idealizador e Game Designer do jogo Vencedor da DemoNight no BIG Festival 2014, o Jotunheim Project. Escolhido como Jurado do Anime Awards em 2024 e 2025. Amo games, sou fã de God of War, Dragon Quest, Fire Emblem, The Legend of Zelda e Pokémon. Coleciono livros, quadrinhos e guitarras.