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Quem acompanha o site há algum tempo, sabe todo o fascínio e carinho que possuo por jogos de estratégia. E, acompanhado disso, também há uma grande exigência sobre como o jogo consegue entregar seus elementos de estratégia e também a quantidade de camadas que ele pode oferecer, alinhando tudo isso à história.

Pois bem, é com grande satisfação que já começo este review deixando claro que Unicorn Overlord foi capaz de superar todas as minhas expectativas, entregando uma das melhores experiências do gênero nos últimos anos.

O jogo é descrito como um RPG Tático e é desenvolvido pelos mesmos responsáveis de 13 Sentinels: Aegis Rim, um jogo espetacular. E eles se superam aqui. Em Unicorn Overlord, temos um impressionante sistema tático que traz elementos medievais de fantasia. No jogo, você começa recrutando vários membros para seu exército e passa a ter batalhas para conquistar diferentes partes do mapa enquanto avança para livrar os países do controle de um tirano.

Ok, no caso, a história e background são bem clichês, mas ainda assim, muito bem escrita e desenvolvida. Você assume o papel de um príncipe que herdou a missão de resgatar os 5 reinos de Fevrith e, no caminho, encontrará muitas batalhas, inimigos e aliados. Além de ter que tomar decisões que irão reverberar no futuro.

De início, as batalhas seguem a receita básica de vencer um boss no mapa ou capturar um local inimigo. A partir daí, você precisará invocar unidades gastando Valor Points e levar essas unidades no mapa. Você ganha Valor Points ao vencer inimigos ou capturar construções inimigas. E os Valor Points também podem ser gastos nas habilidades especiais dos personagens, chamadas de Valor Skills.

Além disso, cada unidade possui uma quantidade determinada de Stamina, que gastará um ponto sempre que uma ação for feita. Caso a Stamina chegue a zero, a unidade não poderá se mover ou atacar, embora ainda possa se defender dos ataques inimigos.

O mais interessante é que isso geralmente aconteceria em uma batalha de turnos, certo? Errado. Em Unicorn Overlord, as batalhas acontecem em tempo real no mapa e o tempo sempre é pausado enquanto você determina suas ações. Ainda assim, por ter tempo, temos uma camada ainda mais perigosa nas batalhas, afinal, caso o tempo esgote, você terá perdido.

Logo, boa parte da estratégia também acontece fora da batalha. Pois cada unidade pode comportar um grupo de personagens e a combinação desses personagens na unidade pode determinar a vitória ou derrota de seu exército. Vale dizer que o líder da unidade também tem grande importância, já que ele oferece determinados bônus para seu grupo.

Ficou complicado? Pois é, funciona melhor enquanto você está jogando. Acontece que o game possui um sistema muito complexo de classes, unidades e exército. Cada unidade é formada por um grupo de guerreiros divididos em duas linhas, a primeira é do corpo a corpo, enquanto a linha de fundo geralmente é ocupada por personagens de suporte ou ataque à longa distância. A forma de organização da unidade importa bastante. Cada unidade comporta até 6 guerreiros (você precisa dar upgrade na unidade para conseguir isso).

Porém, cada guerreiro possui uma classe, tais como magos, cavaleiros e gladiadores. Cada classe possui suas vantagens: exemplo, os Cavaleiros são atingidos facilmente pelos Lanceiros, enquanto os Arqueiros podem ser vencidos facilmente por ataques corpo-a-corpo, mas possuem vantagem contra as montarias aéreas. Assim, ter maior diversidade de classes dentro de uma unidade faz total diferença para a vitória ou derrota.

Pronto, explicados esses pontos, imagine agora tudo isso misturado em uma batalha gigante que acontece dentro dos mapas. Obviamente, o posicionamento de suas unidades também importará, já que as unidades que possuem magos ou arqueiros ainda podem atacar à distância como um golpe de assistência para ajudar aliados que estejam dentro do seu círculo de alcance (desde que o inimigo também esteja).

Neste ponto, vale dizer que não só os mapas, mas todas as batalhas são muito bem projetadas, requerendo que você tenha muito cuidado e pensamento para poder vencer e fazer melhor uso de seus soldados. Ao longo do caminho, você descobrirá novas interações entre diferentes unidades, classes e inimigos e isso é a grande magia deste jogo.

Em alguns momentos, as construções do mapa, relevo e até clima irão influenciar nas batalhas, fazendo com que seus planos sejam constantemente alterados (ou questionados). E eu realmente me apaixonei pela forma como este jogo te incentiva a pensar de forma estratégica para buscar a vitória.

Não se preocupe, o começo do jogo é bem cadenciado, seguindo um ritmo muito bem estruturado para que você aprenda mais e possa evoluir junto ao seu personagem. Depois de cerca de 10 horas, as coisas começam a esquentar e você realmente verá o desafio.

Talvez, o único ponto que tenha me deixado menos empolgado com o jogo é seu protagonista, Alain. Ele acaba sendo eclipsado pelos diversos e interessantes personagens presentes em seu exército, que possuem mais nuances e carisma do que o príncipe. Alain acaba sendo tão justo, reto e maduro, que se torna meio chato, além de seus poderes serem menos úteis do que os de seus aliados. Ainda assim, a história é bacana e traz uma narrativa legal.

Unicorn Overlord traz um sistema tático muito bem pensado e projetado, brindando o jogador com desafios e muita emoção nas batalhas. Em minha opinião, é um dos melhores jogos de estratégia desta geração, contando com um estilo de arte único e um excelente fator de replay. Por fim, customizar seu exército é algo extremamente divertido e eu acredito que este é um game imperdível.

Unicorn Overlord
  • Desenvolvedora: Vanillaware
  • Publisher: SEGA
  • Plataformas: PS4, PS5, Nintendo Switch, Xbox Series X/S
  • Review feito no: Nintendo Switch
Positivo
  • Sistema complexo
  • Muito desafio
  • Um dos melhores games de estratégia dos últimos anos
Negativo
  • Narrativa e história são básicas demais
Nota 9
Sou o Fundador do site Ovicio, Overplay e Muramasa. Fui idealizador e Game Designer do jogo Vencedor da DemoNight no BIG Festival 2014, o Jotunheim Project. Escolhido como Jurado do Anime Awards em 2024 e 2025. Amo games, sou fã de God of War, Dragon Quest, Fire Emblem, The Legend of Zelda e Pokémon. Coleciono livros, quadrinhos e guitarras.


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