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Um homem que não bebe há anos, de repente se encontra embriagado e incapaz de manter sua compostura na hora mais inoportuna. Uma mulher conhecida por seu autocontrole, acaba se deixando levar, como nunca antes. Antigos aliados acabam se atacando, deixando apenas morte e destruição em seus caminhos. Para um time que salva a humanidade dos dias mais sombrios, “Vingadores: A Queda” é a própria escuridão.

É interessante notar como Bendis usa esta HQ para esmagar elementos já estabelecidos e tirar o leitor de sua zona de conforto. Em uma sequência de tirar o fôlego, vemos membros clássicos dos Vingadores serem destruídos, assim como suas reputações. As coisas acontecem de forma tão rápida e tão juntas que mal dá para sentir pena, dor ou perda. É como se o leitor entrasse em estado de choque… a ficha demora para cair.

Vingadores: A Queda” começa com impacto. Vemos a Mansão dos Vingadores passando por seus piores momentos. Scott Lang, o Homem-Formiga, é uma das primeiras vítimas da história. Do outro lado da cidade, Tony Stark está na ONU e, de forma misteriosa, fica bêbado e quase mata um diplomata de Lavtéria. Antes dos Vingadores se prepararem para qualquer coisa, Visão derruba a Mansão e libera um grupo de Ultrons que começam uma batalha violenta.

O caos se espalha e a Mulher-Hulk perde o controle, atacando seus próprios aliados. Amigos enfrentam amigos, Tony Stark tenta se defender das acusações de que ele voltou ao vício. Logo, a S.H.I.E.L.D. e um pequeno exército de ex-Vingadores chegam no lugar e encontram uma invasão Kree em Nova York. O Gavião Arqueiro termina a batalha ao se sacrificar em um ato heróico. Os Vingadores ficam espantados pela quantidade assustadora de eventos em cadeia, mas o que poderia ter começado tudo isso? Qual a relação entre eles?

O artista David Finch consegue traduzir as cenas de ação de forma bem capaz, dando ares de uma adaptação blockbuster para os quadrinhos, mas a força do artista está nos detalhes, ele traz compelxidade aos uniformes e cenários, fazendo com que você mova os olhos lentamente através dos painéis, em busca de verificar cada pixel. Uma página dupla em que vemos os Vingadores enfrentando a Armada Kree mostra uma das peças mais poderosas criadas por Finch. As cores de Frank D’Armata capturam bem o inferno instaurado na vida dos Vingadores.

Tudo muda no quarto capítulo, onde o Doutor Estranho revela a origem do pandemônio que assola os Vingadores. Em duas páginas, Doutor Estranho revela todo o mistério enquanto os Vingadores ouvem atentamente, como se fosse em um momento daqueles famosos livros de detetive. As páginas são recheadas de imagens clássicas. Porém, o pior ainda está por vir. Apesar de terem solucionado o caso, os Vingadores não possuem mais nada.

No epílogo, Bendis desacelera o ritmo alucinante da história. É aqui que a ficha cai. As 36 páginas finais caem como uma bomba na cabeça do leitor e fazem com que essa história ganhe o coração que ela merece. Logo na abertura, temos Hank e Jan encarando a Mansão destruída. Lá dentro, os antigos Vingadores sentam em uma mesa e falam sobre os seus melhores dias. Vemos grandes momentos da equipe reimaginados por vários artistas.

As últimas páginas de Perez trazem uma economia de palavras de Bendis, mas possuem bastante emoção. Os heróis brindam aos seus aliados caídos, antes de se encontrarem com os cidadãos de Nova York, que não esqueceram deles. De forma triste, a equipe de heróis conhecida por “Vingadores” chega ao fim. Uma HQ que vale a pena por seu valor histórico, pois, para construir uma nova fase para a equipe, Bendis decidiu desconstruir tudo e, dessa forma, conseguiu restaurar o merecido destaque da equipe no Universo Marvel. O título faz parte da Coleção de Graphic Novels da Salvat (clique aqui para ver a lista completa).

Sou o Fundador do site Ovicio, Overplay e Muramasa. Fui idealizador e Game Designer do jogo Vencedor da DemoNight no BIG Festival 2014, o Jotunheim Project. Escolhido como Jurado do Anime Awards em 2024 e 2025. Amo games, sou fã de God of War, Dragon Quest, Fire Emblem, The Legend of Zelda e Pokémon. Coleciono livros, quadrinhos e guitarras.