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Wolverine está diferente. Ele não é nada parecido com o Wolverine que conhecemos. Está mais velho, mas a mudança vai além das rugas. Nós não entendemos exatamente o que aconteceu com o herói quando a história começa. O escritor Mark Millar usa seu talento em “Wolverine: O Velho Logan” para nos mostrar um herói que desceu ao ponto de não sobrar mais nada do que uma velha carcaça do que ele foi um dia. Ainda que no começo não dê para saber o que houve, fica claro que Logan desistiu de lutar e de ser o melhor no que ele faz. Ele decide ter uma vida tranquila e pacífica, longe da violência que o definia por boa parte de sua vida.


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Eu sei, eu também acho curiosa uma sinopse dessas, principalmente para um protagonista tão associado à ferocidade e um escritor tão adepto e famoso por histórias violentas. Mas não se preocupe, Millar acha o momento certo para encher as páginas de sangue ao longo dos oito capítulos em que transcorre esta história. Em “O Velho Logan” Millar traz uma das melhores histórias de Wolverine. O roteiro é leve, tanto em história quanto em diálogo, mas o autor consegue preencher cada capítulo com sua visão e a sensação de estarmos vendo um filme (o que acabou gerando o filme ‘Logan’ anos mais tarde) Mas aqui temos a aparição de personagens clássicos, ótimas sequências de ação e não há como não gostar dessa história. Qualquer um interessado em uma boa história de ação e aventura deve dar uma lida em “O Velho Logan”.

Devo deixar claro que o foco da história não é a viagem de Wolverine e Gavião Arqueiro para entregar um pacote, na verdade, isso é só o gancho para nos contar a aventura de dois velhos companheiros. Mas não é só de um ótimo plot que vive o “O Velho Logan”, este é um material para entreter os leitores que estão sedentos por uma boa história. A verdadeira viagem nesta história é a interna pela qual Logan passa.

“O Velho Logan” acontece 50 anos no futuro onde os vilões da Marvel, depois de uma batalha decisiva, dominam os Estados Unidos e o dividem. É nessa nova América em que vive Logan, longe da vida que conhecíamos antes. Logan não tem mais sua fúria, seu traje, não vive e nem luta mais pelo sonho de Xavier. O antigo herói agora vive em uma fazenda, com sua esposa Maureen e seus filhos Scotty e Jade (Logan é nostálgico). Porém a paz do lugar acaba quando aparecem as autoridades da região, uma gangue dos descendentes de Bruce Banner, uma gangue de Hulks, quando eles aparecem é que vemos como Logan mudou.

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Com a base já estabelecida, a história começa mesmo quando um velho amigo de Logan, o Gavião Arqueiro, aparece com uma proposta: entregar um pacote para a Costa Leste em duas semanas por um pagamento de 500 dólares. Com isso, juntamos um Gavião Arqueiro cego e um Wolverine acabado e sofrido. E como essa dupla de antigos heróis viaja da Costa Oeste para a Costa Leste? Eles vão no Spider-Mobile! Uma das várias referências presentes na obra para lembrarmos dos antigos heróis, ainda temos outros veículos e armas, mas o Jeep do Homem-aranha torna-se parte central da história. O que é incrível é que Millar faz uso de um dos objetos mais ridículos do Universo Marvel e faz dele algo realmente legal. Sério.

Com tempo suficiente para um desvio, o Gavião Arqueiro faz um pit stop em Las Vegas para cuidar de alguns assuntos pessoais, onde a dupla acaba encontrando problemas. Assim, temos aquilo que define o ritmo do resto da história em que vemos um Logan que não quer mais ser chamado de Wolverine e um Gavião Arqueiro (que prefere ser chamado assim), os dois parecem estar em um filme de Clint Eastwood. É interessante notar que Wolverine não quer mais lutar e nem liberar suas famosas garras.

Nos primeiros capítulos, Millar enche nossos olhos com várias referências: Mjolnir, um Fantasticarro, Moloids, Ultron e dúzias de outros personagens e artefatos que poderiam até preencher o universo Zumbi da Marvel, por darem aquela noção de mundo destruído. Chega a um ponto onde o Gavião Arqueiro exige que Logan conte o motivo dele não lutar mais e somos apresentados ao dia mais escuro do herói, sua maior falha. Quando tudo está dito e feito, Millar explica e nos convence com o motivo pelo qual Wolverine tornou-se um recluso e deixou tudo para trás, principalmente por saber que ele nunca poderá desfazer o dano feito. Há um momento em que começam a aparecer dinossauros e aí você pensa: Opa, Millar forçou um pouco. Mas chega o capítulo seguinte e ele explica em uma breve sentença o motivo dos dinossauros estarem espalhados nos Estados Unidos e tudo faz sentido. Afinal, estamos falando do Universo Marvel e essas coisas existem e são perfeitamente possíveis lá.

“O Velho Logan” desenvolve-se rapidamente com um ótimo roteiro. O artista Steve McNiven ganha toda a liberdade para imaginar o universo Marvel em um futuro perturbador. McNiven faz um ótimo trabalho com o Logan e Gavião Arqueiro envelhecidos, os caras parecem até dois maracujás, cheios de rugas e tal, mas são maracujás de qualidade (porque o desenho é bom mesmo). São nos detalhes (como esses) que McNiven brilha e enche nossos olhos. Desde a abertura onde vemos um Wolverine derrotado desaparecendo na floresta até o banho de sangue poético, McNiven cuida de cada painel, sempre dedicando-se aos mínimos detalhes. Além disso, McNiven sabe bem como criar cada quadro, a posição da “câmera”, o que combina muito com o senso de Millar de fazer de cada história como se fosse um filme. Uma das cenas mais incríveis, talvez a mais memorável, traz o gigante cadáver de Hank Pym espalhado por Connecticut.

Millar é um showman e ele sabe prender o leitor e mantê-lo atento ao seu roteiro. O Velho Logan é um conto grandioso, violento e foca em entreter o leitor, com sucesso. E para ser franco, toda vez que eu releio esta história eu penso: Cara, como isso é legal!  É um material que recomendo e que você deve ler.

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Wolverine: O Velho Logan
Escrito por: Mark Millar
Arte: Steve McNiven
Editora: Marvel Comics
Data de publicação original: Junho de 2008
Páginas: 224



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