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Depois de 13 anos e sete jogos, a saga de Kiryu Kazama chega (quem sabe) ao seu fim. Em Yakuza 6, o jogador mias uma vez está no controle do protagonista da série, desta vez precisando descobrir o que aconteceu com a pessoa mais cara ao personagem, sua filha adotiva Haruka. Acumulando uma história de vários jogos e de toda a construção da lenda do submundo que é o Dragão de Dojima, o jogo traz tudo o que um fã da série poderia querer em ver em um título da série, no entanto, essas mesmas características podem acabar afastando jogadores iniciantes, que não tenham paciência para se debruçar na obra.

O jogo começa onde o seu anterior parou, no entanto, não fica lá por muito tempo. Kiryu é mais uma vez preso e decide que esta será a última vez. Abandonará o mundo do crime para poder ficar ao lado de sua filha adotiva Haruka e do orfanato que gerencia. No entanto, após cumprir pacientemente sua pena, Kiryu descobre que Haruka saiu de casa e está desaparecida, jornada que o levará de volta à região de Kamurocho e a lidar com seu passado.

Tudo isso é apresentado numa longa sequencia de cutscene com quase uma hora. Cheia de referências a eventos, lugares, personagens, além de usar recursos de flashback e flashfoward. Uma abertura grandiosa para os fãs da série, que verão a história do jogo ser muito bem fundamentada no passado da série enquanto apresenta a nova premissa. Para os novos jogadores, no entanto, pode ser uma longa sequencia de elementos desconhecidos e não explicados enquanto se espera o momento do gameplay que o jogo promete. A demora, no entanto, é recompensada, e a obra apresenta uma jogabilidade tanto bem construída quanto divertida.

Finalmente livre para percorrer as ruas de Kamurocho em busca de Haruka, a primeira coisa que se nota é o quão bem montado é o lugar. Realmente parece algo saído de uma cidade japonesa, cheio de movimento, cores, propagandas e todo tipo de estabelecimento. Se imersão é o que Yakuza buscava, isso certamente foi conseguido. Mesmo apresentando um mapa pequeno em comparação com jogos de mundo aberto, é o bastante para este novo título da Sega, e uma forma muito digna de se apresentar locações que há muito fazem parte do cânone do jogo há mais de uma década.

Quando começa a liberdade do gameplay, todo o problema da longa introdução se desfaz. Andando pelas ruas do distrito, é possível encontrar grupos de meliantes, bandidos e gangsteres, e mesmo que não tenha muito função na história, acaba sendo muito divertido confrontar esses inimigos. Isso acontece porque Yakuza 6 oferece um combate muito bem montado, dinâmico e ágil. Além dos vários golpes, Kiryu pode usar uma série de armas improvisadas para despachar seus adversários e se valer do próprio ambiente para finalizações exageradamente cinemáticas, mas muitíssimos gratificantes. Esses momentos de confrontos aleatórios acabam sendo rápidos e até mesmo relaxantes, o que faz com que passem longe de serem estorvos.

Os conflitos contra chefes acabam seguindo outra pegada. Costumam ser mais longos, cheios de animações únicas e acontecendo nas mais variedades de ambientes. Seja em um esgoto ou em um berçário, Kiryu precisa enfrentar indivíduos excepcionais, cheios de técnicas únicas e dinâmicas de combate completamente diferente. Não é exagero dizer que o jogo é moldado em torno desse tipo de conflito estilo “chefão”, pois os combates épicos são a marca registrada do jogo e também os seus momentos de maior brilho, e nesse campo, conseguem fazer toda a questão com muito acerto.

https://www.youtube.com/watch?v=EBmuG0U19oM

Mas, é claro que nem só de porradaria vive o jogo. Yakuza tem uma história coesa e divertida, com vários momentos que misturam seriedade a um humor discreto que divide lugar também o clássico humor escrachado japonês. Tudo acontece na medida certa, sem nunca se exagerar para nenhum lado. E o jogo vai levando sua trama com grande domínio do ritmo narrativo, mesmo que apresente uma série de personagens, novos e velhos, com suas próprias características e personalidades reconhecíveis.

Yakuza 6 é uma obra muito competente, que agradará aos fãs inveterados logo de início, enquanto pode vir a conquistar os novatos com o tempo. Trazendo belas cutscenes, combate divertido e uma ambientação imersiva nos distritos de Kamurocho e Onomichi, o jogo tem tudo para conquistar novos fãs e matar a saudade dos jogadores antigos.

Murilo Oliveira, também conhecido como Muriloverso, é jornalista e redator-chefe do site O Vício. Comandando o canal homônimo no YouTube, ele compartilha sua paixão por cultura pop, trazendo análises, curiosidades e conteúdo geek com uma abordagem única e carismática.