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Se existe um “ponto de atrito” histórico na recomendação da saga do Kiryu, podemos dizer que este seria Yakuza 3. Não porque a história seja fraca, muito pelo contrário, mas porque o jogo original (2009) carrega uma idade mecânica que dói em 2026: combate travado, inimigos defensivos demais, ritmo irregular e aquela sensação de estar voltando várias gerações no tempo logo depois de capítulos mais modernos. A proposta de Yakuza Kiwami 3 é justamente resolver esse problema com uma reconstrução completa e, de quebra, a SEGA e o Ryu Ga Gotoku Studio ainda colocaram no pacote um segundo jogo, Dark Ties, focado no antagonista Yoshitaka Mine, como uma campanha paralela com identidade própria.
O resultado não é “só um tapa no visual”. É uma tentativa clara de reabilitar Yakuza 3 no ranking afetivo da comunidade, modernizando o que envelheceu mal sem amputar aquilo que fazia esse capítulo ser especial: a mudança de tom, o calor humano de Okinawa e o contraste entre o Kiryu “pai de família” e o submundo insistindo em puxá-lo de volta.
Yakuza Kiwami 3

A primeira vitória do remake é imediata: Okinawa finalmente parece um lugar, não apenas um hub funcional. O cenário é familiar, mas a ambientação ganha densidade, detalhe e energia. Essa região sempre foi importante por ser o “respiro” do Kiryu, e agora esse respiro tem presença, com ruas mais cheias e mais chances de a cidade virar palco para esquetes cômicas típicas da série (inclusive em sub-histórias clássicas que retornam com variações e surpresas).
Combate: a mudança que mais importa
O Kiwami 3 trata o combate como prioridade número 1, e faz sentido: era aqui que o jogo original mais afastava gente.
O Kiryu agora alterna entre dois estilos. Um deles preserva a “assinatura” do Dragão de Dojima, aquele jeitão de porrada direta, agarrões, contra-ataques e abuso criativo do cenário. O outro é a grande novidade e também o maior tempero do remake: o Ryukyu Style, inspirado em artes marciais e armas tradicionais de Okinawa, com golpes que misturam entradas rápidas, mudanças de cadência e combos que parecem coreografados para serem exagerados do jeito que só a franquia Yakuza sabe ser.

O mais legal é como o estilo Ryukyu brinca com o “arsenal” sem virar menu: as armas ficam integradas ao fluxo de ataque, e o jogo incentiva alternar ritmo (toques vs. ataques carregados) para trocar o instrumento no meio da sequência. Na prática, isso faz o combate parecer mais maleável e menos “bate até quebrar guarda”. E sim, é visualmente absurdo ver o Kiryu emendar suas armas quase como se fosse um personagem de game de luta, mas “absurdo” aqui é elogio.
O Ryukyu Style também conta com uma lista variações como sai, nichogama, tonfa, tekko, nunchaku, eiku e surujin. Isso bate com a sensação de kit bem mais amplo do que o de Yakuza 3 antigo.
Além do combate, o remake herda ideias recentes da franquia, como ferramentas de locomoção e sistemas de interação que deixam a exploração mais leve. A vibe é “pegar o que funcionou nos títulos novos e encaixar em Okinawa”, sem transformar o jogo num parque temático descaracterizado.
E aí entra um detalhe que parece pequeno, mas é muito a cara da série: customização do celular. É o tipo de coisa que não muda o mundo, mas muda a personalidade do playthrough, e Like A Dragon vive desses caprichos que te fazem rir sozinho.
Dark Ties

A parte mais surpreendente é Dark Ties, onde podemos acompanhar Mine antes de Yakuza 3, explorando a ascensão dele e o vazio existencial que o empurra para procurar pertencimento dentro da Tojo Clan.
No controle, Mine se diferencia bem do Kiryu. O estilo dele puxa para trocação técnica, com golpes mais elásticos e uma agressividade que nasce de precisão, não de força bruta. O gancho mecânico aqui é o Dark Awakening, um modo de poder ativado ao “consumir” cargas acumuladas durante os combos, liberando moves mais violentos e um aumento claro de dano.
Dark Ties também entrega uma boa variedade de atividades, sub-histórias próprias e aquela sensação de bairro vivo que sustenta a série. O que enriquece bastante a gameplay.
O pacote inteiro tem cara de “correção histórica”: pegar um capítulo narrativamente importante, mas mecanicamente cansado, e fazê-lo finalmente conversar com o padrão moderno da franquia. Este remake sabe bem pegar o drama e calor humano do jogo original sem alongar demais as partes mornas, tornando-se um produto muito mais atraente.
No fim, tenho que admitir: o estúdio sabia muito bem das críticas do game original e lutou para fazer grandes mudanças. Ou seja, ainda que eles estivessem seguindo a linha de retrabalhos da franquia, Yakuza 3 precisava desse tratamento.
- Desenvolvedora: Ryu Ga Gotoku Studio
- Publisher: SEGA
- Plataformas: PS4, PS5, Xbox Series X, PC, Nintendo Switch 2
- Review feito no: PS5
- Também testado no: ps portal
- Combate revitalizado
- Okinawa agora parece mais densa
- Dark Ties é muito bom




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