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A chegada de Yakuza Kiwami e Yakuza Kiwami 2 ao Nintendo Switch 2 marca mais um capítulo na rápida expansão da franquia no novo console da Nintendo. Depois do excelente Yakuza 0: Director’s Cut, a expectativa natural era ver o mesmo nível de cuidado aplicado aos dois remakes que redefiniram a identidade moderna da série.
O resultado, porém, revela um contraste curioso: ao mesmo tempo em que ambos preservam com carinho a essência das obras originais, oferecem experiências técnicas distintas e deixam claro como o peso de anos de evolução do Ryu Ga Gotoku Studio moldou cada projeto. Este review aborda cada jogo individualmente, respeitando suas particularidades, afinal, Kiwami e Kiwami 2 ocupam papéis complementares, mas muito diferentes, dentro da própria história da franquia.
Yakuza Kiwami sempre foi pensado como ponto de entrada. O remake reconta a jornada de Kazuma Kiryu entre 1995 e 2005, reimaginando o primeiro Yakuza com novas camadas dramáticas, melhorias mecânicas e um conjunto de pequenas modernizações que o tornam muito mais agradável de revisitar.

No Switch 2, esse retorno a Kamurocho ganha uma suavidade inédita: o salto técnico é imediato. A performance cravada em 60fps, tanto no dock quanto no portátil, transforma a movimentação pelas ruas, os combates e até mesmo os minigames em algo muito mais fluido que no Switch original. A resolução aprimorada também deixa o visual mais próximo do que vimos em Yakuza 0: Director’s Cut, com texturas limpas, iluminação mais estável e resultados que surpreendem para um remake baseado em um jogo de 2005.
Mas Kiwami continua sendo, sobretudo, um drama criminal sobre lealdade perdida e redenção. O arco envolvendo Haruka, a turbulência do Clã Tojo e a própria queda de Kiryu seguem tão impactantes quanto há duas décadas. A estrutura de missões, o tom melodramático e a mistura explosiva de violência brutal com humor absurdo permanecem intactos, assim como deve ser.
Além disso, revisitar o lendário modo Majima Everywhere continua irresistível. A forma como o jogo injeta Goro Majima em praticamente qualquer momento do cotidiano de Kiryu permanece hilária e imprevisível, criando um contraponto caótico ao enredo sério do jogo.
Claro, o jogo carrega limitações herdadas de sua própria época. Alguns chefes contam com barras de vida infladas, certas missões secundárias ainda seguem fórmulas antigas e a progressão das habilidades mostra sinais de envelhecimento. No entanto, nada disso compromete o fato de que Kiwami, no Switch 2, chegou à sua versão mais agradável e estável.
Se Kiwami mostra as raízes, Yakuza Kiwami 2 exibe a flor completa da evolução da série. Construído originalmente na Dragon Engine, o remake já nasceu cinematográfico e o Switch 2 consegue preservar grande parte dessa ambição estética.
Os modelos de personagens continuam impressionantes, e detalhes como as cicatrizes de Ryuji Goda, as expressões faciais carregadas de intensidade e a iluminação refletida no rio de Sotenbori ganham ainda mais vida no novo hardware. A densidade das ruas, a quantidade de NPCs e o nível de detalhe das vitrines e placas de neon continuam um espetáculo à parte.
A contrapartida é inevitável: Kiwami 2 roda a 30fps no Switch 2. É um frame rate estável e consistente, mas fica perceptivelmente abaixo da fluidez de Kiwami e Yakuza 0. Depois de alguns minutos, o estranhamento desaparece, afinal, o mérito da estabilidade geral e da forma como a Dragon Engine sustenta a ação, mas a diferença é real e impacta a comparação direta.
No restante, o jogo continua uma montanha-russa emocional. O conflito entre Kiryu e Ryuji Goda é um dos duelos narrativos mais fortes da saga, e a expansão da história, das cidades e da jogabilidade oferece uma experiência mais moderna, variada e cinematográfica.
A ausência das múltiplas escolas de combate dá lugar a um sistema mais direto, com upgrades mais simples e batalhas mais pesadas e coreografadas. Mesmo sem a variedade de estilos, a sensação de impacto permanece excelente, especialmente com o arsenal gigantesco de armas e itens disponíveis.
E claro, há os minigames de respeito, contando com fliperamas com jogos completos da Sega, karaokê e até a famosa competição de… fazer xixi. A Dragon Engine dá vida a tudo isso com naturalidade quase assustadora. E o conteúdo extra com Majima, embora curto, segue sendo um bônus valioso, especialmente para quem é fã do personagem.
Para novos jogadores, o pacote Kiwami + Kiwami 2 é uma porta de entrada sensacional. As localizações em vários idiomas foram finalmente corrigidas após os problemas vistos em Yakuza 0 Director’s Cut, e isso remove uma das maiores barreiras para iniciantes.
Para veteranos, o valor está em revisitar essas histórias na melhor versão portátil existente, mesmo que não haja novas cenas ou conteúdos inéditos. Quem busca novidades ficará decepcionado; quem só quer reviver dois clássicos de forma mais prática ficará plenamente satisfeito.
O review foi feito com chaves fornecidas pela assessoria de imprensa da SEGA
- Desenvolvedora: Ryu Ga Gotoku Studio
- Publisher: SEGA
- Plataformas: Nintendo Switch 2
- Review feito no: Nintendo Switch 2