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Diversidade e diversão!

CASCÃO: TEMPORAL, DE CAMILO SOLANO
Muita gente não curte o Cascão por ele ser um símbolo brasileiro da sujeira e do fedor, mas vamos dizer a verdade e contar pra eles que ele é o personagem masculino mais legal da Turma do Bairro do Limoeiro? Pois eu acho, só perde mesmo para a Magali, que é uma menina, e meninas são muito mais legais que meninos também. A prova de que o Cascão é mais legal que o Cebolinha ou a Mônica é que diferente dos outros que são “limpinhos” em todos os casos, perfeitinhos, sem defeitos muito absurdos, o Cascão é gente como a gente. Porque tem muita gente que foge do banho, que não bebe água, mas o Cascão é gente como a gente porque diferente dos seus colegas limpinhos. Ele tem paixões fortes que o caracterizam: é a sua paixão por histórias em quadrinhos, pelo futebol e pelas brincadeiras, fazendo com que as histórias dele não sejam apenas calcadas na sua sujeira ou aversão à água. Não são histórias que giram em torno de poder e conquista como as do Cebolinha e da Mônica, mas são histórias em como se tornar cada vez mais humano. Então é isso, esse trabalho do Camilo Solano para o Cascão é mais uma daquelas histórias que nos fazem sentir parte dela, ou seja, ser feito do mesmo material das histórias: a humanidade que nos une a todos.

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MINHA EXPERIÊNCIA LÉSBICA COM A SOLIDÃO, DE KABI NAGATA
o final das contas e no final da leitura deste mangá eu gostei muito do que li. Valeu completamente o meu investimento nele. isso que comprei ele duplicado sem querer. Minha Experiência Lésbica com a Solidão, de Kabi Nagata, é uma narrativa em quadrinhos que tem muito a ver com a minha geração de pessoas queer, que cresceu achando que qualquer coisa ligada a sua sexualidade é errado. Também é uma geração que cresceu achando que devia cumprir exatamente com as expectativas que os pais, exigentes pra caralho, tinham sobre elas, o tempo todo. Mas imagine, então, que você é uma menina e uma menina japonesa, vivendo num país onde essas exigências de perfeição e de manter um comportamento socialmente adequado são levadas até as últimas consequências. Neste mangá autobiográfico, é mostrado o sofrimento de uma menina que não sabia que problema dela se encontrava em não desenvolver sua sexualidade, que acabou só se encontrando na vida e na sua sexualidade depois dos trinta anos. Uma narrativa bastante triste e doentia de como a sociedade e nossos parentes, principalmente, podem nos tornar seres inaptos e ineptos para conviver com os outros, nos isolando frequentemente e cada vez mais, tudo porque nos fizeram crer que não somos adequados ou dignos de vivem em conjunto por causa de uma ou outra característica que nos difere daquilo que é considerado “normal”.

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TRAVESTI POR MIRCEA CATARESCU, DE EDMOND BAUDOIN
Não conheço e nunca havia ouvido falar da obra original que se transformou em quadrinhos neste álbum, Travesti, de Mircea Cărtărescu. Adaptado pelo francês Edmond Baudolin, o título em francê do livro era Lulu. O nome Lulu me lembra Lola, da música do The Kinks, em que um menino tem suas primeiras experiências sensuais e sexuais com uma travesti. É nesse sentido que vai o livro de Castarescu, sensações e sentidos surreais misturados com a realidade em que não sabem qual é qual que está sendo mostrada ou ainda representada no quadrinho. Para complicar a situação, além da narrativa do personagem Victor, de Cartarescu temos também um relato do quadrinista Baudoin tentando refazer os passos de Victor/Cartarescu durante a criação do livro e as experiências vividas, já que o livro é uma espécie de autobiografia. Assim, o relato visual que já era labiríntico e de difícil decodificação fica ainda mais hermético. Eu realmente gosto de inovações na linguagem e de quadrinhos esquisitos, mas esse não me agradou a ponto de eu poder recomendar para os amigos como algo diferente ou emocionante.

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Guilherme "Smee" Sfredo Miorando é roteirista, quadrinista, redator e designer gráfico. É Mestre em Memória Social e Bens Culturais, Especialista em Imagem Publicitária e Especializando em Histórias em Quadrinhos. Entre seus quadrinhos publicados estão Desastres Ambulantes, Sigrid, Bem na Fita e Só os Inteligentes Podem Ver.