Comentários

Faroeste, spaguetti e fumetti.

REDENÇÃO, DE CARLOS ESTEFAN E PEDRO MAURO
Chegando ao final destra trilogia de faroeste à brasileira de Carlos Estefan e Pedro Mauro posso fizer: “ah, entendi o que vocês fizeram aqui”. Os dois artífices do quadrinho western estabeleceram uma trilogia que engloba três gerações de foras-da-lei com problemas tanto de paternidade e, portanto, também problemas de identidade. Mesmo que os papéis paternos e a função desses papeis fiquem por muitas vezes difusos, é entendido como muitas vezes a construção da personalidades dessas figuras mercenárias do velho oeste apareceram e, com um mínimo senso de honra, se tornaram símbolos de heroísmo e de masculinidade para inúmeras gerações de meninos e meninas que se divertiam com histórias western. Coisa que a dupla Estefan e Mauro tentaram resgatar na trilogia Gatilho foi espírito daquelas aventuras repaginadas para a contemporaneidade. Conseguiram. Na minha opinião, a história foi num crescendo de qualidade enquanto os desenhos e a narrativa sempre se mantiveram no máximo. É interessante ver o esforço brasileiro em mais uma seara dos quadrinhos nacionais que estava inoperante e que se revela bem viva nas mãos destes dois.

JÚLIA, VOLUME 3: OS OLHOS DO MONSTRO, DE GIANCARLO BERARDI
Júlia: As Aventuras de uma Criminóloga é um quadrinho deliciosamente encantador de se ler. Vou dizer que até então não é por causa da personagem principal, não. Ela até tem os seus encantos e a sua atração por ser uma cópia fiel de Audrey Hepburn. Contudo, até aqui, neste primeiro arco, quem rouba a cena é mesmo Myrna, a sociopata e psicopata vilã odiadora de homens da série, cujo primeiro arco se encerra neste volume 3. Myrna é mais encantadora que Julia no passo que os viões acabam se revelando mais a nós do que os mocinhos, ou protagonistas. Assim como quem marca são as vilãs das novelas. Nazaré Tedesco sobre Maria do Carmo; Odete Roitman sobre Heleninha; Flora sobre Donatella (?), Carminha sobre Nina. Algumas desses “mocinhas” não guardamos nem o nome, porque elas não são tão marcantes como as vilãs. A imaginação de Myrna certamente é mais poderosa que a de Julia, mas talvez Julia seja mais perspicaz sobre as consequências de se por em prática uma imaginação e uma crueldade tão poderosas. De qualquer forma, está sendo ótimo ler As Aventuras da Criminóloga Julia, por mais que a Criminosa Myrna roube a cena.
Compre com desconto, clicando aqui.

MÁGICO VENTO GRAPHIC NOVEL DELUXE:VOLUME 3, DE GINAFRANCO MANFREDI, BRUNO RAMELLA, ANDREA VENTURI, GIUSEPPE BARBATTI
Neste terceiro volume de Mágico Vento Graphic Novel Deluxe temos o primeiro, digamos assim, arco de histórias da série de Gianfranco Manfredi, desta vez, num formato no dobro do tamanho e colorido, como é o caso das séries neste formato. Manfredi mostra um domínio incrível não somente da história dos Estados Unidos, em que apresenta a dura Guerra de Secessão daquele país, como também apresenta um domínio bastante sólido das culturas que, quer se desejem os poderoso ou não, fizeram parte da constituição daquele país. Assim, ele apresenta um mergulho profundo nas transculturações desses povos de etnias e raças tão diferentes como os índios Sioux, os negros Bantos e os brancos ingleses que se vêem em combate naquelas regiões dos Estados Unidos. As duas histórias interligadas apresentadas aqui são muito boas, contudo não tão boas como as dos álbuns anteriores, talvez exatamente essa confluência e confusão de elementos transculturais colocados de um modo tão aparentemente natural na história. Talvez carecesse de algumas notas ou explicações. Nada que tire nosso gosto e apreciação pela história em geral. Compre com desconto, clicando aqui.



Comentários