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A hora e a vez dos quadrinhos nacionais!

VHS: VIDEO HORROR SHOW, ORGANIZADO POR FERNANDO BARONE E RODRIGO RAMOS
As fitas cassete estão de volta com tudo. Seja o caso das VHS como neste quadrinho, em que sigla quer dizer Vídeo Horror Show, e que trouxe uma luva em formato de caixa de filme, com o quadrinho em formato do próprio VHS, seja o quadrinho de Marvin Rodrigues, Found Footage, que lida com snuff movies. Também o meu e de amigos, bem na Fita, que lida com outro tipo de cassete, as Fitas K7. Bom, é particularmente óbvio que em todos eles a nostalgia rola solta, no caso das VHS o que mais se destaca é nostalgia de assistir aquilo que não deveria estar assistindo e, por isso a coisa se torna mais emocionante. Como diversas antologias, a presença de muitos contos que não se comunicam entre si deixam o quadrinho de VHS com uma avaliação irregular. Alguns muito bons, outros muito ruins. Os que mais me impressionaram de forma positiva foram aqueles que trazem satanismo, como o do bode negro que devora uma família ou ainda o da boca da verdade que transforma aquele que quer ver seu futuro. De mais a mais, o quadrinho acaba sendo mais feliz na sua proposta como forma do que com seu conteúdo.

ÚLTIMO ASSALTO, DE DANIEL ESTEVES E ALEX RODRIGUES
É complicado encontrarmos publicações com o porte de Último Assalto nos quadrinhos brasileiros. Quando eu falo de porte quero dizer não apenas que tenham uma apresentação vistosa, com muitas páginas, e tamanho grande, quero dizer que também são livros que são sobre porte de armas. Brincadeira, vai. Na verdade quero dizer que lidam com a realidade e suas idiossincrasias de forma que na narrativa nada é tão preto no branco, mesmo que esse seja o esquema de cores escolhido na HQ. Ou seja, não podemos dizer exatamente quem são os vilões e quem são os “mocinhos” neste tipo de narrativa. Quando estamos em enrascadas, sejam elas financeiras ou psicológicas, esse limite do que é bom ou mau na nossa mente acaba ficando difuso e precisamos negociar conosco mesmos até onde deixamos nosso caráter se tornar elástico. Que coisas podemos fazer e ainda nos considerarmos os heróis da história? Esse é um dos dilemas de Kevin, o protagonista de Último Assalto. Inclusive nesse jogo de palavras e sentimentos deixo para você me dizer: “último assalto” se refere ao golpe final do boxe ou a um último ato de roubar? Leia, e saberá! Ótimo roteiro e sensacionais desenhos!

CAPITÃO FEIO: TORMENTA, DE MAGNO E MARCELO COSTA
Estava comentando com alguns amigos como as Graphic MSPs estavam precisando de um novo fôlego. Assim como a linha Ultimate da Marvel, depois de quase uma década, ela está dando sinais de cansaço. Não acontece somente nesse volume, mas nos lançados recentemente. Este Capitão Feio: Tomenta poderia muito bem se chamar Ultimate Marvel: Capitão Feio. Se o primeiro trazia uma história que misturava bons elementos de graphic novels autobiográficas e de super-heróis indie, este segundo parece uma sopa requentada. Basta dar uma olhada no que se transformaram os personagens do Douto Olimpo, mas principalmente das irmãs gêmeas Cremilda e Crotilde que ganharam uma roupagem para lá de grim’n’grity dos anos 1990. De duas doidinhas por limpar o Cascão elas viram duas fodonas porradeiras black-ops capangas do Doutor Olimpo. Aí você fica naqueles pensamentos se o quadrinho não está se levando a sério demais. No fim das contas Capitão Feio: Tormenta soa como alguns desses quadrinhos de super-heróis que são sempre mal avaliados pela crítica especializada por trazer esses elementos exageradérrimos de fodonice. Se no primeiro os irmãos Costa acertaram em cheio, esse Tormenta acabou deixando o leitor atormentado na tentativa de dar massaveice ao que não precisava.