Bem vindos a mais uma edição do Revisitamos, onde vamos trazer opiniões sobre alguns dos principais jogos lançados nos últimos anos, e que vocês podem aproveitar nesse período de isolamento social.
Neste ano de 2020, um dos melhores JRPGs de todos os tempos (quiçá o melhor!) completa 25 anos. Sim, estamos falando de Chrono Trigger, um clássico da Square, que possui ainda hoje uma legião de fãs e marcou a história dos games para sempre.
Jogar Chrono Trigger hoje em dia, é atestar a genialidade por trás de sua concepção e ficar admirado em como um jogo desenvolvido e lançado em 1995 é extremamente atemporal (com o perdão do trocadilho, afinal estamos falando de uma trama que envolve viagens temporais).
Mas também, pudera, a própria história de criação do game é digna de nota. Chrono Trigger foi criado com a intenção de realmente ser um jogo perfeito, o melhor de todos os tempos. Para isso a Square reuniu uma equipe que ficou conhecida como “Dream Team”, o time dos sonhos, composta por Hironobu Sakaguchi – criador de Final Fantasy -, Yuji Horii – criador de Dragon Quest – e por último, mas não menos importante, Akira Toriyama – autor de Dragon Ball -, que ficou responsável pelo design conceitual do game. Fala sério… tinha como dar errado?
E essa busca pelo “jogo perfeito” pode ser sentida em cada pixel, por aqueles que jogam Chrono Trigger ainda hoje. Ao ser lançado, o game estava muito à frente de seu tempo, e é surreal perceber como alguns de seus aspectos reverberam na indústria dos games até hoje, como a ideia de múltiplos finais – algo extremamente inovador em 1995.

Chrono Trigger conta com 13 finais, que podem ser radicalmente diferentes uns dos outros, ou nem tanto assim. Cada um deles depende de decisões tomadas pelo jogador durante sua jornada, algumas pequenas e outras mais drásticas. Isso torna o fator replay do game algo muito único, e foi um de seus grandes diferenciais.
Mas claro que não era só isso que o tornava tão à frente de tudo que havia na indústria naquele momento. Chrono Trigger ousou trazer pequenas mudanças ao gênero do JRPG, como por exemplo o fim das transições para uma outra tela ao iniciar uma batalha. Os confrontos com os inimigos aconteciam no mesmo cenário onde os personagens interagiam, tornando as lutas muito mais dinâmicas e imersivas. Essas batalhas, aliás, são extremamente criativas, pois o game apresenta um sistema de combos entre personagens que torna tudo ainda mais interessante. Chega a ser assustador perceber o bizarro número de combinações entre diferentes personagens, todas com uma animação diferente e com um dano diferente.
Outro aspecto que o diferenciava dos demais foi a decisão de não optar pelo esquema de encontros aleatórios com inimigos. A ideia de você estar andando por um cenário sabendo que a qualquer momento poderia esbarrar em um inimigo invisível simplesmente não existia. Em Chrono Trigger, todos os inimigos estão visíveis em seu caminho e podem ser facilmente desviados, ficando totalmente a seu critério enfrentá-los ou não.
Isso nos leva a um outro aspecto crucial do game: o leveling. Diferente de outros JRPGs, incluindo franquias como Final Fantasy e Dragon Quest da própria Square, não existia a possibilidade de travar em algum inimigo forte demais, forçando o jogador a “farmar” lutando horas e horas com inimigos repetidos para ganhar experiência, aumentar level e só então conseguir seguir em frente. O sistema de leveling de Chrono Trigger é extremamente bem balanceado, e se o jogador seguir a história lutando apenas com os inimigos que aparecem em seu caminho, terá nível suficiente para zerar o jogo sem grandes problemas. Obviamente, quem quiser chegar ao final realmente poderoso, pode optar por fazer uma série de missões secundárias.
E por falar em missões secundárias, esse é outro ponto que praticamente se tornou obrigatório em RPGs modernos. Porém, é até injusto chamar essas missões de “secundárias” em Chrono Trigger. Hoje em dia, meio que já nos acostumamos com o termo, e sabemos o que esperar de missões secundárias em games do gênero: serão missões que não interferem na trama principal, geralmente com pouco ou nenhum desenvolvimento de personagens, e que após algum tempo, se tornam repetitivas. Isso não acontece em Chrono. Por incrível que pareça, aqueles que deixarem de fazer as missões “secundárias” de Chrono Trigger podem acabar perdendo informações cruciais a respeito da trama principal. São essas missões que desenvolvem os personagens, enriquecem a lore e até mesmo trazem muitas respostas a situações que o jogo apresenta em sua trama principal.
Já falando sobre os personagens, Chrono Trigger apresenta alguns dos personagens mais interessantes dos games, todos com suas motivações, sonhos, frustrações e um motivo claro de estarem inseridos naquela narrativa. O ponto fraco, infelizmente, fica com o herói do game, Crono, naquele que é o elo mais fraco do jogo e de longe a sua pior decisão. Acontece que Chrono Trigger opta por uma velha sistemática de alguns games: o protagonista mudo. A ideia é que o jogador se coloque no herói e tenha uma experiência mais imersiva – mas em um jogo onde todos os personagens são extremamente carismáticos, possuem um enorme desenvolvimento e reagem de diferentes formas às mais diversas situações, fica muito estranho controlar um protagonista que parece sempre estar completamente alheio aos acontecimentos.
Para aqueles que tem vontade de conhecer Chrono Trigger devido à sua fama no mundo dos games, mas tem medo de encará-lo por achar que o game pode ter ficado datado: vá sem medo. Além de extremamente atemporal, o jogo ainda tem muita coisa a ensinar até mesmo aos grandes títulos lançados hoje em dia.