Estimated reading time: 16 minutos
Cuida que chegou a oitava edição da newsletter sem título do O Vício — achou que não ia ter hoje, não é? Em semana de San Diego Comic-Con, foi preciso atrasar um pouco, mas voltamos! E com direito à revelação da personagem de Liza Colón-Zayas em Homem-Aranha: Um Novo Dia (2026), detalhes exclusivos de Goblin (a nova comédia da A24) e tudo o que você precisa saber para ficar hypado com Fogo Contra Fogo 2.
Esta é mais uma edição escrita e assinada inteiramente por mim (Ramon Vitor). Mais uma vez, obrigado pela companhia semanal. Esse espaço de debate com vocês, que formam a nossa comunidade, tem sido muito frutífero para a redação.
Ainda nesta edição: Behemoth! e Nárnia: O Sobrinho do Mago ganharam datas para estrear no Brasil; um livro clássico de Marcelo Rubens Paiva vai virar série na Netflix; e a dica cultural traz um filme que aborda profundamente a temática do medo. Aproveite o conteúdo:
Sim, Jeff

Fim do mistério! Tive uma prova visual de que a personagem de Liza Colón-Zayas em Homem-Aranha: Um Novo Dia (2026) é, de fato, Jean DeWolff, a clássica detetive de polícia das HQs que ajuda o Amigão da Vizinhança.
Como os rumores apontavam, DeWolff será a ponte entre o Homem-Aranha e o Justiceiro. Ela compartilha informações da polícia com vigilantes e heróis para conseguir lidar com ameaças mais complexas. No caso deste filme em específico, ela está tentando conter o grupo de ninjas conhecido como O Tentáculo.
Sabe aquela sequência de perseguição entre o Homem-Aranha, o Justiceiro e os tanques do exército pelas ruas de Nova York? Aquilo é a transferência de um prisioneiro de alto interesse tanto para o Departamento de Controle de Danos quanto para o Lápide, que supostamente contratou o Tentáculo para realizar o resgate.
Bem, esses são todos os detalhes que consegui. Ainda não assisti ao filme completo — na verdade, a imprensa brasileira só vai assistir na semana que vem.
Homem-Aranha: Um Novo Dia estreia em 29 de julho.
Estou vendo duendes

David Mikalson, um aspirante a roteirista e diretor que abandonou a faculdade de cinema para começar a fazer seus próprios curtas, encantou a A24 com o roteiro de Goblin — uma comédia escrachada sobre um duende fantoche. Will Forte, Skyler Gisondo, Kenneth Branagh e Inde Navarrette também amaram a proposta e embarcaram de cabeça no projeto.
Agora você deve estar se perguntando: “Mas Ramon, o que diabos é esse filme exatamente?”
Bem, eu tenho alguns detalhes exclusivos!
A história segue Tonis, um garoto de 22 anos que é a própria definição do riquinho mimado e ingênuo. Ele só quer saber de pintar uns quadros bem mequetrefes e sonha em estudar arte em Roma. Mas a vida dele vira do avesso da forma mais ridícula possível quando o pai, Gerardo, quebra a pélvis tentando resgatar um aviãozinho de controle remoto no telhado da própria casa.
Sem conseguir andar, o pai é obrigado a entregar o jogo e contar o grande segredo da família. Toda a riqueza, o luxo e a fartura que eles ostentam há séculos vêm de um Duende Verde mantido acorrentado num calabouço embaixo da casa. O acordo é simples: atenda a um pedido por dia do duende, e a família continua rica.
Tonis assume a bronca e passa a atender aos desejos da criatura. No começo é de boa, só que o garoto, inocente demais, comete o erro de esquecer o celular lá embaixo. O Duende descobre a internet, o Wi-Fi e o mundo moderno… e aí a vida do jovem vira um verdadeiro inferno!
De tanto o Duende lamentar a prisão e perguntar sobre o mundo lá fora, Tonis fica com dó e resolve soltar o bicho. O problema? Quando isso acontece, a magia que sustentava a riqueza da família se desfaz na hora — e, para piorar, o corpo de Tonis passa a ser possuído pelo Duende.
Pense em uma criatura completamente sem moral e sem limites, descobrindo o mundo externo pela primeira vez no corpo de um jovem. O resultado é uma sequência atrás da outra de humor sombrio, fortemente inspiradas nas dinâmicas clássicas de Looney Tunes e O Máskara.
Se vai ficar bom ou não, depende da execução de David Mikalson, mas parece ser uma divertida história sobre privilégio e insegurança.
Agora é para valer

A Netflix prometeu distribuir Nárnia: O Sobrinho do Mago nos cinemas em escala global e firmou uma parceria com a Sony Pictures para isso. Um mês após o acordo, podemos dizer oficialmente que o lançamento vai acontecer nas salas brasileiras.
A Sony Pictures Brasil reservou 11 de fevereiro para lançar o próximo filme de Greta Gerwig nos cinemas.
Como nas escrituras

Michael Mann já tinha dito que Fogo Contra Fogo 2 teria a mesma história do livro Heat 2, que ele escreveu com Meg Gardiner. Às vezes esse tipo de declaração não se confirma na prática, mas posso garantir que, neste caso, é exatamente o que vai acontecer.
Se você leu, sabe que Heat 2 é um livro extenso. Mann condensou a sequência em um roteiro de quase 190 páginas (o que indica que o corte original deve beirar as 3 horas de duração), entregando um recorte mais enxuto da história. Embora uma cena ou outra tenha ficado de fora, o coração da trama — com o assalto ao cartel de Mexicali em 1988 e o tiroteio na rodovia Interstate 105 em 2000 — está exatamente do mesmo jeito empolgante do livro.
Resumindo para você que não teve acesso ao livro: A trama se passa antes e depois dos eventos de Fogo Contra Fogo (1995). Dividida em seis partes, a história começa imediatamente depois da morte de Neil McCauley, em 1995, mostrando como Chris Shiherlis conseguiu fugir para o Paraguai.
Situado em Ciudad del Este, o trecho focado em Chris o coloca ao lado de Paolo, um ex-soldado brasileiro. Juntos, eles trabalham na segurança de uma família de contrabandistas taiwaneses que está em guerra com uma facção rival, também taiwanesa. A maior parte das cenas do personagem se passa em 1996 — um ano após os eventos do filme original — e mostra como ele ascendeu de simples capanga a um grande contrabandista de tecnologia militar.
E sim, caso esses detalhes do roteiro não mudem ao longo da produção, veremos Leonardo DiCaprio — que assume o papel de Chris no lugar de Val Kilmer — falando português e espanhol no filme. No entanto, isso não vai acontecer antes que voltemos para 1988.
No final dos anos 80, Vincent Hanna e Neil McCauley seguem caminhos paralelos em Chicago, sem saber da existência um do outro.
Vincent tenta capturar Otis Wardell, um criminoso que invade a casa de famílias ricas para assaltá-las e cometer abusos contra mulheres e crianças. Wardell, por sua vez, está na cola de Neil, pois sabe que ele planeja um grande golpe na região e quer roubar o faturamento do assalto. Toda essa confusão culmina em Mexicali, onde Neil e seu bando de fato executam um assalto pomposo contra um cartel — até que Wardell intervém e deixa um trauma enorme na vida de Neil.
A história vai e volta de 1988 para 1996 algumas vezes, pois se dá o trabalho de mosrar o quanto Neil exerceu influência na vida de Chris. Quando os arcos desses dois anos se encerram, voltamos finalmente para Los Angeles, em 2000, cinco anos depois dos eventos de Fogo Contra Fogo (1995). Uma jovem foi assassinada brutalmente e teve seu corpo descartado de maneira desleixada. Vincent Hanna reconhece aquele padrão… Otis Wardell está de volta! E está em Los Angeles.
Em paralelo ao ressurgimento de Wardell em Los Angeles, Chris retorna à cidade anos após ter fugido de lá para reconstruir a vida. Ele está ali apenas para fechar um negócio rápido e partir para Singapura. No entanto, não resiste à tentação de vingar a morte de Neil. “É só dar um tiro de longe, o Hanna nem vai saber de onde veio”, pensa ele… Mas, com tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo por causa de Wardell, essa iniciativa acaba criando a tempestade perfeita para uma sequência de tiroteio ainda maior do que a clássica cena do primeiro filme.
Se for feito como está escrito, Fogo Contra Fogo 2 corre sério risco de ser o maior filme de ação já produzido pelo cinema norte-americano.
Adeus Ano Novo

Após o sucesso de Ainda Estou Aqui (2024), o próximo livro de Marcelo Rubens Paiva a ser levado às telas será Feliz Ano Velho. A Netflix encomendou uma série sobre a obra.
Publicado em 1982, o livro é uma autobiografia que narra o acidente que deixou Marcelo tetraplégico aos 20 anos, além do processo de recuperação física e emocional vivido pelo escritor. Tem uma breve citação a ela em uma das cenas de Ainda Estou Aqui (2024).
“Feliz Ano Velho já virou peça, musical, ópera e agora, finalmente, essa obra tão importante para a cultura brasileira será levada ao streaming. Estou muito empolgado por ver mais um casamento entre a literatura e o audiovisual brasileiro que leva nossas histórias das páginas às telas”, declarou Marcelo Rubens Paiva em nota.
Por enquanto, não há uma previsão de estreia oficial para a série. Amaia e O2 Filmes serão as produtoras, e a equipe criativa será anunciada em breve.
O medo dá origem ao mal

Eu sei, eu sei. Tem uma série de Cabo do Medo em exibição no Apple TV neste exato momento, mas este não é o primeiro remake dessa história — e nem acho que seja o melhor. Por isso, a dica cultural de hoje resgata um dos filmes mais impactantes da filmografia de Martin Scorsese.
Na trama, um criminoso comete um ato imperdoável, mas tinha base legal para ser absolvido. Seu advogado, no entanto, ocultou a prova que o livraria da cadeia, fazendo com que ele passasse 14 anos preso. O detento era analfabeto, mas aprendeu a ler e estudou Direito na cela apenas para descobrir que foi traído por quem deveria defendê-lo.
Anos depois, ao ganhar a liberdade, ele planeja uma das vinganças mais cruéis contra seu ex-advogado. Ele não quer simplesmente matá-lo. Ele quer quebrar sua moral e provar que ninguém se mantém puro quando exposto a doses extremas de terror. O personagem de Robert De Niro, Max Cady, não se importa com a própria vida mais. Ele quer provar um ponto e trancar seu algoz em uma prisão de traumas da qual só conseguirá escapar quando morrer.
O filme de Scorsese é tanto sobre a ineficiência do sistema judiciário americano quanto sobre os homens e seus códigos de honra — que acabam se tornando as próprias celas nas quais eles se confinam. Essencialmente, é sobre o medo como uma armadilha.
Homens são instruídos a não ter medo, a funcionar como verdadeiras fortalezas. Mas o medo é uma força inevitável da existência. É o limitador que nos mantém em alerta. Se você souber usá-lo, tem chances de ser uma pessoa equilibrada. Mas se o negar, achando que ele não tem poder sobre você, pode acabar se despedaçando por completo. E aí não tem volta, passa a ser uma questão de causa e efeito que sai contaminando todos a seu redor. Afinal, não dá para combater o mal sem, antes de tudo, admitir que ele existe.
Em Cabo do Medo, algo parece fora do lugar o tempo todo. É como estar com um fiapo de carne preso entre os dentes e não ter como tirar. O choque dos frames em negativo entre as cenas é perturbador. É o tipo de cinema que exerce domínio total sobre o que você sente enquanto assiste.
Em tempo: o medo, tratado sob a abordagem de que a moral é um conceito que se altera de acordo com os pontos de vista, será um tema muito importante para a discussão da cultura pop nos próximos meses. Só dizendo.
Dizem que minha vida é um filme

A Disney não vai dormir no ponto com o lançamento de Behemoth! no Brasil. O estúdio agendou a estreia para 3 de dezembro. Ou seja, é o mesmo fim de semana da estreia nos EUA.
Além disso, o filme dirigido e escrito por Tony Gilroy (Andor) recebeu o título Behemoth!: Uma Vida Composta em Peças por aqui.
A trama de Behemoth! acompanha Alex Serian, um violoncelista genial de quase 50 anos que retorna a Los Angeles após um longo período fora. A narrativa se alterna entre diferentes linhas temporais, reveladas por meio das memórias do protagonista enquanto ele participa de intensas sessões de gravação para a trilha sonora de um blockbuster de Hollywood.
Alex carrega traumas profundos, sendo o mais avassalador o encerramento forçado de sua carreira como músico de elite em Minneapolis. No presente, ele enfrenta dificuldades para se conectar à comunidade frenética e superficial dos músicos de estúdio em Los Angeles. Ali, ele lida com o cinismo dos colegas, a pressão pela perfeição técnica e o relacionamento conflituoso com o irmão, Andy — um músico fracassado que busca relevância através de um podcast sobre o legado de seu falecido pai, um renomado compositor hollywoodiano.
Esta é uma história sobre herança e a solidão de um artista, contada a partir do ponto de vista de quem busca sem parar por verdade e conexão na vida.
Destaques rápidos da semana

- Eisner 2026: Com 10 vitórias da DC, confira a lista completa de vencedores – Absolute Caçador de Marte foi, merecidamente, a estrela do show.
- Batman: Sombra do Morcego é o novo título da equipe criativa de Absolute Caçador de Marte – O Batman lidando com os traumas que causou a Gotham. Hype!
- Lanternas: Assista ao trailer final da série da DC Studios – Isso daqui tá uma delícia!
- Paramount suspende acordo de fusão com a Warner – Os estados estão conseguindo atrasar a fusão. Mas será que vão segurar o suficiente para a troca de mandato de presidente dos EUA?
- DC oficializa crossover espiritual do Batman com o Absolute Batman – Como cada um resolve um mesmo problema. Parece interessante.
- Blade Runner 2099 ganha trailer oficial e data de estreia no Prime Video – Uma Blade Runner veterana trabalhando ao lado de uma humana fingindo ser uma Blade Runner em um mundo dominado por replicantes. Parece interessante.
- Stuart Não Consegue Salvar o Universo: 8 revelações e 1 surpresa do episódio 1 – Raj voltou!
- Cara-de-Barro: Assista ao trailer completo do terror da DC Studios – Tem Cara-de-Filmão.
- Série do RoboCop com produção de James Wan é oficializada – É.
- Batman: A Queda do Morcego | Parte 1 ganha trailer final e data de lançamento – Chega em agosto.
- Vingadores: Doutor Destino | Multiverso está em risco em primeiro trailer oficial – Não é de todo desinteressante, mas está mais feio que uma batida de trem.
Aqui chega ao fim a oitava edição da newsletter do O Vício. Antes de ir, certifique-se de seguir o nosso perfil no Google para receber as melhores notícias da cultura pop em primeira mão.






Comentários