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A Housemarque consolidou seu nome nesta geração com o lançamento de Returnal, um título que desafiou as expectativas do que um roguelike AAA poderia ser. Agora o estúdio retorna com Saros, uma proposta que herda o DNA frenético de seu antecessor, mas expande horizontes em narrativa e acessibilidade. O jogo coloca você na pele de Arjun Devraj em uma jornada de sobrevivência e horror cósmico que testa seus reflexos ao limite.
A jogabilidade de Saros é uma evolução direta do combate de precisão que consagrou o estúdio. Você controla Arjun em uma perspectiva de terceira pessoa enquanto enfrenta hordas biomecânicas no planeta Carcosa. O combate funciona como uma coreografia caótica de projéteis coloridos e ataques rápidos. Um dos grandes diferenciais aqui é o Escudo Soltari. Essa ferramenta permite que você absorva projéteis azuis para carregar um ataque pesado devastador.
Diferente de Returnal, onde a esquiva era sua principal aliada, em Saros o bloqueio e a gestão de energia são fundamentais. O ritmo é implacável e o cenário muda constantemente. Cada morte traz você de volta à base, mas a sensação de progresso é muito mais tangível desta vez. O sistema de movimentação ganha profundidade com o gancho e pontos de salto, garantindo que a verticalidade seja parte essencial da estratégia de sobrevivência.

Um dos pontos mais elogiados em Saros é como ele trata o seu tempo. As partidas são mais curtas e diretas, durando entre 20 e 30 minutos. O sistema de progressão utiliza o Lucenite, uma moeda que você mantém mesmo após a morte. Com ela, você desbloqueia nós em uma árvore de habilidades massiva. Isso aumenta seus atributos de Resiliência, Poder e Ímpeto de forma permanente.
Existe também o Halcyon, um recurso mais raro usado para adicionar habilidades especiais à armadura, como a chance de ressuscitar. Essa estrutura reduz a frustração típica do gênero. O jogo oferece modificadores de dificuldade que permitem ajustar o desafio. Embora o sistema de menus para esses ajustes seja um pouco confuso, a flexibilidade é bem-vinda para quem deseja focar na história ou para quem busca um sofrimento ainda maior.
A história de Saros mergulha fundo no horror cósmico, bebendo da fonte de clássicos como O Rei de Amarelo. Você acompanha Arjun Devraj, interpretado com maestria por Rahul Kohli. Ele é um executor da corporação Soltari em busca de colonos perdidos. A trama é densa, melancólica e evita o humor fácil. Carcosa é um mundo que parece vivo e hostil, onde a sanidade da tripulação se esvai conforme o eclipse avança.

O eclipse é uma mecânica central tanto na história quanto no gameplay. Ao ativá-lo, o mundo muda de estado, os inimigos ficam mais agressivos e as recompensas aumentam, lembrando o sistema usando em Breath of the Wild, por exemplo, com a lua vermelha. A narrativa é contada por registros de áudio e diálogos entre as missões. Arjun é um protagonista complexo, carregado de traumas e motivações egoístas, o que torna a descoberta de seu passado um motor poderoso para continuar jogando.
Tecnicamente, o jogo é um espetáculo. Ele roda a 60 quadros por segundo constantes, mesmo quando a tela está inundada de partículas e explosões de plasma. O uso do SSD do console torna os carregamentos quase instantâneos, algo essencial para um título onde você morre com frequência. O feedback hático do DualSense e os gatilhos adaptáveis trazem uma camada extra de imersão, permitindo sentir cada disparo e a ativação das funções secundárias das armas.
O áudio 3D é outro pilar da experiência. Recomendo fortemente o uso de bons fones de ouvido. A sonoplastia permite que você localize ameaças em 360 graus apenas pelo som. A trilha sonora de Sam Slater complementa o clima com guitarras distorcidas e tons industriais que aumentam a tensão em cada encontro. É um conjunto audiovisual que justifica o investimento no hardware atual.
Veredito

Saros é a prova de que a Housemarque é mestre em criar experiências de ação arcade modernas. Ele consegue ser mais acessível que seu antecessor sem perder a essência desafiadora. É um jogo que recompensa a persistência e deslumbra com sua direção de arte e performance técnica. Se você busca um shooter de precisão com uma história envolvente, este é um título obrigatório na sua biblioteca. Não apenas isso, é um dos fortes candidatos a jogo do ano.
Este review foi feito com uma chave antecipada fornecida pela PlayStation
- Desenvolvedora: Housemarque
- Publisher: PlayStation
- Plataformas: PlayStation 5
- Review feito no: PlayStation 5 Pro
- Também testado no: PlayStation Portal
- Evolução brilhante das mecânicas de Returnal.
- Design audiovisual imersivo e de alta fidelidade.
- Sistema de progressão permanente recompensador.
- Narrativa profunda inspirada em horror cósmico.
- Tom excessivamente melancólico que pode cansar alguns jogadores.






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