Comentários

Estimated reading time: 3 minutos

O diretor português Miguel Gomes vai finalmente tirar do papel um de seus projetos mais ambiciosos: Selvajaria, uma história sobre a Guerra de Canudos, que aconteceu na Bahia entre 1896 e 1897.

A obra, que se inspira no livro Os Sertões, de Euclides da Cunha, será produzida entre Brasil e Portugal após 5 anos de atraso.

A ideia original de Gomes era começar as filmagens em 2021, mas a crise sanitária global freou os planos.

O projeto nasceu há uma década, quando Miguel Gomes leu pela primeira vez a obra de Euclides da Cunha. O livro narra o violento conflito entre a recém-formada República brasileira e os habitantes da comunidade de Canudos, liderada pelo pregador Antônio Conselheiro.

A história terminou com o massacre de milhares de pessoas, incluindo mulheres e crianças que foram decaptadas pelo exército, mesmo após se renderem. No museu da história do Exército Brasileiro, no forte de Copacabana, a vitória em Canudos é relatada como um feito heroico e de manutenção da ordem.

Por anos, os maiores crimes de guerra cometidos em Canudos foram ocultados. O próprio Euclides da Cunha, embora tenha denunciado a guerra como um crime, não detalhou explicitamente em Os Sertões toda a extensão do Massacre da Gravata Vermelha (a degola sistemática de prisioneiros).

Em 2019, Miguel Gomes disse à agência Lusa que o ressurgimento de um sentimento de polarização no mundo foi o que o motivou a escrever Selvajaria. “O mundo está cada vez mais polarizado, há fações no norte e no sul, [existem divisões entre] os ricos e os pobres. […]. Tudo está em efervescência, parece que tudo está prestes a explodir“, declarou o cineasta (Via Coffe e Paste).

Miguel Gomes é vencedor do prêmio de Melhor Diretor no Festival de Cannes por Grand Tour (2024). Seu projeto mais famoso, no entanto, é a trilogia As Mil e Uma Noites.

Selvajaria terá cenas rodadas na região de Canudos, no interior do Nordeste do Brasil. Sua realização será uma coprodução entre Portugal, Brasil, França, Itália e Holanda, e terá orçamento superior a 6 milhões de euros (cerca de R$ 37 milhões na cotação atual).

Leia também sobre o Cinema Brasileiro

Ramon Vitor, Editor-Chefe do site, engenheiro civil convertido em jornalista, é um apaixonado por cinema, quadrinhos e pelo poder transformador da comunicação. Com um olhar analítico aprimorado por anos de estudo da indústria cinematográfica, ele mergulha em seus artigos para O Vício desde 2021, transformando sua paixão em conteúdo cativante. Descubra uma perspectiva única sobre o universo do cinema e da TV.