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O ator e roteirista Seth Rogen declarou que a aclamada comédia adolescente Superbad: É Hoje não seria produzida pelos grandes estúdios de Hollywood no cenário atual.

Durante uma entrevista ao jornal New York Times (via Deadline), o cineasta explicou como a indústria do entretenimento contemporânea se tornou drasticamente avessa a riscos criativos e financeiros.

“Quando fizemos aquele filme, eles compraram nosso roteiro, disseram que teria um orçamento de US$ 20 milhões e que estrearia no ano seguinte. Só isso”, revelou Seth Rogen.

O produtor destacou a extrema agilidade de todo o processo burocrático na época do lançamento original da obra, ocorrido no verão norte-americano do distante ano de 2007.

A equipe de produção selecionou um diretor de forma rápida, escalou os atores ideais para os papéis e cumpriu o cronograma estabelecido pelas empresas financiadoras sem interferências excessivas.

“Isso jamais aconteceria hoje em dia, nem em 100 milhões de anos. Nenhum estúdio simplesmente compraria um roteiro, definiria uma data de lançamento, escolheria o elenco e produziria o filme”, afirmou o profissional.

A crítica principal do roteirista foca na atual dependência absoluta de nomes consagrados mundialmente para conseguir viabilizar financeiramente o desenvolvimento inicial de qualquer novo projeto cinematográfico.

De acordo com o co-criador da série cômica O Estúdio, os executivos atuais exigem garantias de bilheteria prévias baseadas unicamente no nível de popularidade global dos protagonistas escolhidos.

“Se não tivermos os atores certos, não faremos isso, porque achamos que esses atores nos renderão mais dinheiro, mesmo que não sejam os mais engraçados para o papel”, lamentou o artista.

O veterano fez questão de elogiar o modelo de trabalho do passado e a postura firme da ex-presidente da Sony, a executiva Amy Pascal.

“Ela estava disposta a dizer: ‘Coloquem as pessoas mais engraçadas nele. Isso resultará na melhor versão do filme e nos dará mais lucro.’ Isso não se ouve mais em Hollywood”, relembrou.

Apesar do pessimismo com os grandes estúdios, o escritor enalteceu o sucesso comercial de produções independentes de terror lançadas por jovens criadores que iniciaram suas carreiras no YouTube.

Títulos originais de baixo orçamento ganharam grande destaque nas bilheterias mundiais recentemente. Ele mencionou as obras Obsessão, de Curry Barker, e Backrooms: Um Não-Lugar, do diretor Kane Parsons, jovem talento de apenas 20 anos.

“A característica que define Hollywood, na minha experiência, é que a cada poucos anos ocorre uma mudança radical. Graças a Deus, não é exatamente meu trabalho me envolver demais com essas tendências”, analisou o roteirista.

A trama da clássica comédia adolescente acompanha os últimos dias do ensino médio de dois jovens desajeitados, focados em uma missão desesperada para comprar bebidas alcoólicas para uma grande festa escolar.

A produção impulsionou diretamente as carreiras de atores muito conhecidos do grande público nos dias de hoje, incluindo nomes como Jonah Hill e Michael Cera.

A obra também marcou a estreia oficial da estrela Emma Stone nos cinemas mundiais. O texto original foi assinado por Seth Rogen em parceria com o escritor Evan Goldberg.

Para os fãs saudosos ou novos espectadores que desejam conferir a história original, Superbad: É Hoje está atualmente disponível no Brasil através das plataformas digitais no formato de locação on demand.

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