Comentários

Estimated reading time: 9 minutos

Jujutsu Kaisen foi um dos grandes pilares que sustentou a Weekly Shonen Jump até o momento. Ao lado de autores como Kōhei Horikoshi (My Hero Academia) e Koyoharu Gotouge (Demon Slayer), Gege Akutami ajudou a moldar uma nova era de mangás shonen, mas Jujutsu Kaisen era a última obra restante desta geração, ou seja, o seu encerramento deu início a uma nova fase da revista.

Muitos leitores da Shonen Jump acreditam que a perda dos seus grandes pilares deve resultar em um declínio desesperador de vendas, e que a única salvação da revista é One Piece. Apesar das suas dificuldades mercadológicas, ainda é cedo para dizer que a Shonen Jump terá uma queda tão abrupta só com o final de Jujutsu Kaisen.

Como Jujutsu Kaisen entrou na Shonen Jump

Antes de falar sobre a revista, é importante ressaltar como Jujutsu Kaisen cresceu na Shonen Jump e como funcionava o mercado na sua época. No início da década de 2010, os editores tinham muita dificuldade de encontrar novos mangás battle-shonen de sucesso, porque eles investiram tanto no gênero de ação e luta que os leitores ficaram cansados de ler mais do mesmo.

Esse movimento editorial começou na década de 2000, onde mangás como Naruto, One Piece e Bleach reergueram a Shonen Jump após o fim da sua era de ouro. A fama do Big Three aumentou a tendência do battle-shonen, que já era uma febre entre os mangás japoneses, então o mais indicado para as obras publicadas na revista era seguir a mesma dinâmica daquilo que rende mais.

Quando o gênero de lutas se tornou algo muito saturado, os editores decidiram investir em mangás de outros gêneros como Haikyuu, Ansatsu Kyoushitsu e Shokugeki no Soma. Os novos gêneros se saíram bem entre o público, mas a revista sempre vai priorizar a procura por battle-shonen para manter a imagem da sua marca.

Além da dificuldade nas procuras, Naruto chegou ao fim em 2014, e Bleach foi o próximo em 2016. A perda de dois pilares icônicos deixou uma lacuna enorme, que só poderia ser preenchida por outros mangás a altura. Por sorte, em 2014, os editores finalmente conseguiram renovar o clichê e fisgar a atenção dos leitores, com My Hero Academia.

O lançamento de My Hero Academia foi o ponto de partida para a Shonen Jump descobrir novos battle-shonen, que usam os mesmos clichês do Big Three, mas de modo diversificado para o novo público. Dessa forma, as lacunas foram sendo preenchidas pelos mangás desta geração, como Demon Slayer, Chainsaw Man e Jujutsu Kaisen.

A influência de Horikoshi para o início de uma nova fase shonen é visível nas palavras do próprio Akutami. Na sua nota de despedida para Horikoshi, ele disse: “Jujutsu não existiria sem My Hero. Parabéns!”

A marca deixada pela geração de Jujutsu Kaisen

Reprodução/Shueisha

Os mangás que vieram na mesma década de My Hero Academia já tinham uma recepção considerável dos leitores por durar tanto tempo na Shonen Jump. Entretanto, eles só atingiram o topo da revista quando suas adaptações de animes repercutiram ao redor do mundo. Jujutsu Kaisen, por exemplo, teve um salto de 1.571.697 cópias vendidas em 2019 para 30.917.746 em 2021 por causa do seu anime.

Demon Slayer também se beneficiou ao ganhar uma adaptação de anime, que fez as vendas de 1.193.204 de 2017 crescer para 12.057.628 em 2019. Embora não tenham atingido a mesma marca de vendas, os rivais de Akutami e Gotouge também foram essenciais para a revista continuar gerando lucros.

No entanto, como acontece em todos os ciclos, chega um momento em que a Shonen Jump se despede dos mangás de sucesso e volta a procurar substitutos. Nos últimos anos, a empresa teve muitas perdas com o encerramento dos seus pilares, algo que veio da decisão dos autores de finalizar as obras ou mudar para outra revista, como o caso de Chainsaw Man e Black Clover.

Jujutsu Kaisen e My Hero Academia eram os últimos pilares da década de 2010, mas eles também chegaram ao fim em 2024. No cenário atual, One Piece é o único mangá que pode ser considerado um pilar sustentável.

Será que a Shonen está perdida?

Reprodução/Shueisha

Com Jujutsu Kaisen fora do jogo, os mangás de destaque na Shonen Jump agora são Sakamoto Days, Ruri Dragon, Blue Box, Akane-banashi e Kagurabachi. Não dá para chamar eles de pilares, porque, do ponto de vista editorial, um mangá precisa render uma certa quantia para sustentar a revista, e os títulos mencionados ainda não chegaram neste ponto.

Em uma revista grande igual a Jump, a obra precisa vender no mínimo 300 mil cópias para ser considerada um pilar. Geralmente esse crescimento de popularidade ocorre através de materiais de divulgação como adaptação de anime e um investimento maior da editora no marketing.

Contudo, as vendas de mangás em geral devem diminuir nos próximos anos devido aos fatores socioeconômico e populacional do Japão, isso não é algo que envolve só o gosto pessoal dos leitores. A definição de vendas boas ou ruins varia de acordo com a época, editora, condições de mercado e outros aspectos externos.

Sakamoto Days e Blue Box têm as melhores posições de vendas entre os destaques da Jump. As duas obras conseguem atingir mais de 100 mil cópias mensais, enquanto seus concorrentes vendem apenas 50 a 80 mil cópias, ou até menos. É o suficiente para se equiparar às vendas mensais de Jujutsu? Não. Akutami, às vezes, chegava a atingir mais de um 1 milhão de cópias, mas os editores da Jump enxergam 100 mil como um bom rendimento no mercado atual, apesar de estar longe do alcance desejado.

O anime de Blue Box estreia neste ano, e o de Sakamoto chega em 2025, então eles têm a chance de se tornarem pilares se as suas animações tiverem um bom alcance. Além disso, Kagurabachi e Akane-banashi também podem ganhar animes nos próximos anos, considerando a posição alta deles nas votações.

Ruri Dragon ficou em uma situação delicada quando seu autor, Masaoki Shindō, entrou em um hiato de quase dois anos depois de apenas 7 capítulos publicados. Mas, desde o seu retorno, a série vem adquirindo resultados de vendas equivalentes aos outros destaques, o que a coloca na promessa de pilar também.

Quem decidirá o futuro da Shonen Jump?

Reprodução/Shueisha

A possibilidade dos próximos animes da Shonen Jump falharem é um perigo a ser considerado. Não podemos dizer com 100% de certeza que Sakamoto Days, Ruri Dragon, Blue Box, Akane-banashi e Kagurabachi serão a salvação, porque quem vai decidir isso será outro público. É claro que, enquanto ela tiver One Piece, a revista não irá despencar por completo, mas novos acréscimos são necessários para o sustento coletivo da empresa.

Grande parte do público que acompanhou Jujutsu Kaisen são os leitores que cresceram com Naruto e One Piece (adultos de 25 a 30 anos). O ciclo da revista muda constantemente a cada época, quando uma geração termina, os mangás devem mirar nos leitores jovens. Portanto, o resultado dos próximos mangás dependerá da opinião dos adolescentes e crianças japonesas, que são o verdadeiro público-alvo da Jump.

Leia também sobre Jujutsu Kaisen:

A história gira em torno de Yuji, que é um gênio do atletismo, mas não tem interesse algum em ficar correndo em círculos. Ele é feliz como membro no Clube de Estudo de Fenômenos Ocultos. Apesar de estar no clube apenas por diversão, as coisas começam a ficar sérias quando um espírito de verdade aparece na escola! A vida está prestes a se tornar muito interessante na Escola Sugisawa.

O mangá de Gege Akutami é serializado na Shonen Jump desde 2018. A obra publicada no Japão pela Shueisha conta com 27 volumes até o momento. No Brasil, o título foi lançado pela Panini.

Sou o Fundador do site Ovicio, Overplay e Muramasa. Fui idealizador e Game Designer do jogo Vencedor da DemoNight no BIG Festival 2014, o Jotunheim Project. Escolhido como Jurado do Anime Awards em 2024 e 2025. Amo games, sou fã de God of War, Dragon Quest, Fire Emblem, The Legend of Zelda e Pokémon. Coleciono livros, quadrinhos e guitarras.


Comentários