Após anos de campanha, notícias, teorias e debates, finalmente o Snyder Cut de Liga da Justiça viu a luz do dia. O filme se provou um verdadeiro sucesso de público e até a crítica recebeu bastante bem o longa. É preciso dizer que muitos acabaram queimando a língua, inclusive parte da nossa equipe aqui no site, que, assim como vários influenciadores e críticos, via a disparidade entre os personagens dos filmes de Snyder e suas contrapartes dos quadrinhos como algo negativo. Entretanto, com o passar dos anos e até com a evolução do gênero de super-heróis nos cinemas e também com tudo que foi lançado depois, as versões de Snyder acabaram provando seu valor, charme e singularidade.
Não dá para negar que o longa de 4 horas, em contraste com a versão de 118 minutos lançada nos cinemas, trouxe uma nova vida para personagens como Flash e Ciborgue (principalmente), mostrando que a versão de Snyder tinha em mente era muito melhor do que aquela que o mundo conheceu em peso. Claro, alguns podem argumentar que a DC Films sobreviveu bem à saída de Snyder, afinal, tivemos sucessos de bilheteria como Aquaman, Coringa e outros, mas, ao mesmo passo, a iniciativa se tornou menor, menos ambiciosa e menos marcante do que quando era capitaneada pelas produções de Snyder.

Claro que filmes como O Batman e Coringa já não fazem mais parte dos planos de um Universo Compartilhado e nem podem ser citados neste ‘bolo’, porém, a própria existência deles mostra que os planos iniciais que incluíam filmes como o Exterminador, o Batman de Ben Affleck e Geoff Johns e até as continuações de Liga da Justiça foram abandonados por uma mudança de direcionamento pós ‘Liga da Justiça’. Ao alterar os planos que Zack Snyder tinha para Liga da Justiça e colocar Geoff Johns no comando, tivemos um resultado esquisito, que trazia um filme picotado e cheio de inserções que o faziam se aproximar de uma versão mais ‘light’, praticamente trazendo pedacinhos de ‘Vingadores: Era de Ultron’ para um Universo que nasceu totalmente diferente das produções da Marvel. Entenda que mudar os planos de alguém que estava criando uma narrativa para ser contada em 3 filmes prejudica tudo que foi feito e tudo que estava por vir. Isso fica ainda mais evidente após o lançamento desta versão, já que vários pontos se fecham, temos finalmente um arco bem definido e bem organizado.
Além disso, Liga da Justiça de Zack Snyder também mostra a evolução do diretor, principalmente em relação a Batman vs Superman: A Origem da Justiça. O filme é bem superior ao seu antecessor em diversos pontos. Ainda que a versão de Whedon trouxesse praticamente os mesmos fatos acontecendo em uma mesma sequência (com algumas boas mudanças como a presença de Darkseid e as cenas do Knightmare), toda a construção de mundo foi afetada, mudando a forma como o filme foi recebido e acabou condenando até desenvolvimentos que se dariam depois. Afinal, quem não gostaria de ver Henry Cavill voltando ao posto de Superman? Até agora, não há notícias de que isso possa acontecer, na verdade, vemos que há um possível desenvolvimento de um reboot completo com outra versão do personagem. Note que a decisão de afastar Zack Snyder e toda sua visão e tom da DC Films acabou quebrando todo um trabalho que estava em desenvolvimento e fazendo a DC voltar a apostar em produções novas, que possuem seus próprios riscos por estarem separadas de um universo em desenvolvimento. Basicamente, ela precisa ‘vender’ cada produção novamente, quando isso se tornaria bem mais simples com a manutenção do Universo que foi iniciado.
Claro que não dá para esperar que a DC replicasse exatamente o que a Marvel Studios tem feito ao longo dos anos, mas a mudança brusca de direcionamento também afeta a forma como sua audiência encara suas produções. As pessoas se apegam às franquias, ao mundo que estão assistindo. Basicamente, vivemos em uma nova era em que tudo tem um formato mais episódico. Gostamos de ver séries, gostamos de maratonar episódios, nos dedicamos a maratonar filmes e saber mais sobre aqueles universos. Com o tempo, estamos todos investidos em diferentes universos que acabam nos prendendo por anos, por diversos longas e nos orgulhamos de termos acompanhado todo seu histórico.
Ainda que produções como Coringa sejam muito bem vindas por trazer uma visão mais artística (e tais filmes devem continuar sendo produzidos e até incentivados pela empresa), nada impediria a DC Films ou até a HBO Max de investir neste universo que já conhecemos daqui pra frente. O sucesso do Snyder Cut e a forma como os fãs lutaram para que isso acontecesse só prova que existe público e interesse neste universo, agora, falta mostrar a vontade das empresas em dar seguimento ao que foi finalmente lançado.