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Há pouco (8), Ian SBF e Thobias Daneluz anunciaram, no Palco Ultra da CCXP, que a série animada brasileira Sociedade da Virtude, que faz paródia do mundo dos super-heróis, ganhará um Especial de Natal no Adult Swim e na Max no dia 13 de dezembro, às 21h. Antes disso, a dupla conversou com o OVício sobre essa grande novidade e falou também sobre o futuro e os bastidores de sua ousada série animada.

Reprodução/Adult Swim

No especial, a Sociedade da Virtude e a Pantera Ruiva vão precisar salvar o Natal e o grande vilão é nada menos que o próprio Papai Noel. Nessa realidade, ele é dono de uma das mais perigosas agências de espionagem do planeta e está envolvido em uma grande conspiração que engloba megacorporações e esquemas de enriquecimento fácil.

O nosso Papai Noel é o que acho ser a personificação mais clássica do que pode ser o Papai Noel na vida de qualquer um“, disse Ian. “Só que a gente quase que fez que nem o Scooby-Doo. Tiramos a máscara dele e todo mundo fica: ‘Meu Deus!’. As pessoas vão descobrir quem é o Papai Noel de verdade agora.

Após anos afastada do YouTube, a Sociedade da Virtude está migrando para a TV e o streaming, e esse Especial de Natal é apenas o começo de uma grande expansão que se vislumbra para a série.

A gente já está fazendo muita coisa com o Adult Swim, e eu espero que a gente faça tudo com o Adult Swim, porque realmente é o lugar certo. É a cara da Sociedade da Virtude“, admitiu Ian, antes de Thobias dizer que: “A gente ter ido para a Adult Swim e Max já foi uma expansão, pois tínhamos uma compilação diferente, um formato diferente antes. Agora a gente tem outro formato de episódios.

Reprodução/Adult Swim

Quando abordam esse novo formato, os criadores falam sobre como o especial e os novos episódios serão centrados em histórias mais longas, com capacidade de maior exploração temática. No YouTube, por sua vez, os capítulos funcionavam como esquetes de humor. Agora, até a arte de Thobias está diferente, mais evoluída.

A gente está saindo daquela coisa só das esquetes do YouTube de dois, três minutos, e eu acho que o Especial de Natal foi um lugar bom para a gente experimentar uma nova linguagem, uma narrativa maior“, revelou Ian. “A arte do Thobias, depois de três anos, é outra. O Thobias está com outro traço e a nossa animação também. Não mudou só a duração dos episódios, mas também a nossa linguagem. Temos, claro, que manter o espírito de Sociedade da Virtude. A gente ainda quer brincar com comic motion, mas a evolução é bizarra do que a gente fazia antes do que a gente está fazendo agora.

Uma possível dificuldade para o novo formato seria o fato de os super-heróis não serem mais os protagonistas da cultura pop. Será que ainda é possível criar humor a partir desse subgênero? Para Ian, sim. Ele acredita que, inclusive, ficou mais fácil fazer piadas com esse universo, já que o material cômico está mais evidente.

Estão dando mais material para a gente. Eles já estão criando as piadas, então a gente só precisa pegar e botar no texto. Então, assim, para mim está sendo maravilhoso“, afirmou Ian. “Acho também que uma coisa legal da Sociedade da Virtude é que a série é mais do que brincar com super-heróis, pois a gente brinca com o mundo que a gente vive, o mundo real. Eu acho que esses personagens que criamos nesse mundo, Megalopolisville, têm uma vida muito mais próxima da gente do que o Supeman do James Gunn, por exemplo. Então, assim, acho que ainda vamos sempre conseguir nos relacionar com as piadas e que elas fazem parte da nossa vida.

Thobias também não demonstra apreensão quanto ao momento, pois confia plenamente na originalidade da Sociedade da Virtude. Ele acredita que a série pode se beneficiar dos equívocos cometidos por outras produções no gênero de super-heróis, que, segundo ele, estão “industrializadas demais“.

Não estou dizendo que começamos isso, mas a Sociedade da Virtude aborda, em suas esquetes, coisas que talvez, se estivessem nos filmes atuais, trariam alguma originalidade“, afirmou Thobias. “Acho que hoje as coisas estão industrializadas demais. Então, você assiste aos mesmos filmes em diversas abordagens. Eu acho que isso nos ajuda a ver uma cena e pensar: ‘Cara, não é possível que eles fizeram isso. Isso não existe!’ Daí, o Ian pensa no que pode escrever em cima daquilo.

Reprodução/Adult Swim

Acho que o que o Thobias quis dizer é que a gente faria melhor. É isso que eu entendi, Thobias? Quer dizer, que o problema dos filmes hoje é que não estamos os fazendo?“, indagou Ian sorrindo, antes de Thobias completar: “Melhor eu não sei, mas eu acho que tem decisões ali que, pelo menos, ajudam a gente a fazer um negócio mais engraçado. Eu acho que as fórmulas estão arruinando tudo, por isso que a galera não curte filme de herói igual 10 anos atrás, quando a coisa saía e era um fenômeno.

Produzir para o YouTube tornou-se inviável para Ian, que é um dos fundadores do icônico canal Porta dos Fundos. “Se tem uma coisa que eu não tenho como negar é que eu sou youtuber“, afirmou o co-criador da série, antes de lamentar dizendo que a plataforma “virou um depósito de coisas pirateadas.

Quais são os criadores hoje em dia que a gente vê que estão surgindo, por exemplo? Quem são os criadores que estão se formando ali? E até a galera que estava lá, são raríssimos os que continuam lá dentro“, refletiu o youtuber e cineasta. “Isso a gente está falando de criador no geral, animador então. Para fazer animação lá, desde 2014… por isso que eu falo dessa data, mudou muito o algoritmo do YouTube. Então, você tem que fazer vídeos com 8 minutos, 10 minutos, tem que produzir o tempo todo.

De fato, é difícil que a receita do YouTube, por si só, cubra todos os custos da produção complexa de Sociedade da Virtude. O processo produtivo, quase totalmente artesanal, dificulta, inclusive, a busca da Neebla Filmes, produtora de Ian, por parceiros para terceirizar a animação. Aliás, a equipe criativa nunca teve a intenção de terceirizar, acreditando que o modelo atual garante maior originalidade.

Desde o começo, entendemos que precisávamos produzir por conta própria. É absurdamente caro e um processo diferente fazer terceirizado. Acho que quando a gente faz comic motion, é uma coisa muito específica“, refletiu Ian. “Aprendemos muito sobre como fazer isso e acho que até se fossemos fazer em outra produtora hoje, teríamos que passar por um tempo de adaptação muito grande, porque o que a gente faz, só a gente faz. Aliás, não é que só a gente faça, mas hoje o que a gente faz tem uma cara muito específica. Então, até seria uma trabalheira bizarra fazer alguma outra coisa com alguém.

Ao descrever o formato de produção, Thobias Daneluz estabeleceu um paralelo com a criação tradicional de quadrinhos. Para ele, a Sociedade da Virtude é um exemplo literal de comic motion, já que é uma história em quadrinhos animada.

Não é só a cara que é diferente“, continuou Thobias. “O Ian fala que a gente faz um processo totalmente diferente. Tecnicamente, ele é muito diferente, por exemplo, de você hoje fazer uma animação como as produtoras fazem. Normalmente a animação é feita em várias equipes, várias equipes pegando setores: um pega o cenário, outro pega os personagens. De alguma forma, nós consolidamos tudo em mim. Então, eu falo pro Ian, que praticamente fazemos quadrinhos da forma como os quadrinhos eram feitos. Através de páginas, arte final, e esse tipo de coisa. No entanto, chega um momento que esse estilo de produção é migrado para o motion, para a animação, vamos dizer assim.

Reprodução/Adult Swim

A produção da Sociedade da Virtude é tão artesanal que, diferentemente do processo tradicional da indústria, as vozes não são gravadas previamente. Com exceção de um caso específico do Especial de Natal, Thobias Daneluz desenvolve toda a animação antes de Ian conduzir a gravação das vozes, primeiramente em inglês e, posteriormente, em português.

Acho que Thobias nunca ouviu uma voz antes de começar a desenhar“, raciocinou Ian. “O processo do Thobias é muito em cima do desenho, do quadrinho, e eu acho isso muito legal. Falamos que é comic motion, mas eu acho que somos o limite disso: a gente vai até o último ponto onde um comic motion pode ir, antes de virar uma animação.

Dificilmente eu tenho contato com essa etapa da produção [das vozes]. Eu fico mais focado na arte, como se estivesse fazendo um quadrinho mesmo, e aí tudo é feito em cima disso.“, confessou Thobias, antes de Ian fazer um adendo: “Na verdade, eu acho que teve uma voz só que você ouviu, Thobias. Eu não lembro qual, mas no especial agora, você fez o personagem de algum jeito, e eu queria te falar, dar um exemplo, eu te mostrei uma voz.

Embora a equipe criativa reconheça que o algoritmo do YouTube não recompensa esse processo de produção complexo, isso não quer dizer que Sociedade da Virtude deixará a plataforma de vez, uma vez que ela servirá como um laboratório para testar novas ideias e como um apoio aos conteúdos produzidos em parceria com o Adult Swim.

O YouTube é um lugar que a gente pode experimentar coisas. Lá temos uma base muito legal de uma galera que acompanha a Sociedade da Virtude. Eu acho que as coisas podem andar juntas, porque a gente sempre pode fazer coisas para o YouTube para divulgar o Adult Swim“, afirmou Ian, antes de Thobias completar dizendo: “Começamos no YouTube, então não tem como a gente simplesmente migrar e deixar o outro de fora. Estivemos lá durante três anos, até mais.

O lar principal da série agora é o Adult Swim, que em breve vai receber a aguardada 2ª temporada.

Como estamos tão focados no especial, que acabamos há pouquíssimo tempo, estamos imersos na divulgação dele. Estamos trabalhando para divulgar bem, então não temos muita coisa para falar sobre a 2ª temporada agora“, disse Ian. “Assim, a única coisa que posso garantir é que [a 2ª temporada] vai ser absurda!”

O fato de Sociedade da Virtude estar atualmente anexada à Warner Bros. Discovery representa uma grande conquista para o audiovisual brasileiro e comprova o sucesso do projeto. Para Thobias Daneluz, isso deve ser ainda mais especial, considerando que ele quase dispensou o que se tornou o maior projeto de sua carreira.

Embora haja controvérsias sobre essa história, Ian SBF afirma que seu parceiro de criação recusou o primeiro convite para participar do projeto, priorizando seus estudos na faculdade.

Cara, eu acho que essa história aí… o Ian conta essa versão, mas ela é mentira, não é?“, indagou Thobias, para logo após ser refutado por Ian: “É verdade!

Questionado sobre se teria agido de forma diferente no primeiro convite se soubesse do sucesso atual da série, Thobias afirmou categoricamente que acredita ter tomado as decisões corretas.

Eu vou te falar que eu acho que se eu tivesse aceitado o primeiro, não teria dado certo, entendeu? Até porque eu não teria me formado. Eu teria a Sociedade da Virtude e minha mãe iria estar brava comigo até hoje, já que ela teria financiado minha faculdade e eu não teria me formado“, refletiu Thobias, antes de ser refutado por Ian novamente: “Nem diploma você pendura na parede, você bota só esse treco da Sociedade da Virtude aí. [risos]

Escritório de Thobias Daneluz é repleto de ‘troféus’ da Sociedade da Virtude

Bem, Thobias Daneluz e Ian SBF são criadores que podem olhar para o passado sem medo de esbarrar em arrependimentos. Eles podem desfrutar plenamente deste presente brilhante em que Sociedade da Virtude está disponível na Max.

Leia também sobre Sociedade da Virtude e Max

Perguntas e respostas completas

Divulgação/CCXP

*A entrevista foi realizada por Ramon Vitor, e as respostas de Ian SBF e Thobias Daneluz foram condensadas e levemente adaptadas para otimizar a leitura do artigo.

Em entrevistas anteriores, vocês manifestaram o desejo de expandir a Sociedade da Virtude, e Ian chegou a mencionar a possibilidade de uma adaptação em live-action. Podemos dizer que esse Especial de Natal é apenas o primeiro passo dessa expansão tão aguardada, impulsionada pela parceria com a Adult Swim?

[IAN]: Com certeza. A gente já está fazendo muita coisa com a Adult Swim, e eu espero que a gente faça tudo com a Adult Swim, porque realmente é o lugar certo. É a cara da Sociedade da Virtude.

Tem muita coisa para a gente fazer. Eu acho que a gente tem planos para brincar com esse universo para caramba, sabe? Acho que, às vezes, a gente pensa em coisas que não são nem exatamente conteúdo de animação. A gente pode fazer um board game, a gente pode fazer qualquer coisa, mas eu acho que o que importa no final sempre é isso: que a gente tem esse universo que a gente criou, esses personagens que a gente adora, e esse tom que tem a Sociedade da Virtude.

[THOBIAS]: A gente ter ido para a Adult Swim e Max já foi uma expansão, pois tínhamos uma compilação diferente, um formato diferente antes. Agora a gente tem outro formato de episódios. Futuramente, vamos ter outros formatos. Na minha visão, isso já é praticamente uma expansão. Sem contar o que já fazemos em mídia impressa, nos nossos quadrinhos, prints e esse tipo de coisa.

[IAN]: O Thobias fala isso principalmente porque, quando nós falamos que fomos para o Adult Swim, não foi só isso. A gente começou uma coisa nova com eles, a gente está mudando a linguagem da Sociedade da Virtude, a gente está evoluindo dentro do Adult Swim e da Max, sabe? Eu acho que não, a gente não está apenas indo para lá, a gente está fazendo uma coisa completamente nova, o que é muito legal.

O especial e os novos episódios que estão por vir já terão um formato mais clássico?

[IAN]: Clássico, eu acho que a gente nunca vai conseguir usar para a Sociedade da Virtude. Se tem uma coisa que eu não posso usar, é isso. Mas, com certeza, estamos daquela coisa só das esquetes do YouTube de dois, três minutos, e eu acho que o especial de Natal foi um lugar bom para a gente experimentar uma nova linguagem, uma narrativa maior. A arte do Thobias, depois de três anos, é outra. O Thobias está com outro traço e a nossa animação também. Não mudou só a duração dos episódios, mas também a nossa linguagem. Temos, claro, que manter o espírito de Sociedade da Virtude, a gente quer brincar com Comic Motion, mas a evolução é bizarra do que a gente fazia antes do que a gente está fazendo agora.”

A era do YouTube acabou para a Sociedade da Virtude?

[IAN]: Ah, não. O YouTube é um lugar que a gente pode experimentar coisas. O YouTube é um lugar onde a gente tem uma base muito legal de uma galera que acompanha a Sociedade da Virtude. Eu acho que as coisas podem andar juntas, porque a gente sempre pode fazer coisas para o YouTube para divulgar o Adult Swim. Tenho certeza que o Adult Swim também gosta disso, sabe? O legal é a gente achar formas de trabalhar junto, uma coisa fazendo sentido para outra. Com certeza não vão ser coisas que vão andar separadas.

[THOBIAS]: Começamos no YouTube, então não tem como a gente simplesmente migrar e deixar o outro de fora. Estivemos lá durante três anos, até mais.

Como está funcionando o processo de animação de vocês hoje? Vocês têm alguma produtora parceira ou está sendo tudo feito pela Neebla?

[IAN]: Olha, sempre foi coisa interna. Desde o começo, entendemos que precisávamos produzir por conta própria. É absurdamente caro e um processo diferente fazer terceirizado. Acho que quando a gente faz comic motion, é uma coisa muito específica. Aprendemos muito sobre como fazer isso e acho que até se fossemos fazer em outra produtora hoje, teríamos que passar por um tempo de adaptação muito grande, porque o que a gente faz, só a gente faz. Aliás, não é que só a gente faça, mas hoje o que a gente faz tem uma cara muito específica. Então, até seria uma trabalheira bizarra fazer alguma outra coisa com alguém.

[THOBIAS]: “Não é só a cara que é diferente. O Ian fala que a gente faz um processo totalmente diferente. Tecnicamente, ele é muito diferente, por exemplo, de você hoje fazer uma animação como as produtoras fazem. Normalmente a animação é feita em várias equipes, várias equipes pegando setores: um pega o cenário, outro pega os personagens. De alguma forma, nós consolidamos tudo em mim. Então, eu falo pro Ian, que praticamente fazemos quadrinhos da forma como os quadrinhos eram feitos. Através de páginas, arte final, e esse tipo de coisa. No entanto, chega um momento que esse estilo de produção é migrado para o motion, para a animação, vamos dizer assim.

O nosso processo é muito diferente. No início, começamos literalmente fazendo motion comics, mas eu acho que depois a Sociedade da Virtude foi pegando essa coisa da edição. A gente não faz episódios, a gente praticamente faz edições, é como se a gente estivesse produzindo edições impressas de quadrinhos, falando tecnicamente. Então, isso foi se tornando um processo muito nosso. Não que a gente não queira terceirizar. Eu acho que no momento em que estamos, é legal nos concentrarmos nisso para não perder essa originalidade, essa coisa de ter aquelas coisinhas ali que só a gente sabe de onde vieram, entende? A arte ser arte de desenho mesmo, e aí depois a gente coloca animação. Eu acho que no especial achamos esse meio termo que estávamos buscando lá atrás, o especial serviu muito para que pudéssemos encaixar isso melhor.

Quanto a sequência do processo de produção: as vozes dos atores são gravadas antes da criação da animação?

[THOBIAS]: Acho que não. Alguns sim, alguns não.

[IAN]: Na verdade, é engraçado você perguntar isso. Acho que o Thobias nunca ouviu uma voz antes de começar a desenhar, o que eu acho muito legal, pois bate com o que ele falou. O processo do Thobias é muito em cima do desenho, do quadrinho, e eu acho isso muito legal. Falamos que é comic motion, mas eu acho que somos o limite disso: a gente vai até o último ponto onde um comic motion pode ir, antes de virar uma animação. Gostamos disso, eu acho que essa é a grande vantagem que a gente tem, a originalidade que o Thobias falou, que eu acho que a gente se estrutura como um quadrinho, e o Thobias continua trabalhando assim, ele nunca escuta a voz. Quando estamos conversando, nos baseamos no roteiro para ele começar, e eu acho isso muito legal.

[THOBIAS]: Até porque as dublagens em português, que são as mais características, são feitas depois. O Ian grava os atores em inglês primeiro, como a gente já fazia no YouTube, e aí, depois de tudo já gravado em inglês, os dubladores brasileiros trabalham em cima das vozes originais. Então, dificilmente eu tenho contato com essa etapa da produção. Eu fico mais focado na arte, como se estivesse fazendo um quadrinho mesmo, e aí tudo é feito em cima disso.

[IAN]: Na verdade, eu acho que teve uma voz só que você ouviu, Thobias. Eu não lembro qual, mas no especial agora, você fez o personagem de algum jeito, e eu queria te falar, dar um exemplo, eu te mostrei uma voz.

[THOBIAS]: Ah, sim.

[IAN]: Foi a primeira vez.

Além de Super-Amigos, vocês se inspiram muito em elementos clássicos que o brasileiro costuma consumir de Hollywood, como os filmes de Jackie Chan, Homens de Preto, Velozes e Furiosos e muitos outros. Agora, nesse Especial de Natal, a ideia desse Papai Noel super-espião do mal surgiu de algo do tipo?

[IAN]: O nosso Papai Noel é o que acho ser a personificação mais clássica do que pode ser o Papai Noel na vida de qualquer um, só que a gente quase que fez que nem o Scooby-Doo. Tiramos a máscara dele e todo mundo ficou: ‘Meu Deus!’. As pessoas vão descobrir quem é o Papai Noel de verdade agora.

Thobias, vamos imaginar um cenário: se você voltasse no tempo e avisasse ao seu ‘eu’ do passado que a Sociedade da Virtude seria o sucesso que é, ele aceitaria o primeiro convite do Ian mesmo antes de terminar a faculdade?

[THOBIAS]: Cara, eu acho que essa história aí… o Ian conta essa versão, mas ela é mentira, não é?

[IAN]: É verdade”

[THOBIAS]: Eu vou te falar que eu acho que se eu tivesse aceitado o primeiro, teria dado certo, entendeu? Então, assim, foi bom. Eu falaria para o ‘eu’ jovem: ‘Olha, nega o primeiro, porque ele não vai achar ninguém à tua altura e aí ele vai insistir para você aceitar o segundo. Você vai fazer a coisa certa, entendeu?’ Até porque eu não teria me formado. Eu teria a Sociedade da Virtude e minha mãe iria estar brava comigo até hoje, já que ela teria financiado minha faculdade e eu não teria me formado.

[IAN]: Nem diploma você pendura na parede, você bota só o letreiro da Sociedade da Virtude aí.

Pessoal, como está o andamento da produção da nova temporada? Temos uma previsão de estreia?

[IAN]: Como estamos tão focados no especial, que acabamos há pouquíssimo tempo, estamos imersos na divulgação dele. Estamos trabalhando para divulgar bem, então não temos muita coisa para falar sobre a 2ª temporada. No entanto, já começamos a pensar nela, já temos algumas ideias e já estamos conversando sobre isso. Aliás, estávamos em uma reunião com o pessoal do Adult Swim. Então, assim, a única coisa que posso garantir é que vai ser absurdo. Mas não temos muitas novidades para compartilhar ainda.

[THOBIAS]: Nosso foco agora é o especial. É o que queremos que saia, que seja legal, e está super legal. Agora, tendo a visão dele pronto, acho que foi um grande acerto nosso ter feito algo natalino. Toda história de super-grupo tem Natal, enfim, acho que foi perfeito a gente ter feito sob essa abordagem.

Em 2017, já havia conversas sobre a ‘fadiga de super-heróis’, mas o subgênero ainda estava em alta e era subversivo fazer piadas com ele. Agora, em 2024, o subgênero talvez esteja vivendo seu pior momento. Ficou mais difícil escrever piadas desconstruindo os super-heróis agora que eles não são mais a grande prioridade do público?

[IAN]: Não. Na verdade, ficou melhor, porque estão dando mais material para a gente. Eles já estão criando as piadas, então a gente só precisa pegar e botar no texto. Então, assim, para mim está sendo maravilhoso. Acho também que uma coisa legal da Sociedade da Virtude é que a série é mais do que brincar com super-heróis, pois a gente brinca com o mundo que a gente vive, o mundo real. Então, muitas vezes, são metáforas, são piadas de relacionamento, piadas de trabalho, e acho que a gente vai explorar muito mais isso daqui para frente, sabe?

Eu acho que esses personagens que criamos nesse mundo, Megalopolisville, têm uma vida muito mais próxima da gente do que o Supeman do James Gunn, por exemplo. Então, assim, acho que ainda vamos sempre conseguir nos relacionar com as piadas e que elas fazem parte da nossa vida.

[THOBIAS]: Não estou dizendo que começamos isso, mas a Sociedade da Virtude aborda, em suas esquetes, coisas que talvez, se estivessem nos filmes atuais, trariam alguma originalidade. Acho que hoje as coisas são industrializados demais. Então, você assiste aos mesmos filmes em diversas abordagens. Eu acho que isso nos ajuda a ver uma cena e pensar: ‘Cara, não é possível que eles fizeram isso. Isso não existe!’ Daí, o Ian pensa no que pode escrever em cima daquilo.

[IAN]: Acho que o que o Thobias quis dizer é que a gente faria melhor. É isso que eu entendi, Thobias? [risos] Quer dizer, que o problema dos filmes hoje é que não estamos os fazendo?

[THOBIAS]: Melhor eu não sei, mas eu acho que tem decisões ali que, pelo menos, ajudam a gente a fazer um negócio mais engraçado. Eu acho que as fórmulas estão arruinando tudo, por isso que a galera não curte filme de herói igual 10 anos atrás, quando a coisa saía e era um fenômeno.

Voltando ao assunto da ida da Sociedade da Virtude para o Adult Swim: deixou de ser viável produzir para o YouTube?

[IAN]: Sim, para caramba, isso já desde 2014, é uma pena. Se tem uma coisa que eu não tenho como negar é que eu sou YouTuber. Eu apareci ali, fiz minha vida ali e, sei lá, virou um depósito de coisas pirateadas. Quais são os criadores hoje em dia que a gente vê que estão surgindo, por exemplo? Quem são os criadores que estão se formando ali? E até a galera que estava lá, são raríssimos os que continuam lá dentro. E isso a gente está falando de criador no geral, animador então, para fazer animação lá, desde 2014… por isso que eu falo dessa data, mudou muito o algoritmo do YouTube. Então, você tem que fazer vídeos com 8 minutos, 10 minutos, tem que produzir o tempo todo.

É impossível, cara. A conta não fecha. Não só de grana, mas de tempo, de algoritmo. Realmente ficou uma coisa que a gente faz hoje porque o nosso público está lá, a gente veio de lá. Quero dizer, a gente nem está fazendo mais hoje, mas a gente tem conteúdo lá.

Divulgação/Adult Swim



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