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Stuart Não Consegue Salvar O Universo chega à HBO Max na próxima quinta-feira, 23 de julho, trazendo de volta elementos que tornaram The Big Bang Theory um clássico. A esperança é manter a franquia em alta e há um plano forte em execução para isso.
Na nova série, Sheldon e Leonard criam um dispositivo interdimensional que acaba sendo acionado acidentalmente por Stuart, causando um colapso nas linhas do tempo do multiverso. Agora, não por escolha, o dono da loja de quadrinhos precisará reunir seus amigos para salvar toda a existência. Mas será que ele tem competência para isso?
A convite da HBO Max, participei de uma mesa redonda com os criadores da série Chuck Lorre, Bill Prady, e Zak Penn, além dos protagonistas Kevin Sussman (Stuart), Lauren Lapkus (Denise), Brian Posehn (Bert) e John Ross Bowie (Barry).
Por lá, eles explicaram as ideias e a dinâmica da produção desse derivado, detalhando o plano para que The Big Bang Theory seja usada como um impulso para o surgimento de algo novo.
Uma sementinha plantada há anos

O processo de criação não foi exatamente um estalo de um dia para o outro. Chuck Lorre confessou que a ideia existia desde a temporada final de The Big Bang Theory. Kevin Sussman só ficou sabendo por volta de 2021, mas Lorre esteve quebrando a cabeça por uma década para descobrir como iniciar o desenvolvimento. “Eu nunca desisti, mas não sabia como dar seguimento até que, você sabe, alguém se prontificou e disse: ‘isso não é horrível, pode seguir em frente’.“, declarou o criador da série.
Foi com muita persistência (e uma ajudinha de David Zaslav, o atual CEO da Warner Bros. Discovery), que o projeto finalmente ganhou vida. “A empresa foi vendida três, quatro vezes, e alguém apareceu e disse: ‘sabe de uma coisa? Faça isso’. David Zaslav foi um grande apoiador logo de cara… e ele nem entendia do que eu estava falando!“, declarou.
O mesmo humor de sempre
Um dos elementos mais elogiados pelos próprios atores é a forma como o roteiro lida com as convenções da ficção científica. A série não tenta ignorar as estranhezas do seu próprio universo. Quando o enredo se afasta da lógica, os personagens prontamente apontam o absurdo: “Há momentos em que a série se desvia de fazer sentido total, e os personagens estão cientes disso, e eles falam sobre isso.“, revelou Bill Prady.
Isso é algo que Chuck pega emprestado de seu grande ídolo na indústria: “Temos uma enorme dívida e gratidão [a Mel Brooks]. Ele teve uma influência enorme em nós enquanto crescíamos. Então, sim, a linhagem do grande Mel Brooks está muito presente no que fizemos.”
Time entrosado
Nas telas, a série é como um reencontro de velhos amigos. Por trás delas, são amigos regulares que nunca deixaram de se frequentar. A química é um ponto alto.
Lauren Lapkus relembrou que a conexão vem de longe: “Eu cuidei do filho do Brian quando ele tinha um ano. Ele tem 17 agora, então faz muito tempo”. John Ross Bowie também relembrou o passado em comum com Kevin Sussman: “Nós dois somos nova-iorquinos nativos. Eu o conheço há quase 30 anos”.
Retornos inusitados
Não é segredo que a série trará de volta outros personagens de The Big Bang Theory, além dos quatro protagonistas. Quem, exatamente? Bem, isso ainda precisa ser segredo. Mas o que se pode dizer de antemão é que até Stuart e seus amigos aparecem em versões diferentes das originais, brincando com as características de cada universo visitado. “Foi muito divertido encontrar lugares para personagens fora dos nossos quatro principais.“, declarou Lorre.
O poder dos excluídos
Chuck acredita piamente que os personagens de The Big Bang Theory são muito férteis para novas histórias. Para ele, o segredo sempre foi a falta de competência social misturada com genialidade: “Para mim, o universo Big Bang é sobre excluídos. Apesar de mentes científicas enormes e sofisticadas, eles eram incompetentes no mundo real. Eles eram indefesos.“
Ele fez questão de desmistificar o rótulo: “Eu nunca assinei contrato pela palavra ‘nerd’. Essas eram mentes brilhantes, brilhantes, que lutavam para fazer parte da vida cotidiana. A coisa do nerd veio depois”.
Embora aborde temas como o fim do mundo e o multiverso, a série do Stuart continua sendo sobre pessoas tentando lidar com frustrações sociais, amizades desajeitadas e as pequenas neuroses do dia a dia. A diferença é que a escala dos desafios agora é bem maior, e o lado divertido é que você não quer, exatamente, que o Stuart seja o responsável por salvar o mundo — acredite, nem ele gostaria.
Apenas Stuart basta
Para quem está se perguntando se a série exige conhecimento prévio de The Big Bang Theory, a resposta é “não“. Tudo o que você precisa saber está lá.
Chuck Lorre foi enfático sobre criar algo novo: “Nós queríamos que esta série se sustentasse por conta própria. […] Você não pode escrever da posição de ‘como posso agradar este público e aquele público’. Isso é ser condescendente. E isso é trapaça.”
Por fim, sobre o título da serie, que já entrega o jogo logo de cara, Chuck soltou uma pérola: “É maravilhoso intitular a série com o spoiler.”
É um acerto?
Não posso falar muita coisa sobre o conteúdo, pois ainda estou sob embargo. Mas direi o seguinte: Você certamente imagina algo sobre como o humor de The Big Bang Theory se sairia com a licença para brincar com VFX à vontade. Stuart Não Consegue Salvar o Universo é exatamente o que você imagina.
Será capaz de manter The Big Bang Theory em alta? Vamos descobrir em breve, mas não vejo motivos que impeçam a série de encontrar seu público.