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O TEXTO A SEGUIR CONTÉM SPOILERS DE BATMAN VS SUPERMAN: A ORIGEM DA JUSTIÇA

Após três anos de espera, Batman vs Superman: A Origem da Justiça finalmente chegou aos cinemas cercado de muita expectativa, desconfiança, e é claro… esperança. Afinal um universo cinematográfico baseado nos personagens da DC Comics era algo esperado por fãs desde que a Marvel começou a fazer o mesmo com seus personagens, e o desejo geral era de que a empreitada fosse tão bem sucedida quanto o de sua rival. Pois bem, o tão aguardado dia chegou, e ainda é um pouco difícil calcular o que realmente aconteceu ou está acontecendo. Apesar de ter sido muito bem recebido em sua premiere e enormemente elogiado por aqueles que tiveram o privilégio de assistir ao filme antes mesmo da imprensa, Batman vs Superman não passou ileso pela crítica especializada, sendo detonado por alguns veículos e elogiados por outros, que ainda assim trataram de pontuar algumas questões incômodas no longa. O fato é que o filme está causando burburinho e gerando uma enorme divergência de opiniões, onde alguns criticam a abordagem do exagerado diretor Zack Snyder, enquanto outros elogiam o filme e o consideram um excelente ponto de partida para esse novo universo, que já tem diversos filmes programados pelo menos até 2020.

Aparentemente, no que diz relação à bilheteria, Batman vs Superman vai muito bem, obrigado, o que por si só é suficiente para garantir as continuações e os filmes solo pela desconfiada Warner Bros., mas será que isso é o suficiente para acalmar os fãs? Com as inúmeras críticas a respeito do tom utilizado e da dificuldade de Zack Snyder em realizar uma edição que mantenha o filme com um riczig5yuugaaj-un1tmo consistente sem precisar apelar para grandes sequências puramente visuais, espectadores já começam a se perguntar se o vindouro e tão esperado filme da Liga da Justiça está realmente em boas mãos.

Mas muito mais importante do que isso, é fazer um exercício de imaginação de acordo com as informações que já temos pós Batman vs Superman, além de declarações do próprio Snyder para tentar entender como a dinâmica da equipe irá funcionar e como o grupo irá surgir, visto que ao final do longa temos apenas um breve diálogo entre Bruce Wayne e Diana sobre essa ideia pré-concebida de encontrar outros meta-humanos e reuni-los em prol de algo maior. Ou melhor, agindo na defesa de algo que está para chegar, mas falarei sobre isso mais tarde no texto. O fato é que para um filme que traz em seu título A Origem da Justiça, e que pretende servir como base para o que será a Liga da Justiça, o final não poderia ser mais melancólico e improvável. Chegamos ao final do longa simplesmente com Superman morto, e a ideia da Liga plantada sem a participação daquele que é o seu mair ícone e fonte de inspiração. Como não poderia deixar de acontecer, Snyder foi questionado sobre isso, alegando que seria muito simples para os outros membros aceitarem se juntar à equipe quando existe uma presença como a do Superman, o que por si só exigiu a sua retirada prematura – pelo menos por enquanto – para que todo o plot do longa pudesse ser devidamente trabalhado.

“Eu acho que Bruce Wayne deve sair e encontrar os sete samurais sozinho, será bem mais interessante. Eu também acho que sem Superman, existe uma vulnerabilidade no time, algo que eles ainda irão descobrir. Superman representa o poder.”

Sendo assim, o que já podemos considerar como certeza é que Liga da Justiça: Parte 1 (lembrando que o filme é dividido em duas partes) contará com pelo menos 2 atos de recrutamento apresentando os personagens, suas motivações e objetivos, enquanto Batman tenta convencê-los da ideia de uma super-equipe para manter a paz no planeta. Para tanto, Batman vs Superman já estipula a existência dos meta-humanos, por meio do acesso que Batman consegue ter do material de pesquisa realizado por Lex Luthor, que aparentemente possui interesse especial em tais seres. Personagens como Flash, Aquaman e Ciborgue são introduzidos no filme, em filmagens reunidas por Luthor. O interessante a respeito do Flash em especial é a sua enigmática aparição à la Crise nas Infinitas Terras ocorrida no filme para avisar Bruce Wayne de uma ameaça em potencial. Aos berros de “cheguei cedo demais” e “nos encontre“, a cena deixa em aberto se aquele seria o mesmo futuro pós-apocalíptico visto na visão de Bruce Wayne e portanto desconsiderado e impedido após os eventos do filme, ou se estávamos diante de algo diferente que realmente ainda irá acontecer e que obrigará o Flash a viajar de volta ao passado. Mero fanservice para um dos quadrinhos mais famosos da DC Comics misturado com um clima que remete ao aclamado game Injustice: Gods Among Us, ou algo mais?

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E por falar em Injustice, apesar da cena de um futuro pós-apocalíptico presenciado por Bruce claramente se inspirar no universo do game no qual Superman é um ditador, fica impossível não perceber outras presenças interessantes no cenário. Além dos óbvios parademônios que surgem dos céus para atacar, vemos cravado no solo o símbolo ômega, a mais clara alusão a Darkseid, um dos maiores vilões da Liga da Justiça e do Superman nos quadrinhos. Mas como se isso não fosse referência suficiente da ameaça enfrentada pela super-equipe em seu filme, ainda temos a emblemática cena final onde finalmente Batman e Lex Luthor são colocados frente a frente e tem um interessante diálogo onde um surtado Luthor afirma que fez contato com “eles”, e que estão chegando na Terra. Obviamente, o agora careca, ao receber o mesmo conhecimento kryptoniano na nave de Zod que lhe ensinou como transformar o general em uma aberração genética, acabou tendo algumas lições de outros segredos do espaço, o que possivelmente o levou a fazer contato com Darkseid, ou com alguns de seus asseclas. Um outro detalhe, mas não sei se esse seria tão importante, é o fato de Luthor repetir que o sino está batendo, enquanto repete várias vezes o som “ding“. Lembrando que nos quadrinhos, as Caixas Maternas, objetos tecnológicos criados pelos Novos Deuses, emitem um característico ruído de “ping“, o que pode ou não ter sido uma referência. Some isso ao fato do final da sequência entre Batman e Luthor focar no demônio existente no quadro que havia no escritório do vilão, e fica óbvia a ideia de que Darkseid será o grande inimigo a ser enfrentado pela Liga da Justiça nos cinemas.

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Apesar de aparentemente ter uma linha narrativa já bem definida, existem alguns pontos a se considerar, que precisam ser bem construídos para uma boa receptividade do público. Um dos pontos é como funcionará o arriscado marketing de um filme da Liga da Justiça sem a presença do Superman. Apesar da ideia corajosa e ousada tomada por Snyder – e inclusive bem fundamentada, como já dito pelo próprio mais acima no texto – é preciso cuidado do diretor para não colocar a si mesmo em uma encruzilhada perigosa. De acordo com as últimas declarações do diretor, o Homem de Aço não surgirá imediatamente no filme, como alguns podem ter pensado após os últimos segundos apresentados em Batman vs Superman, mas sim que haverá toda uma explicação e uma preparação para seu retorno, dando tempo para que Batman e Mulher-Maravilha reúnam o que virá a ser a Liga da Justiça sem sua presença. Pois bem, é preciso pensar em como se dará esse retorno do Superman, quanto tempo de tela levará até sua aparição, e quão grande será a importância do personagem no longa. 

digitalizar0002Se Superman aparecer apenas em um sequência final para servir como o grande diferencial na batalha contra Darkseid, sua aparição daria um clímax não menos que épico para o longa, mas é preciso pensar que isso implicaria em pelo menos dois atos sem o personagem, e que uma aparição de tamanha proporção, para gerar o impacto necessário, teria que ser guardada a sete chaves apenas para o filme. Estariam a Warner e Snyder preparados para uma campanha de marketing envolvendo pôsteres e trailers sem qualquer vestígio da presença do Superman? E aliás, em um universo recém-estabelecido, teria sido essa a melhor das decisões?

É necessário também pensar no clima proposto para o filme. Batman vs Superman exibe um tom claramente mais sério e sombrio, onde decisões realmente impactam a vida das pessoas, apresentando um thriller bem mais denso com um ritmo mais arrastado – pelo menos em seu primeiro ato – do que na maioria dos filmes de super-heróis atuais. Apesar da dose de realismo não ser exagerada como nos filmes do Batman do diretor Christopher Nolan, é inevitável não fazer qualquer parâmetro. Se ali, a ideia era mostrar como funcionaria um herói em um mundo real, o exercício de imaginação aqui é propor como seria um mundo real com a presença de heróis. O que? Achou que isso é a mesma coisa? Pior que não é. 

O universo apresentado em Batman vs Superman, que por sua vez já havia sido apresentado em O Homem de Aço, abraça a ideia dos meta-humanos, e por mais que estipule que não são simplesmente seres que estão às claras pulando por aí, já começam a ser avistados pela sociedade. Essa abordagem, no entanto, caminha no limiar da estranheza quando o filme tenta se levar a sério demais. Talvez por isso funcione bem mais no terceiro ato, quando sua veia quadrinística aflora de vez, encara o que é com honestidade, e entrega puro suco de gibi. É ali que o filme funciona e mostra qual linha deve seguir Liga da Justiça. É preciso pensar, no entanto, que mesmo assim o filme vem sendo duramente criticado pela crítica especializada, sendo acusado entre outras coisas de falta de humor e ausência de um fator de diversão inerente a qualquer blockbuster que se preze. É crucial nesse momento que a Warner perceba que, ao contrário da Marvel, o universo DC cinematográfico não pode contar com apenas um tom. Liga da Justiça, apesar de contar com o mesmo roteirista (Chris Terrio) e com o mesmo diretor, precisa passar longe de algumas decisões de Batman vs Superman, que, sim, podem ser justificadas na história que o filme se propôs a contar, mas que seriam um erro se colocadas para a frente, principalmente em um filme que envolve uma super-equipe que usa trajes coloridos e que por si só exige um clima mais leve e descontraído. 

Não é difícil acertar com a Liga da Justiça. É bem óbvio até. Mas também não é difícil errar. A boa notícia é que ainda esse ano temos a estreia de Esquadrão Suicida, que pelo que nos foi apresentado até agora nos trailers, possui um clima bem diferente de Batman vs Superman. Sua receptividade, tanto com o público quanto com a crítica, pode acabar sendo crucial para as mudanças de tom a serem estabelecidas no universo DC daqui para a frente. O futuro é promissor. Só não podem errar.

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