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Desde a estreia de A Odisseia (2026), circula na internet uma teoria de que o novo filme de Christopher Nolan encerra uma trilogia reversa, composta também por Tenet (2020) e Oppenheimer (2023). Embora saibamos que não há confirmação oficial, a teoria é tão bem fundamentada que, após conferir os argumentos, torna-se impossível não enxergar as três obras como um conjunto.
A trilogia da perdição humana

Tudo começa em Tenet, uma história sobre o futuro tentando destruir o passado usando uma tecnologia que, se você parar para pensar, é uma evolução direta do que o Oppenheimer começou. O Sator tenta usar uma arma do juízo final que basicamente apaga tudo o que existe. Enquanto a bomba atômica lida com o espaço, o “Algoritmo” lida com o tempo.
O “Algoritmo” foi criado por cientistas do futuro, que desenvolveram uma fórmula capaz de inverter a entropia de objetos e, eventualmente, do fluxo do tempo como um todo. O objetivo desses cientistas era usar a arma para reverter o tempo e, assim, tentar impedir a destruição do mundo causada por mudanças climáticas e desastres ecológicos — o que, ironicamente, causaria o fim do mundo no presente.
Oppenheimer é o passo atrás nessa ficção científica alucinante de Nolan, revelando a história de um homem movido pelo ego e pelo medo ao criar a arma mais potente da história da humanidade, o que pode ser a nossa própria condenação. Esses são temas que Nolan resgata e imprime em sua interpretação de A Odisseia.
A Odisseia de Nolan é, essencialmente, sobre um homem que trai seus próprios códigos para vencer uma guerra a qualquer custo, e depois percebe duramente o que perdeu no caminho. O final emblemático, com Odisseu avisando que as civilizações nascerão e morrerão, mas que os homens continuarão cometendo os mesmos erros, funciona como um prenúncio dos eventos de Oppenheimer e Tenet.
Eis as fontes consultadas para a teoria: Reddit e X/Twitter.
Por que a teoria faz sentido
Nolan pode não ter idealizado os três filmes como uma trilogia reversa, mas o desenvolvimento deles ocorreu a partir de uma evolução sequencial de ideias.
Tenet inspirou Oppenheimer diretamente. Durante o processo de escrita e filmagem, o diretor precisou mergulhar na física nuclear e no Projeto Manhattan para dar corpo ao roteiro. A ideia foi consolidada pelo ator Robert Pattinson, que presenteou Nolan com um livro contendo os discursos de Oppenheimer na festa de encerramento de Tenet.
Ambos os projetos acabaram inspirando a abordagem de Nolan para A Odisseia, um filme que ele planejava realizar há anos. Após duas obras focadas em homens a caminho da perdição, ele sentiu-se instigado a investigar essa premissa na jornada de Odisseu.
Em Tenet, a arma é um dispositivo capaz de aniquilar a existência. Em Oppenheimer, a arma é a bomba atômica, criada para encerrar uma guerra mundial. Em A Odisseia, a arma é o Cavalo de Troia, construído para pôr fim a um conflito de dez anos.
Enfim, essa estrutura de trilogia reversa é a cara de Christopher Nolan, que chama a atenção pela forma como brinca com narrativas não lineares desde Amnésia (2000).