A Fêmea é uma das personagens mais curiosas de The Boys. Na série, ela é a única do grupo com super-poderes, e sua origem, durante algum tempo, coloca uma aura de mistério ao redor da personagem.
Nos quadrinhos, ela é ainda mais misteriosa e retraída, contando com algumas diferenças cruciais com a Kimiko que vemos na produção da Amazon. Aqui nesse vídeo, vamos falar um pouco sobre essas diferenças e sobre como é a história da personagem na HQ de Garth Ennis, onde é conhecida apenas como “A Fêmea”. Lembrando que, obviamente, teremos spoilers dos quadrinhos aqui.
É interessante que na série eles dão o nome de Kimiko para a personagem, mas nos quadrinhos nunca sabemos o seu nome. Na verdade, por lá ela nunca teve um nome, sendo referida apenas como “a Fêmea da espécie”. A primeira aparição da Fêmea acontece na segunda edição de The Boys, mas a sua origem é contada apenas na edição 38, fazendo parte de um arco onde os Caras estão contando suas histórias de vida para o Hughie.
A família da Fêmea vivia em uma área nos arredores de Hiroshima. Sua mãe trabalhava em uma empresa que era mais ou menos o equivalente japonês da Vought. Ela era uma pessoa extremamente negligente e mesquinha, que levava a filha escondida para o trabalho porque não queria gastar dinheiro com uma babá. Um dia, a menina saiu engatinhando sem a mãe ver e acabou encontrando um balde de composto V instável que os cientistas desta empresa estavam trabalhando, tentando recriar a fórmula original.

A Fêmea acaba indo parar dentro do balde, bebendo parte da substância. Automaticamente ela ganha força e velocidade sobre-humanas e arranca o rosto de um dos cientistas. A criança acaba sendo capturada pela empresa e é forçada a viver em uma jaula, ocasionalmente sofrendo experimentos com o propósito de desbloquear o que exatamente a fez ganhar super-poderes, algo que não havia acontecido com nenhum dos outros sujeitos testados.
Mas uma vida em constante medo e tortura cobrou seu preço. Ela costumava encontrar maneiras de escapar, e quando o fazia, sua reação instintiva era matar qualquer um que entrasse em seu caminho, das formas mais brutais possíveis. No entanto, ela sempre é recapturada pela empresa, até que finalmente consegue fugir e escapar para os esgotos, onde elimina uma equipe inteira de soldados de elite enviados atrás dela. É nesse momento que os Caras aparecem e a colocam para dormir com uma granada de gás.
Sob custódia dos Caras, ela aprende a se comunicar. Na série é dito que ela é muda, mas nos quadrinhos ela é capaz de falar, ainda que aparentemente só fale com o Francês, a pessoa que ela mais confia. A Fêmea tem uma sede de sangue dentro dela que é quase insaciável – ela realmente gosta de matar, e quando não está em alguma missão com os Caras, ela muitas vezes pega pequenos serviços com a máfia, que lhe permitem matar à vontade.

A Fêmea é considerada “os músculos” da equipe, e certamente é a mais cruel e mais forte dentre eles. Durante toda a HQ, ela não tem realmente um arco próprio ou um grande papel a desempenhar. Ela simplesmente participa das missões e mata pessoas. Seu momento de maior destaque provavelmente é quando ela é emboscada pela Vought durante um trabalho que está realizando para a máfia. Ela acaba sendo levada a uma armadilha e se vê em confronto direto com um dos mais poderosos supers do mundo, o nazista Stormfront, líder do grupo Liga da Revanche.
Apesar de claramente não ser páreo para Stormfront, ela ainda consegue arrancar um dos olhos do super, antes dele ter um acesso de fúria e deixá-la em coma. E sim, é importante deixar claro que, apesar de ter sido derrotadas, é extremamente significante o fato dela ter conseguido resistir e causar dano no segundo super-herói mais poderoso do mundo.
Muito mais tarde, na reta final da HQ, Billy Bruto coloca em prática o seu plano genocida para matar todas as pessoas com composto V no sangue, de uma só vez. Para entender melhor isso, não deixe de assistir o nosso vídeo e ler o nosso artigo sobre o Billy Bruto.
Ao descobrirem o plano, os outros membros do grupo decidem impedir Billy, mas não são páreos para sua cruzada de ódio. Francês e a Fêmea, especificamente, são assassinados por Billy Bruto por meio de uma bomba caseira. E é assim que termina a história da Fêmea nos quadrinhos. Mas novamente, algo que sempre digo: a série da Amazon se mostra bem independente da obra original, e a “Kimiko” do programa já se mostra uma personagem bem diferente da Fêmea. É muito provável que sua trajetória e destino sejam diferentes por lá.






Comentários