Quem já leu os quadrinhos de The Boys pode ter se surpreendido com o tempo de tela que o Profundo recebeu na série da Amazon. O personagem na série tem ações repreensíveis, e logo entra em um processo de suposta redenção que na verdade visa mais o retorno de seu status, tendo sua própria subtrama ao longo das temporadas.
O que surpreende é o fato de que o Profundo tem uma participação pífia nos quadrinhos, sem qualquer relevância em qualquer evento que seja. Mas de qualquer forma, nesse vídeo vamos tratar sobre todo o seu histórico por lá, embora, sendo honesto, já aviso que não é muita coisa.
Conforme já citado na introdução, o Profundo é um personagem bem insignificante nas páginas de The Boys. Ele não faz nada com grandes consequências nos quadrinhos, e assim como acontece com outros personagens como o Trem-Bala, suas origens ou a extensão de seus poderes não são mostradas. Mas no caso do Profundo, também não é mostrada nenhuma rivalidade com alguém ou qualquer luta que ele tenha se envolvido.
A primeira aparição do Profundo acontece na terceira edição de The Boys, e ao longo da história as suas funções são meio que as de um cara sério que tenta manter os outros sobre controle, agindo mais como um homem de negócios do que um super. O que sabemos do Profundo é que, assim como os outros membros do The Boys, ele foi criado em laboratório após ser injetado ainda bebê com uma enorme quantidade de Composto V. Ele foi criado pela Vought para ser o relações públicas dos Sete, mas frequentemente ele é ofuscado pelos três grandes da equipe: Capitão Pátria, Rainha Maeve e Black Noir.

Em questão de habilidades, ele é incrivelmente forte e resistente, além de ter a capacidade de voar. Mas no que se refere às habilidades mostradas na série da Amazon, como o arquétipo Aquaman de se comunicar com a vida marinha, nunca vemos nos quadrinhos, então não temos ideia se ele é capaz de fazer isso. Mas tenha em mente que a história dos poderes dos Sete foi dramaticamente enfeitada pela Vought, de forma a fazê-los parecer mais poderosos do que realmente são. O tema central dos poderes do Profundo para o público gira em torno dele ser um “herói náutico”, embora nunca fique claro se ele tem poderes “náuticos”.
O Profundo nos quadrinhos é drasticamente diferente da versão da série, tanto em impacto quanto em aparência. Na série da Amazon, ele é um cara branco usando um traje que lembra algo usado pelo Aquaman ou pela Mera, enquanto nos quadrinhos ele é um homem negro gigantesco usando uma capa presa por uma grossa corrente e um escafandro na cabeça. A razão da mudança de visual provavelmente veio por que a ideia dos produtores da série sempre foi tratar o Profundo como uma grande piada, então fazia sentido para eles se aproveitarem do grande meme de alguns anos atrás, quando o Aquaman era tratado como uma piada e como o herói mais sem graça, algo que inclusive foi trabalhado no início da fase do personagem escrita por Geoff Johns nos Novos 52.
Nos únicos momentos em que o Profundo é mostrado em missões reais, são quando ocorrem falhas catastróficas ou quando sua seriedade é tratada como uma piada. Quando Billy Bruto e Capitão Pátria tem um encontro para discutir seu cessar fogo, os membros do The Boys e dos Sete ficam do lado de fora fazendo a segurança, e o Profundo é motivo de risadas quando surge do nada emergindo lentamente do Rio Hudson – o que, aliás, é o único indício de seus poderes marítimos (ou não, ele pode só ter nadado como qualquer pessoa normal).

Outro momento importante do qual ele faz parte também envolve um cessar fogo, entre os Sete, a Vought, a CIA e os membros do The Boys. Profundo faz parte desse encontro, onde o objetivo é criar um cenário que assuste e intimide seus oponentes, e para isso ele matam todos os soldados que estava no local do encontro e pintam as paredes e os aviões do hangar com o sangue dos mortos, para simbolizar o que vai acontecer se a guerra entre os dois grupos continuar. Mas acontece que foi o Capitão Pátria que matou todos e fez todo o trabalho sozinho, enquanto o restante dos Sete apenas olhava.
Como também já falamos por aqui em outras ocasiões, como no artigo do Capitão Pátria, o Profundo também foi parte da tentativa dos Sete de parar o atentado terrorista do 11 de setembro. Ele é visto carregando Black Noir e Maratona, dois membros dos Sete que não podem voar. Quando Capitão Pátria tenta dar ordens de ataque mas ninguém o escuta por causa da pressão do ar, o Profundo acaba sendo atingido em cheio pelo avião. Tentando se salvar, o Profundo idiotamente socou o vidro do cockpit, fazendo com que pessoas fossem arremessadas para fora.

Algo positivo a ser dito sobre o Profundo é que, diferente de outros supers, ele não demonstra ser cruel, pervertido ou um completo babaca. Na verdade ele age seriamente e quer fazer seu trabalho o melhor possível. Mas não pense que ele faz isso por ter alguma noção genuína de heroísmo; na verdade ele é preocupado com sua marca e com fazer o máximo de dinheiro possível. É isso que o move.
É por isso que, quando o Capitão Pátria resolve dar o seu golpe de estado, Profundo não participa. Ele simplesmente faz as malas e sai da Vought para tirar umas férias. Curiosamente, ele é o único membro dos Sete (tirando a Luz-Estrela) que sobrevive no final da HQ. Quando a Vought tenta limpar sua imagem através de um novo grupo de supers que deveria representar a pureza, Profundo aparece disfarçado como parte dos “Fiéis”, mas ainda usando um escafandro que deixa bem claro que é ele. Bem, considerando que estamos falando de uma obra de Garth Ennis, pelo menos ficar vivo no final é realmente um enorme presente.

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