A grande ameaça de The Last of Us, que levou o mundo a um cenário pós-apocalíptico, é o fungo conhecido como Cordyceps. E o mais interessante sobre esse fungo é que… bem, ele existe na vida real.
Conhecido como “fungo zumbi”, o Cordyceps só afeta insetos em nosso mundo, mas na lore de The Last of Us ele tem algumas especificações que o tornam muito mais terrível. No vídeo de hoje, trazemos 10 fatos sobre o Cordyceps, com elementos de The Last of Us, a ciência por trás do fungo e até outros exemplos da cultura pop.
Como a infecção começou

A série de The Last of Us estipulou que a pandemia por Cordyceps começou em Jacarta, capital da Indonésia, uma das maiores fabricantes de farinha do mundo. Pois é, a infecção começou por meio da farinha e seus derivados, tendo então uma origem alimentar.
Algo parecido acontece no jogo original de 2013. Por lá, logo no início do game, Sarah pega um jornal exibindo mensagens frenéticas sobre um aumento no atendimento hospitalar, uma mulher assassina enlouquecida e avisos de comida esquisitos. Sinais iniciais do apocalipse.
A Food and Drug Administration – FDA – estava investigando alimentos importados da América do Sul. Isso se estendeu ao México e à América Central. Os vegetais continham mofo e os vendedores foram advertidos contra a importação de alimentos.
Estágios
No game, o fungo cresce enquanto a vítima ainda está viva, com os hospedeiros passando por quatro estágios de infecção. O primeiro estágio começa dois dias após a infecção, quando o hospedeiro perde sua função cerebral superior (e com ela, sua humanidade), tornando-o hiperagressivo e incapaz de raciocinar ou pensar racionalmente.
Em duas semanas, o hospedeiro entra no estágio dois da infecção, no qual o fungo começa a alterar sua visão como resultado do crescimento progressivo de fungos na cabeça e da corrupção de seu córtex visual.
Após um ano de infecção, a infecção entra no estágio três; cicatrizando seu rosto e cegando-os, resultando no desenvolvimento de uma forma primitiva de eco-localização para compensar.
Em casos muito raros, se o hospedeiro sobreviver por mais de uma década, ele atinge o estágio quatro. Eles desenvolvem placas fúngicas endurecidas na maior parte do corpo. Quando o fungo mata o hospedeiro, seu corpo desenvolve projeções fúngicas semelhantes a caules que liberam esporos infecciosos. Já temos um vídeo aqui no canal que detalha melhor cada uma das fases de infecção do Cordyceps em The Last of Us.
Os Esporos
A infecção pode ser transmitida por meio de mordidas. Os hospedeiros só podem ser infectados enquanto vivos, pois o fungo é incapaz de infectar cadáveres devido à sua natureza parasitária, embora os infectados mortos possam liberar esporos independentemente do estágio.
E por falar em esporos, esse é um importante meio de contaminação nos games, embora a adaptação da HBO tenha optado por não utilizá-los. No jogo, para se proteger dos esporos transportados pelo ar, os sobreviventes usam máscaras de gás; Joel tem uma presa ao quadril, assim como Tess. Aqueles que são imunes não precisam delas, ou seja, Ellie.
A infecção parece incapaz de se espalhar em áreas ao ar livre, como o interior, embora algumas dessas áreas (como Lincoln e um bairro suburbano em Pittsburgh) possuam uma alta população de infectados. A infecção se desenvolve principalmente em áreas subterrâneas ou fechadas comumente evitadas pelas pessoas, especialmente esgotos, túneis de metrô e alguns edifícios.
O caso Ellis
Em obras como The Walking Dead, é estipulado que uma pessoa mordida pode impedir a infecção por meio da amputação do membro comprometido. Mas seria possível fazer isso em The Last of Us?
Bem, isso já foi tentando, embora o game não ofereça respostas conclusivas. Na DLC Left Behind, Ellie descobre a história do capitão Regan Francis, que tentou impedir que a infecção se espalhasse pelo corpo de seu colega, o soldado Eugene Ellis, amputando seu braço direito mordido.
Parecia ter funcionado, mas nos próximos dias Ellis começou a ter febre alta e delirar, até o ponto de matar Regan achando que ele era uma ameaça. Ellie encontra uma gravação do soldado Ellis dizendo que se arrependia de ter matado Regan, que estava com muito frio e só queria descansar.
Como passaram-se dias sem que Ellis se transformasse, fica implícito que a amputação do membro mordido deu certo, impedindo a infecção pelo fungo. A febre e o delírio não teriam sido sinais do Cordyceps, e sim da falta de cuidados médicos no corte, inflamando o ferimento.
Na vida real
Como a essa altura todo mundo já sabe, o Cordyceps é um fungo que existe na vida real, e a ideia de utilizá-lo em The Last of Us veio ao criador do game, Neil Druckman, enquanto ele assistia um documentário sobre o famoso “fungo zumbi” no programa “Planet Earth” da BBC.
O Cordyceps contamina insetos, especialmente as formigas, devido a sua consciência de comunidade que auxilia em muito a infecção em larga escala. O fungo se desenvolve dentro do corpo da formiga, consumindo as estruturas musculares do inseto. Ele cresce até atingir o sistema nervoso central, o que ocorre cerca de uma ou duas semanas após a infecção.
A partir daí, a formiga começa a se movimentar de maneira diferente, apresentando movimentos erráticos e frequentemente caindo de onde tenta subir. Isso acontece devido às convulsões provocadas pelo fungo. Após cerca de uma a duas semanas da morte da formiga, observa-se a formação do ascoma para fora de seu corpo. Os esporos são então produzidos e liberados para o ambiente, para infectar novas formigas.
Infiltração inimiga
Normalmente, com formigas e outros insetos que são criaturas sociais, se um está doente, a comunidade o expulsa para proteger o resto da colônia. Faz sentido, biologicamente falando. Se você tem uma infecção, você isola. Então, como o Cordyceps passa despercebido?
Bem, o lance aqui é que o fungo segue a estrutura básica das histórias de zumbis: um atraso entre a infecção e a transformação – um período de incubação. As formigas agem sem levantar suspeitas do resto da colônia. A infecção é 100% letal, mas infecta apenas alguns poucos, para manter a população funcionando. Futuras vítimas para garantir o ciclo.
Por que não afeta humanos?
Mas afinal, por que o Cordyceps não afeta humanos? Existem algumas razões bem específicas para isso. Em primeiro lugar, ele não pode passar pela nossa pele. Além disso, os humanos têm um sistema imunológico muito diferente dos insetos. Seres humanos têm imunidade adaptativa, o que significa que nosso sistema de defesa não pode ser atravessado por infecções fúngicas.
Além disso, é claro, o fungo não é capaz de infectar humanos devido à nossa temperatura corporal – a maioria dos fungos se adapta a temperaturas mais frias do que os aproximados 37°C do ser humano.
Porém, o mais importante é o nosso complexo e elaborado sistema nervoso. Mesmo que, por acaso, o Coryceps conseguisse passar por nossa pele e tivesse condições de sobreviver na temperatura corporal humana graças a alguma evolução adaptativa, ele teria a complexidade do nosso cérebro em seu caminho. Nenhum parasita seria capaz de controlar o sistema nervoso humano.
Uso medicinal
E se eu te falar que o Cordyceps não apenas não afeta os humanos, como na verdade tem características muito positivas para nós? Sim, é isso mesmo! Esse fungo é muito usado na medicina tradicional chinesa, japonesa, coreana e indiana. Na China, aliás, o fungo é vendido em pacotes.
O Cordyceps pode ser consumido de diferentes formas, como em sopas e chás, com seu consumo sendo indicado para reforçar a imunidade, retardar o processo de envelhecimento, ajudar na recuperação pós-cirúrgica, e até mesmo por apresentar ação antitumoral. Não à toa, o Cordyceps é o item mais caro da medicina chinesa.
Pokémon
Uma ligação que pode ser muito inesperada para algumas pessoas envolve The Last of Us e… Pokémon. Pois é! A infecção pelo Cordyceps acabou também inspirando um Pokémon da primeira geração: o Paras.
Paras começa com dois cogumelos nas costas e depois evolui para Parasect, um Pokémon com um cogumelo no lugar da carapaça. Além disso, seus olhos ficam totalmente brancos, indicando que ele morreu e agora é controlado pelo fungo.
Tanto Paras quanto Parasect têm um cogumelo chamado Tochkaso crescendo em suas costas. Tochkaso, obviamente, é o nome japonês para Ophiocordyceps, o nome científico do Cordyceps.
E não, isso não é uma teoria. A Pokédex confirma a trágica história de Parasect, dizendo: “O inseto está morto, com o cogumelo em suas costas se tornando o corpo principal. Se o cogumelo for removido, o inseto para de se mover.”
A Menina que tinha Dons
O filme “A Menina que tinha Dons” se passa em um futuro distópico onde um fungo parasita assumiu o controle da humanidade criando zumbis assustadores. Soa familiar? Deveria. É mais um exemplo do Cordyceps sendo utilizado como fonte de inspiração no entretenimento, muito semelhante a The Last Of Us.
A Menina que tinha Dons é um romance escrito por Mike Carey em 2014, um ano depois do lançamento de The Last of Us. O livro ganhou uma adaptação cinematográfica em 2016 pela Netflix, contando a história de uma jovem chamada Melanie, uma das crianças híbridas que está sendo estudada. Como o resto das crianças, Melanie tem dons especiais e está sendo examinada para determinar como vencer o fungo parasita.
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