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Ao longo do romance original de It: A Coisa, Stephen King mostrou que Pennywise é muito mais do que um palhaço — é uma criatura cósmica que se alimenta do medo e assume a forma do pior pesadelo de suas vítimas. Cada manifestação é um reflexo do terror mais íntimo de quem ele persegue.

As versões cinematográficas acrescentaram ainda mais algumas formas, expandindo esse catálogo de horrores com monstros clássicos, traumas pessoais e figuras perturbadoras. E no vídeo de hoje, falamos sobre todas as formas que Pennywise já tomou.

A verdadeira natureza da Coisa

Antes de mergulhar nas formas específicas de Pennywise, é importante entender o que essa entidade realmente é. Pennywise é apenas uma das muitas manifestações de uma criatura transdimensional chamada “glamour”, que vem do Macroverso — uma dimensão além da nossa compreensão. Seu verdadeiro corpo seria composto pelas chamadas “Luzes da Morte”, luzes laranjas que existem fora da realidade. Quem as encara diretamente corre risco de enlouquecer.

O objetivo de Pennywise é se alimentar do medo. Por isso, ele escolhe vítimas jovens e assume a forma do que elas mais temem — porque o medo torna a carne mais saborosa, segundo suas próprias palavras. Cada transformação é feita com precisão cirúrgica, e cada manifestação é uma arma psicológica personalizada.

Pennywise, o Palhaço Dançarino

Reprodução/HBO

De todas as formas assumidas por Pennywise, nenhuma é mais emblemática que a do Palhaço Dançarino. Stephen King escolheu essa aparência justamente por saber que palhaços despertam medo instintivo em crianças. Com seu sorriso exagerado, olhos estranhos e roupas coloridas, Pennywise atrai os pequenos com simpatia falsa.

Tanto Tim Curry na minissérie de 1990 quanto Bill Skarsgård nos filmes mais recentes entregaram versões inesquecíveis do palhaço. Curry apostou em um tom teatral e perversamente divertido, enquanto Skarsgård trouxe uma aura mais alienígena e predatória, com seu olhar que se move em direções diferentes.

Georgie Denbrough

Talvez a forma mais cruel de Pennywise seja a de Georgie Denbrough, o irmão mais novo de Bill. Depois de ser sua primeira vítima no filme de 2017 — na infame cena do bueiro — Pennywise continua usando sua imagem para atormentar Bill, se aproveitando da culpa que o garoto carrega pela perda do irmão.

A entidade aparece diversas vezes como Georgie, sussurrando frases como “Você também vai flutuar” para manipular Bill emocionalmente. Até mesmo na fase adulta, em It: Capítulo 2, Bill encontra Georgie no porão de sua antiga casa.

Monstros clássicos: Lobisomem, Múmia e Criatura da Lagoa Negra

No livro original, ambientado nos anos 1950, Pennywise assume a forma de monstros clássicos do cinema — o tipo de criatura que realmente assustava as crianças da época. Richie e Bill enfrentam um lobisomem vestido com jaqueta escolar, inspirado no filme “I Was a Teenage Werewolf”, visto por eles pouco tempo antes.

Outros membros do Clube dos Otários também são atormentados por horrores cinematográficos. Ben é perseguido por uma múmia semelhante à do clássico de 1932 com Boris Karloff, representando o medo da solidão e decadência. Já Eddie vê a Criatura da Lagoa Negra após a entidade aparecer brevemente como seu irmão morto. Essas manifestações mostram como Pennywise se alimenta das referências culturais de cada geração.

O Leproso

Eddie Kaspbrak, obcecado por higiene e assustado com doenças, é aterrorizado por uma forma especialmente grotesca: o leproso. Esse ser nojento, coberto de feridas, representa todos os medos que sua mãe plantou nele, com remédios falsos e ameaças constantes sobre sua saúde frágil.

No livro, o leproso oferece favores sex*ais a Eddie, tornando tudo ainda mais perturbador. No filme de 2017, isso foi suavizado, mas manteve a essência.

A Mulher do Quadro

Para Stanley Uris, que valoriza lógica e ordem, Pennywise aparece como uma mulher deformada saindo de uma pintura surreal no escritório de seu pai. A figura foi inspirada em um medo de infância do diretor Andy Muschietti, ligado a quadros de Amedeo Modigliani.

Com olhos espaçados demais, rosto distorcido e corpo torto, a mulher do quadro representa tudo o que é ilógico e caótico. Ela assombra Stan com seu visual antinatural, rastejando em sua direção. É o tipo de terror que desestabiliza completamente alguém que se agarra à racionalidade como forma de sobreviver.

A Estátua de Paul Bunyan

Um dos momentos mais marcantes tanto no livro quanto em It: Capítulo 2 é quando Pennywise traz à vida a estátua de Paul Bunyan, o lenhador gigante que decora a praça de Derry. A cena se passa quando Richie está sendo provocado por Henry Bowers no fliperama e foge, apenas para ver a estátua se mover com um machado na mão e descer do pedestal para persegui-lo.

Esse ataque mistura ícones da cultura americana com horror puro. A estátua — construída em 1962, exatamente 27 anos antes dos eventos principais — é um lembrete do ciclo de terror de Pennywise. Richie só consegue escapar ao negar sua existência, mostrando que o medo é a chave que dá poder a Pennywise.

Sra. Kersh

Em It: Capítulo 2, Beverly retorna à casa onde cresceu e encontra uma senhora aparentemente doce chamada Sra. Kersh vivendo ali. Mas logo as coisas saem do controle: o chá tem gosto amargo, a casa está esquisita, e a anfitriã começa a se transformar. Seu rosto se alonga, o corpo estica, até se tornar uma criatura bizarra e monstruosa que persegue Beverly.

O detalhe mais cruel? Durante o ataque, a entidade usa a voz do pai abusivo de Beverly, ativando seus traumas mais profundos.

A Aranha Gigante

Na parte final da história, os membros do Clube dos Otários enfrentam o que parece ser a verdadeira forma física de Pennywise: uma aranha colossal. Essa criatura surge em seu covil subterrâneo e é descrita como fêmea, tendo colocado muitos ovos — algo que levanta questionamentos sobre sua biologia e intenção.

Essa forma representa o limite da percepção humana diante do horror cósmico. Como o cérebro humano é incapaz de compreender sua forma sem enlouquecer, ele cria algo monstruoso.

Mais monstros clássicos

O romance de Stephen King apresenta ainda mais formas que não chegaram às adaptações audiovisuais. Ben, já adulto, encontra um Drácula com dentes de lâmina e pedaços de carne pendurados, que o ameaça na biblioteca. Frankenstein também aparece — uma vez no sonho de Eddie, e outra nas profundezas do esgoto, onde decapita um dos capangas de Henry Bowers.

A Coisa também se manifesta como o olho rastejante do filme The Crawling Eye, e como o tubarão do filme de Spielberg, atacando uma criança no canal de Derry.

Matty Clemens

Um dos truques mais cruéis da série Bem Vindos a Derry é o uso do personagem Matty Clemens. Após ser atacado no episódio piloto, ele reaparece como se estivesse vivo, escondido no esconderijo das crianças. Todos ficam aliviados, acreditando que Matty sobreviveu. Ele os convence de que sabe onde estão outras crianças desaparecidas e os guia até os esgotos para “resgatá-las”.

Mas tudo era um truque. Matty estava morto o tempo todo, e o menino que os levou até lá era Pennywise disfarçado. A revelação vem acompanhada de uma transformação assustadora: ele gira em torno de um cano enquanto canta uma música fora do tom, com o sorriso se transformando até revelar a face clássica do palhaço interpretado por Bill Skarsgård.

Tio Sam

No quinto episódio da série, dois soldados se deparam com Pennywise nos esgotos. Mas, em vez do palhaço, eles encontram uma versão zumbificada do Tio Sam, aquela figura famosa dos cartazes de recrutamento militar. Com roupas esfarrapadas e um rosto em decomposição, o Tio Sam se aproxima dizendo “Eu quero você”, antes de atacá-los brutalmente.

Essa forma é brilhante por diversos motivos. Ela representa autoridade, pressão social e a ideia de bravura obrigatória.

O Homem Esquelético

O Homem Esquelético aparece perseguindo o jovem Frank Shaw na floresta, em um ciclo de alimentação anterior ao da série. Ele é uma figura alta e idosa, com um corpo emaciado que remete diretamente à forma deformada da Sra. Kersh em It: Capítulo 2. Isso sugere que Pennywise já usava esse tipo de corpo distorcido há décadas, como símbolo de decrepitude e fraqueza.

O padrão do medo

Observando todas essas manifestações, fica claro que Pennywise atua como um predador psicológico. Cada forma assumida é escolhida com precisão para atingir o ponto fraco da vítima. Pennywise vasculha a mente das vítimas e veste os seus medos como máscaras.

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