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Se você é fã de Stranger Things, talvez já tenha sentido aquela sensação estranha de familiaridade. Como se algumas cenas, personagens ou até mesmo a fonte do título te lembrassem de algo que você já viu antes. E tem um bom motivo pra isso: Stranger Things é praticamente uma carta de amor ao universo do terror dos anos 80. E ninguém definiu esse gênero como Stephen King.

Os irmãos Duffer não escondem que cresceram lendo os livros do autor e trouxeram essa influência pra cada detalhe da série. A estética, os temas sobrenaturais, o foco na infância como palco de traumas e descobertas, tudo isso carrega a marca do autor. E no vídeo de hoje, elencamos todas as referências.

A Fonte

Se você tem sensação de já ter visto a fonte usada na sequência de abertura de Stranger Things antes, há um bom motivo: é uma homenagem à tipografia usada nos antigos romances de Stephen King, especialmente aqueles publicados nos anos 80 e 90.

Na verdade, os criadores da série, os irmãos Duffer, enviaram cópias de antigos romances de Stephen King para a equipe responsável pela sequência de abertura, a Imaginary Forces. Eles chegaram ao resultado que você vê na série, usando uma versão modificada da fonte ITC Benguiat.

Eleven é basicamente Carrie

A telecinese é uma parte fundamental de Stranger Things, mas também é um elemento sobrenatural em livros (e filmes) de Stephen King, especialmente no que ele chama de “Os Iluminados”.

A Eleven de Stranger Things é uma clara referência a isso, especialmente a duas personagens de King: Carrie, do livro homônimo, e Charlie, de “A Incendiária”.

No caso de Charlie, ambas possuem poderes e tem dificuldade para controlá-los. Ambas foram resultado de experimentos e acabam fugindo do governo desde o início de suas histórias.

Conta Comigo

A primeira temporada de Stranger Things apresenta uma série de episódios que funcionam como uma homenagem ao conto “O Corpo”, de Stephen King, renomeado como “Conta Comigo” ao virar filme. O título do episódio 4 da primeira temporada é o mesmo da história original de King.

Aqui vemos o grupo tentando encontrar Will, que está desaparecido, até que um cadáver é encontrado (como em Conta Comigo). O episódio 5 é como a conclusão perfeita para a homenagem, com o grupo de quatro pessoa, caminhando sobre trilhos de trem e tendo conversas muito sinceras (como a cena icônica de Conta Comigo).

O Clube dos Otários

Uma coisa sobre a qual King escreve frequentemente, e o faz muito bem, é o amadurecimento. O desenvolvimento de personagens é uma de suas marcas registradas, mas a maneira como ele escreve sobre a infância é notável. Isso fica evidente em histórias como IT.

Crescer é uma parte fundamental de Stranger Things. Muitas histórias se encaixam nesse tema, mas a principal, que retrata um grupo de excluídos, é a mais cativante de todas. As histórias de Dustin, Mike, Lucas, Eleven e Max têm dinâmicas semelhantes às do Clube dos Otários em IT.

E é claro, temos um grupo de crianças, em uma cidadezinha pequena, enfrentando uma criatura do submundo. Até o próprio King já apontou essa homenagem e disse que gosta da série justamente por isso.

O Estilingue

E por falar em IT, há um momento em particular na série da Netflix que é uma clara referência ao romance de Stephen King: a tentativa de Lucas de matar o Demogorgon usando seu estilingue.

Em IT, o Clube dos Otários obtém algum sucesso com esse método. Eles descobriram que a criatura é regida por certas regras, como ser vulnerável a qualquer forma que assuma. Então, em determinado momento, eles usam lesmas de prata em um estilingue (já que a criatura apareceu como um lobisomem). Aliás, é assim que, já adultos, eles matam a criatura mais tarde.

O Palhaço Assustador

E já que estamos falando de IT, melhor aproveitar para já citar algo que parece ser uma referência direta ao grande vilão da obra de King: Pennywise, o palhaço dançarino. Não, Pennywise não está em Hawkins, afinal, ele prefere Derry. Mas há uma pequena referência.

Bob Newby, o personagem interpretado por Sean Astin na segunda temporada, conta a Will que foi aterrorizado por um palhaço quando era criança. Ele o chama de “Sr. Baldo” em sua história, e eu sei que dizer que Baldo era o Pennywise é um exagero, mas essa é uma clara referência.

Livros em tela

Os livros de Stephen King em si, também aparecem em Stranger Things. Um exemplo disso é a inclusão de Cujo no quarto episódio da primeira temporada, nas mãos de um policial rodoviário no necrotério quando Hopper aparece para ver o corpo de Will Byers.

Acontece que Cujo foi publicado em 1981, apenas dois anos antes da época em que Stranger Things se passa. No entanto, a adaptação cinematográfica de Cujo foi lançada em 1983, o que significa que já estava bem presente na consciência do público na época.

Já na quarta temporada, Lucas lê um livro de King para sua namorada Max, que está em coma. O livro é O Talismã, de Stephen King (escrito em parceria com Peter Straub). Embora seja uma simples homenagem, a escolha do livro pode não ser aleatória. A história é sobre Jack Sawyer, um garoto que viaja para outro mundo para recuperar um objeto que salvará sua mãe doente.

Os Valentões

Considerando que os protagonistas de Stranger Things são azarões e excluídos, o bullying é uma grande parte de suas vidas. Principalmente na 4ª temporada, a turma enfrenta a fúria de valentões dentro e fora do colégio, com Eddie Munson se tornando alvo de adolescentes violentos. Esse é um tema recorrente nos livros e filmes de King, que retratam o bullying escolar como um grande problema para os jovens estudantes.

A cena em que Dustin é ameaçado com uma faca por um valentão da escola lembra muito uma cena do filme “IT” em que Ben Hanscom, membro do Clube dos Otários, é ameaçado com uma faca por Henry Bowers.

Billy Hargrove

E por falar em valentões, a segunda temporada conta com a introdução de Billy Hargrove, um personagem que representa o que há de pior nos vilões humanos de Stephen King – aquela maldade sem motivo, que o coloca no mesmo patamar de monstros sobrenaturais.

Não a toa, o visual de Billy na série é uma clara referência a Randall Flagg em Dança da Morte, onde é descrito com jaqueta e calça jeans. Enquanto isso, o cabelo de Billy é uma homenagem ao visual do ator Jamey Sheridan na adaptação de Dança da Morte, com o mullet loiro.

O Mundo Invertido

Elas não são exatamente iguais, mas a sinistra realidade alternativa de Stranger Things — conhecida como Mundo Invertido — traça paralelos com a dimensão que invade a Terra em O Nevoeiro (outro conto de King que foi adaptado para o cinema): ambas foram causadas por um experimento governamental que deu errado e ambas resultam em criaturas de outro mundo invadindo o nosso mundo.

A tênue linha que separa a realidade de dimensões alternativas é, na verdade, um tema recorrente na obra de King: além de estar presente em O Nevoeiro, também é central em seu romance Love: A História de Lisey.

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