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Marcado por criar grandes personagens em filmes repletos de violência estilizada, Quentin Tarantino é um dos cineastas mais autênticos de sua geração. Hoje (27), esse grande diretor e roteirista está completando 62 anos. Para celebrar a data, este artigo lista e comenta um pouco sobre seus filmes, do pior para o melhor. Obviamente, a lista é feita com base na opinião do autor. Confira:
9º À Prova de Morte (2007)

Uma grande homenagem de Tarantino aos filmes do cinema exploitation¹, que foram responsáveis por formar seu gosto cinematográfico, À Prova de Morte (2007) tem tudo que qualquer outro trabalho do cineasta tem: sequências de ação memoráveis, personagens cativantes e muita tensão. É um ótimo filme, sem dúvida, mas é o menos impressionante que ele já fez, e talvez seu ritmo intencionalmente irregular seja responsável por isso.
8º Os Oito Odiados (2015)
Os Oito Odiados (2015) é sustentado em uma faceta pouco destacada de Tarantino: sua capacidade de moldar uma atmosfera tensa. Encaro esse filme como uma panela de pressão cozinhando em fogo baixo. O cozimento naquela cabana claustrofóbica, habitada por 8 personagens controversos, dura tanto tempo que a água seca e essa panela explode da maneira mais visceral possível.
7º Django Livre (2012)
O único filme de herói da filmografia de Tarantino, Django Livre (2012) subverteu e deu sobrevida aos filmes de faroeste na década passada, com a forma única e divertida com que lida com temas sociais, ação e trilha sonora. É realmente uma pena que Hollywood tenha aproveitado tão pouco a onda causada por esse longa, e o gênero de faroeste ainda seja visto como um patinho feio comercial entre os executivos de cinema.
6º Pulp Fiction: Tempo de Violência (1994)
Definitivamente o filme mais famoso de Tarantino, Pulp Fiction: Tempo de Violência (1994) foi o responsável por estabelecer o estilo cinematográfico do diretor, com sua narrativa não linear dividida em capítulos, diálogos icônicos e personagens marcantes como elementos centrais. Foi nesse filme que o cineasta misturou gêneros pela primeira vez, passando por crime, comédia e suspense de forma inovadora e fluida.
5º Kill Bill (2003)
Consideradas como uma única obra por Quentin Tarantino, as duas partes de Kill Bill (2003) são uma homenagem vibrante aos filmes de vingança, com diversas piscadelas ao cinema de ação asiático. Nelas, o cineasta mistura elementos de filmes de samurai, faroeste e cinema exploitation¹, resultando em algo único, embora se aproveite de vários fragmentos de outros filmes — o que também é uma marca registrada do diretor.
4º Bastardos Inglórios (2009)
Inspirado em um filme italiano de mesmo título, além de Os Doze Condenados (1967), Bastardos Inglórios (2009) marcou o momento em que Tarantino descobriu que poderia brincar com a história e fazer isso funcionar. Nesse longa violento, extremamente divertido e repleto de personagens icônicos, o cineasta reforçou que o cinema não precisa ser um recorte preciso da realidade. As possibilidades são infinitas!
3º Cães de Aluguel (1992)
Primero filme dirigido por Quentin Tarantino, Cães de Aluguel (1992) é marcado pela forma como o diretor lida com a violência sem precisar mostrá-la em tela o tempo todo. Nele, várias das facetas do cineasta já estão presentes, como a capacidade de moldar uma atmosfera tensa a partir da interação entre os personagens e a narrativa não linear auxiliada por flashbacks.
Há uma passagem muito divertida no livro mais recente de Tarantino, Especulações Cinematográficas, sobre uma conversa dele com uma ex-esposa de seu grande ídolo, Brian De Palma. Na ocasião, Quentin disse ter certeza que De Palma não gostou de Cães de Aluguel (1992), pois o filme é inteiro sobre homens conversando e o diretor de Scarface (1983) detesta isso.
Sim, Cães de Aluguel (1992) é, de fato, quase inteiramente sobre homens conversando, mas há algo sobre o código de ética peculiar desse ambiente criminoso, associado às particularidades de cada personagem, que torna toda essa conversa divertida.
2º Jackie Brown (1997)
Trabalho estranhamente menos famoso e mais subestimado de Tarantino, Jackie Brown (1997) é um thriller elegante e inteligente, focado em uma personagem muito forte que remete diretamente ao movimento Blaxploitation² dos anos 70, outro tipo de cinema de grande impacto na formação cinematográfica do cineasta.
Entre os 9 filmes do diretor, Jackie Brown (1997) é, sem dúvida, o mais maduro e, para alguns cineastas renomados, é seu melhor filme, pois possui execução perfeita, ou muito próxima da perfeição.
1º Era Uma Vez em… Hollywood (2019)
Se há algo mais divertido do que assistir Tarantino fazendo cinema, é vê-lo falar sobre cinema. Com opiniões polêmicas, mas totalmente autênticas, o cineasta é um verdadeiro apaixonado que tem uma coleção inesgotável de histórias sobre produções de faroestes e filmes do cinema exploitation¹, além de saber muitos bastidores da contracultura dos anos 60 e da Nova Hollywood.
Em Era Uma Vez em… Hollywood (2019), o diretor abre seu coração para o público em uma viagem divertida por sua memória romântica da Los Angeles do final dos anos 60. O filme é um conto de fadas sobre a paixão de um cineasta pelo cinema, que usa o amor genuíno entre dois homens — que são muito mais do que irmãos e um pouco menos que um casal — para passear por vários gêneros cinematográficos, como ação, suspense e terror. Funciona como uma bela carta de agradecimento de Tarantino aos seus heróis, Sam Peckinpah, Don Siegel e, principalmente, ao seu grande ídolo, Brian De Palma.
Duvido que Quentin Tarantino vá encerrar a carreira com 10 filmes. No entanto, se ele o fizer, será muito difícil superar a sequência emblemática dos 10 minutos finais de Era Uma Vez em… Hollywood (2019). É como se cada linha de roteiro escrita pelo cineasta ao longo de sua vida, cada take de seus outros 8 filmes e cada filme que ele já assistiu o tivessem preparado para escrever aquela sequência violenta de Cliff Booth (Brad Pitt) massacrando os hippies e os ‘portões do paraíso’ se abrindo para Rick Dalton (Leonardo DiCaprio).
Ao som da trilha sonora, no plano geral de Rick Dalton em frente a Sharon Tate (Margot Robbie), os olhos se enchem d’água por uma nostalgia de algo que nunca existiu, e o sentimento de despedida toma conta quando o letreiro aparece na tela. Escrito e dirigido por Quentin Tarantino, Era Uma Vez em… Hollywood: uma obra-prima.
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¹Cinema exploitation consiste em um gênero apelativo, caracterizado por filmes que exploram temas sensacionalistas e mórbidos de forma exagerada e, muitas vezes, controversa. Esse tipo de obra busca chocar e atrair o público com elementos como violência, nudez, horror, bizarrices e situações extremas. Era o tipo de filme que o jovem Tarantino assistia com grande frequência no cinema.
²Blaxploitation é um gênero cinematográfico que surgiu no início da década de 70, caracterizado por atores negros em papéis de destaque, com histórias frequentemente com foco em cenários urbanos. Esses filmes abrangiam temas como crime, drogas e tensões raciais. No livro Especulações Cinematográficas, Tarantino cita O Justiceiro Negro (1972), estrelado por Jim Brown, como um dos principais responsáveis por ele ter virado cineasta. “Depois desse dia, nunca mais fui o mesmo. Em maior ou menor grau, desde então passei a vida fazendo filmes numa tentativa de recriar a experiência de assistir ao novo filme de Jim Brown numa noite de sábado, numa sala de cinema negra, em 1972.“, disse o diretor sobre a experiência de assistir ao filme pela primeira vez.